Brasília, 18 de Outubro de 2017
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A falência do poder civil 09.09.2017
Ruy Fabiano
 
A casa caiu. No curso de apenas uma semana - do dia 4 ao dia 8 -, numa sequência vertiginosa, foram expostas as quadrilhas do PT, do PMDB e as entranhas do Estado brasileiro. A política brasileira está no banco dos réus. Nenhum dos três Poderes está isento.
 
A semana começou com os áudios de Joesley Batista, seguiu com os depoimentos de Marcelo Odebrecht e Antonio Palocci a Sérgio Moro, passou pela denúncia de Rodrigo Janot, de que Lula era o chefe de uma organização criminosa (com Dilma, Gleise Hoffmann, Paulo Bernardo, Edinho Silva e outros), e de que a cúpula do PMDB no Senado (Eunício Oliveira, Renan Calheiros, Romero Jucá, Edson Lobão, Jader Barbalho, Valdir Raupp, além de José Sarney e Sérgio Machado) formava outra quadrilha. É pouco? Pois tem mais.
 
Lula e Dilma foram denunciados também por obstrução de Justiça (o áudio em que a então presidente diz que mandará a Lula o termo de posse para que ele utilize “se necessário”). E o ex-ministro de Dilma, Aloizio Mercadante, é acusado do mesmo delito, por tentar comprar, sem êxito, o silêncio de Delcídio do Amaral.
 
Na sexta, a delação pela PGR do doleiro Funaro, fechou a semana. Ele entregou Temer, seus principais ministros e o PMDB, ao mesmo tempo em que Janot anunciava que pedirá a prisão de Joesley, Ricardo Saud e do ex-procurador Marcello Miller, este acusado de tê-los favorecido quando ainda no cargo.  
 
Serviço completo. Não sobrou ninguém. Nas narrativas, há gente graduada do Executivo, Legislativo e Judiciário, sem esquecer a própria Procuradoria Geral da República, cujo titular, Janot, terá ainda muito a explicar sobre o acordo de delação e impunidade que selou com a JBS. Janot não está em situação confortável.
 
A julgar pelos inimigos que colecionou – primeiro, PMDB e PSDB, e agora o PT -, tem todos os motivos para não se aposentar. As flechas que disse ter disparado eram na verdade bumerangues.
 
Informa-se reservadamente que o áudio de Joesley não é apenas o que veio a público. Segundo fonte da PF, há um outro, entregue diretamente ao ministro Edson Fachin, que comprometeria Janot e o STF. Fachin ainda não sabe o que fará e não se manifestou a respeito. Mas o ministro Marco Aurélio Mello defende a divulgação ampla, geral e irrestrita de tudo. Sustenta que só com transparência absoluta será possível recompor a imagem do STF.
 
Diante de tal devastação institucional, pergunta-se o que acontecerá? Bem, a política brasileira não é exatamente um campo propício aos profetas. Os prognósticos, às vezes, têm prazo de validade de meio expediente. É possível, porém, antever algumas consequências imediatas. A primeira: a hipótese de Lula se candidatar à Presidência da República, se era remota, simplesmente acabou. O depoimento de Palocci, devastador, tirou-o da vida pública.
 
Pode até não ser preso de imediato, mas não se livrará de outras condenações e de uma exposição, cada vez mais detalhada, do que fez, dentro e fora do poder. Com ele, morre o PT, mas não seu projeto de poder, hoje redistribuído entre Psol, Rede, PDT, PCdoB e PSB. Lula, porém, já não será seu símbolo unificador. Busca-se um sucessor – e Joaquim Barbosa é o mais cotado.
 
Quanto ao governo Temer, ou o que dele restou, perdeu as condições de dar sequência às reformas. O seu núcleo duro, que já tem um dos seus primeiros integrantes, Geddel Vieira Lima, na Papuda, está todo na delação do doleiro Funaro. 
 
Por mais que seja apenas uma delação, não é a de qualquer um, mas de alguém que operava as falcatruas e dispõe de farta documentação. E ainda: se encaixa perfeitamente em tudo o que as investigações anteriores já apuraram. 
 
Colaboração, apoio, ajuda, acarajés, pixulecos, propinas – a terminologia varia, mas indica uma mesma prática, um padrão de governo não interrompido com a posse de Temer. 
 
Ambos, na verdade, integravam um mesmo esquema, em que o PMDB, com o impeachment, apenas assumiu o primeiro escalão. O “Fora Temer!” tornou-se o grito de guerra do PT, na disputa entre as quadrilhas, cujo resultado é o strip-tease de ambas.
 
O depoimento central, sem dúvida, é o de Antonio Palocci a Sérgio Moro, pelo simples fato de ser alguém que integrava a cúpula do sistema e ter tido tal intimidade com Lula que este chegou a lhe pedir que interviesse junto a dona Marisa, para lhe mostrar a inconveniência da aquisição do primeiro imóvel para o Instituto Lula.
 
A próxima semana se prenuncia explosiva. O que veio à tona nesta que se encerra demonstra a falência moral do poder civil, inaugurado com o advento da Nova República, em 1985.
 
Como restaurá-lo - e se é possível fazê-lo pelas mãos dos próprios políticos - é a pergunta que se faz em Brasília, sem qualquer certeza quanto às respostas. Enquanto isso, Bolsonaro começa a bombar nas pesquisas. O país continua a caminhar no escuro.
 
Ruy Fabiano é jornalista e escritor
 


ABC POLITIKO - LINHA DIRETA COM O PODER
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