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Paris na garrafa 19.10.2018
André Gustavo Stumpf
 
Ulysses Guimarães costumava dizer que com a partícula apassivadora, se, qualquer um coloca Paris dentro de uma garrafa. Bonita frase, cheia de significados. São fantasias, castelos construídos no ar ou simplesmente delírios derivados de narrativas alucinadas. Os petistas descobriram sua verdade. Lula não é Mandela, Haddad não consegue se livrar das sombras da corrupção praticada pelo partido e a maioria dos eleitores no Brasil não quer mais o mesmo grupo no poder. As pesquisas no primeiro turno informavam que Bolsonaro perdia para todos os outros candidatos na segunda rodada. 
 
O segundo turno chegou e a relação entre os candidatos está em torno de 60 para quarenta, com ampla vantagem para o capitão. De novo, as pesquisas criaram imagem equivocada do cenário político-eleitoral e tentaram induzir o eleitor ao erro. Paris saiu de garrafa quando Cid Gomes soltou o verbo e disse, diante de uma plateia de petistas, que ”vocês vão perder feio”. Lembrou que é preciso fazer autocrítica e assumir posição humilde. O Brasil não tem dono, afirmou o senador recém-eleito.
 
Fernando Haddad assumiu seu papel no teatro da política. Ele se apresentou como candidato do Partido dos Trabalhadores resultado da manobra do ex-presidente Lula para pressionar a opinião pública e constranger o Judiciário. Os juízes se mantiveram prudentes, com exceção daquele que autorizou o ex-presidente a conceder entrevistas. Foi o único abalo institucional dos últimos dias. O eleitor respondeu com uma votação espetacular dedicada ao outrora mínimo PSL. A legenda tinha apenas quatro deputados, agora possui 52 e vai abrigar mais uma dezena deles em consequência da aplicação da cláusula de barreira. Várias legendas vão se fundir. O número de partidos será menor.
 
Os estrategistas do PT já sabem que dificilmente haverá uma reversão de expectativas eleitorais. É hora de pensar o futuro. O eventual governo Bolsonaro será marcado pelo conflito resultante de imposição de ideias liberais na economia e muito fortes no campo social. O personagem cresce no confronto. Mas também abre a perspectiva de uma oposição impiedosa. A bancada do PT no Congresso terá tamanho significativo. As eleições se sucedem. Alguém ganha hoje e perde amanhã. O poder não é infinito. Tudo passa. Esta eleição também vai passar. 
 
O futuro de Lula é imprevisível. Em algum momento ele será solto e tentará retornar à vida pública. Mas dentro da sigla e no campo da esquerda surgirão alternativas. O cenário desvendado diante dos olhos dos petistas, mesmo na frente daqueles que se recusavam a enxergar, indica que é tempo de virar uma página. O país mudou, o mundo mudou, o comunismo acabou há bastante tempo e o Brasil não está mais nos anos sessenta. Afinal de contas, o século 21 já começou.
 
Michel Temer é consequência das mirabolantes negociações dos últimos anos. O ex-presidente Lula o colocou duas vezes na posição de vice-presidente da República. O acordo entre PT e PMDB foi costurado ponto a ponto. Mas Temer, no governo, foi bombardeado por todos os lados. Respondeu às denuncias formuladas pelo procurador-geral da República. Ultrapassou as duas, mas gastou todo o seu capital político. Não conseguiu aprovar a reforma da previdência.
 
Se não tivesse havido a denúncia do PGR a situação financeira do Brasil seria melhor. Também seria melhor se não tivesse ocorrido o trágico encontro do empresário com Temer no Palácio do Jaburu. Não precisava ter acontecido. Mas aconteceu. A eleição proporcionou bela faxina. Nomes ilustres deixaram a cena politica. Deputados e senadores que estão em Brasília nestes dias estão se divertindo. Não há líderes, há vencidos e vencedores. Uns querem vingança, outros esperam pelo novo tempo. Haverá sempre alguém disposto a criar miragens e fantasiar a ponto de tentar colocar Paris dentro de uma garrafa. 
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.


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