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De Tancredo a Aécio 18.09.2017
André Gustavo Stumpf
 
A nova república, assim batizada por Tancredo Neves logo após sua vitória no Colégio Eleitoral, em 1985, chegou ao fim nos últimos dias. A marca mais significativa destes tempos é a presença do senador Aécio Neves na lista de políticos que se locupletaram com dinheiro de origem duvidosa. Entre Tancredo e Aécio se esvaiu a proposta de um novo Brasil. Foram fugazes 32 anos, período no qual houve um presidente acidental, um populista caçador de marajás, um presidente eventual, no estilo forrest gump, um scholar da melhor qualificação, um líder trabalhista e uma mulher que não representava nada além dela mesma.
 
O resultado dessa aventura política aparece todos os dias nos jornais. O país transformou-se em campeão mundial de corrupção. Bateu vários recordes. Superou as melhores marcas africanas. Comprovou ter pessoal altamente qualificado para operar em mercados financeiros sofisticados. Doleiros de alto coturno não se intimidaram, abriram bancos em diversas partes do mundo e trabalharam com desenvoltura em países desenvolvidos. Só não operaram dentro dos Estados Unidos. Fizeram suas transações majoritariamente em euros.
 
É claro que teria que haver um Geddel Vieira de Lima para colocar no apartamento em Salvador, cidade onde ele mora, malas e caixas de dinheiro vivo. Um total de R$ 51 milhões. É a realização de fixação infantil ou a versão baiana do Tio Patinhas, que visita seus bens apenas para brincar com a riqueza. Perdeu muito porque se a fortuna estivesse depositada em algum banco deveria render por baixo algo como R$ 500 mil por mês. No entanto, mais vale um gosto que seis vinténs. Freud explica. E as práticas paroquiais também. 
 
Os irmãos Fri Boi também se perderam na fronteira do paroquial. Já tinham obtido tudo que poderiam ter. A eles cabia apenas ficar calado. Não dizer nada. O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, nos seus delírios de poder, já tinha ultrapassado a linha da sensatez. Mas, depois de algumas doses de uísque, eles abriram a boca e falaram o que não devia. E por obra de alguma mão interessada a autodelação foi parar no processo. O procurador geral foi obrigado a realizar manobras retóricas para se desdizer e desfazer tudo o que realizou desde maio deste ano. E ainda tentar manter como válidas as informações obtidas pelos profissionais de Anápolis.
 
O cenário que se colocou diante dos brasileiros é de uma clareza capaz de ser percebida até por olhos menos sensíveis. A política brasileira é intrínseca e absolutamente corrupta. O Partido dos Trabalhadores, no governo, inaugurou a fase de comprar votos no Congresso. Iniciou o processo de convivência financeira com parlamentares. As empreiteiras descobriram que era possível adquirir projetos de lei e até medidas provisórias. E também convocar e desconvocar pessoas para depor em comissão de inquérito no Congresso Nacional. O exercício da política desapareceu. Os partidos perderam sua identidade e sua vocação. Eles deixaram de ter qualquer preocupação ideológica. Foram transformados em balcão de negócios. Não é por acaso que o centro da política nacional seja hoje o Supremo Tribunal Federal. O exercício saudável do debate ideológico ocorre hoje no plenário da mais alta corte brasileira.
 
Essa é a fotografia. O prestígio dos políticos está no chão. A nova denúncia de Rodrigo Janot chove a mesma chuva – corrupção. Não há nenhuma novidade. Era medida esperada de um procurador que está em final de mandato. As luzes estão se apagando para ele. Vai descer do palco e retornar à planície. Os números da economia no governo Temer são extremamente positivos. Se houvesse mais confiança, os investidores poderiam descarregar investimentos. Mas quem é capaz de antecipar hoje o Brasil que sairá das eleições de 2018? O país está praticamente a um ano da eleição. E não existem nem candidatos efetivos. Existem planos, projetos e sonhos. Mas nada definido e seguro.
 
E, por último, o sistema financeiro, muito bem organizado, tem conseguido ficar à margem, apesar dos milhões de dólares que vão e vem do exterior sem controle, fiscalização ou algo semelhante. A nova República conseguiu a proeza de em 32 anos piorar o Brasil, apesar das boas intenções. A esquerda perdeu a chance de ter perfil europeu semelhante ao socialismo da reconstrução da Espanha e Portugal. Seu comando está preso ou processo. O sonho acabou. O desafio de agora é começar de novo, com outra geração e ideais do século 21.   

André Gustavo Stumpf é jornalista


ABC POLITIKO - LINHA DIRETA COM O PODER
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