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A √ļltima v√≠tima 16.06.2017
André Gustavo Stumpf
 
O padre Gabriel Malagrida foi, em setembro de 1761, o último homem a ser executado pela Inquisição em Portugal. Morreu na fogueira. Ele, nascido na Lombardia, fez importante trabalho evangelizador na região que vai do Maranhão ao Pará. Tão importante que o papa João Paulo II, na Catedral de Nossa Senhora da Vitória, durante sua visita a São Luiz, em 1991, disse que ”o Maranhão foi o grande foco irradiador no Brasil na devoção ao Coração de Jesus, tão querida do povo, através do zelo do insigne missionário, fundador de obras e institutos religiosos, o padre Gabriel Malagrida”.
 
Pois é a história tem as suas ironias. Malagrida foi encarregado da grande honra de dar a extrema unção ao Rei D. João V, que morreu em 1750. Acompanhou a viúva, D. Mariana da Áustria, até seus últimos dias. Mas atribuiu o terremoto de Lisboa à devassidão dos humanos. E cometeu o pecado de brigar com o governador do Maranhão, Francisco Furtado, irmão do Marquês de Pombal. Foi preso, julgado e condenado por diversas penas de caráter religioso e uma bem específica: acusado de onanismo. Ou seja, aos 72 anos foi punido por supostamente se dedicar à masturbação. O Papa João Paulo II, na sua viagem ao Maranhão, o reabilitou dois séculos depois.
 
O Brasil passa por uma rigorosa revisão interna. Houve muita roubalheira e corrupção nos últimos anos. A Procuradoria Geral da República, nos últimos tempos, assumiu o papel de grande protetor das leis e do povo. E decidiu limpar o país. O sofrimento purifica. Rodrigo Janot se distingue pela coragem, pela iniciativa e também pela audácia. Ele passou a ser ponto importante da política brasileira.
 
O exercício da política deixou o Congresso e passou a ser esgrimido nos tribunais. O recente julgamento da chapa Dilma-Temer foi visto pela televisão por todo o país. As pessoas deram os palpites mais desvairados. E xingamentos de vários matizes e diferentes graus de agressão foram postados nas redes sociais. A imprensa seguiu o caminho mais fácil. Aceitou sem maiores discussões os vazamentos seletivos. A imagem de Joesley Batista dizendo que deu dinheiro para fulano ou beltrano foi admitida como verdade final e definitiva. Desapareceu o contraditório.
 
É um caminho difícil. Há divisões profundas dentro da PGR. As investigações sobre a atuação do procurador Ângelo Goulart Villela, que está preso, são contraditórias. Ele é acusado de traição por colegas. Mas reage e acusa os que o acusam. A divisão é forte. E a corrida para sucessão de Rodrigo Janot perturba as investigações. O atual Procurador tem pressa para concluir seus trabalhos porque vai deixar o cargo no próximo dia 17 de setembro. Dificilmente será sucedido por alguém da sua turma. Michel Temer não deve prestar-lhe este favor.
 
A consequência é fazer o impossível para que sua rede de acusados pegue um número cada vez maior de pessoas. Os irmãos Friboi fizeram a parte deles. Denunciaram 1.893 pessoas, a maioria políticos. Marcelo Odebrecht apontou o dedo para mais de cem. Palocci está falando sem parar. Seu vomitório já produziu 16 anexos. O sistema financeiro está preocupado. O Banco Central baixou medida para proteger o mercado e colocar as investigações sob sigilo. O risco é provocar uma corrida bancária.
 
Aí aparece outro problema. Um número ainda não medido de delações permanecem em sigilo. Serão conhecidas, cedo ou tarde. São as que pegam empresários da indústria, do sistema financeiro, advogados, integrantes do poder judiciário em níveis variados. Todo delatado tem o direito de delatar. E assim a roda da desgraça social continua a rodar. Há muita água para passar debaixo dessas pontes. É um processo que não se encerra com facilidade. Algumas tragédias estão a caminho. 
 
Os irmãos Wesley e Joesley Batista planejam vender empresas que somam R$ 8 bilhões no curto prazo. Dois ativos já estão em processo de venda: Vigor Alimentos, e as linhas de transmissão de energia. Além disso, analisam vender a Eldorado, empresa de celulose, a Alpargatas, dona das marcas Havaianas e Osklen, e a Flora, de produtos de limpeza. Pretendem manter com os negócios nos Estados Unidos que funcionam bem. Não respondem por nenhuma irregularidade. Cresceram com financiamentos do BNDES e deixaram o país. Belo golpe. 
 
Outros não podem sair do Brasil. Restará a eles medidas extremas. O presidente Michel Temer armou uma boa defesa. Venceu no Tribunal Superior Eleitoral e deve vencer, novamente, se Janot denunciá-lo por intermédio da Câmara. Segurou a debandada do PSDB. Os deputados podem até não gostar de Temer, mas não têm nenhuma simpatia pelo Procurador Geral. Vai correr algum tempo até que alguém seja acusado da prática de onanismo ou bobagem parecida. E se torne a última vítima deste processo ensandecido.
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.


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