Brasília, 21 de Novembro de 2017
Página inicial
Quem somos
Contato
Cadastre-se
Anuncie aqui
Notíias | Entrevistas | Notas | Artigos | Enquete | TV CâĘmara | TV Senado | Agendas

Anuncie Aqui

Tragédia carioca 06.11.2017
André Gustavo Stumpf
 
A cena ocorreu na véspera do feriado de 12 de outubro. Meu filho estava no ponto de ônibus na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ilha do Fundão, vizinha à favela da Maré, quando dois carros pararam à sua frente. Ele fez menção de correr, mas um deles cortou sua possível fuga. O outro carro prateado parou do seu lado. O marginal abriu a janela, apontou a pistola pediu carteira, celular e tudo mais. Levaram tudo, menos o bilhete único – que foi negociado com o assaltante – e lhe permitiu voltar para casa, embora não tivesse um centavo no bolso.
 
Todos que estavam no ponto de ônibus no outro lado da rua foram assaltados. E o grupo que recuou para dentro do prédio da universidade também foi aliviado. Não há novidade neste relato. Não houve nem notícia em jornal, embora mais de uma dúzia de pessoas tenham sido assaltadas dentro das instalações de uma universidade federal. É assim mesmo. A leniência entre polícia e meliantes é antiga no Rio. Tempos atrás, um amigo teve sua moto roubada. Fez o boletim de ocorrência. E tudo que conseguiu na delegacia foi o endereço do principal ladrão de motos na cidade. Ele foi até o marginal e recomprou a própria motocicleta.
 
Há muitos casos semelhantes a estes. Difícil encontrar no Rio uma família que não tenha sido assaltada de alguma forma. A relação entre polícia carioca e os banqueiros do jogo de bicho é antiga e tradicional. O jogo existe desde que o Barão de Drummond decidiu criar uma loteria para incentivar as pessoas a visitar o zoológico de Vila Isabel. Hoje a prática está espalhada por todo o território nacional. Tempos atrás, trabalhei em jornal que decidiu publicar, todos os dias, o resultado do jogo do bicho. A coluna se chamava “Escreveram no Poste”. A intenção era somente divulgar o resultado dessa loteria.
 
Certo dia apareceu na redação um delegado. Mostrou suas credenciais e pediu para ser informado, oficialmente, sobre o conteúdo da coluna, que na realidade era somente uma sequência de números. O editor informou que era jogo do bicho. Não é contra a lei divulgar contravenções ou até mesmo crimes. Mas o bicheiro ficou furioso porque, segundo, ele a polícia dobrou o valor da propina porque a divulgação no jornal fez com que o jogo tenha sido oficializado. Nunca mais a coluna “Escreveram no Poste” foi publicada. 
 
Depois dos bicheiros surgiram os traficantes de drogas. Eles se instalam nas favelas para vender os mais diversos tipos de entorpecentes. A Rocinha está na moda por causa de sua posição estratégica. Atende os bairros ricos de Ipanema e Leblon e tem o ótimo mercado da zona oeste, que é a Barra da Tijuca. Ao lado disso, surgiram as milícias. Seus operadores vendem gás, fazem instalações clandestinas das operadoras de TV a cabo, entre outras iniciativas. A polícia sabe de tudo isso, mas não impede que os negócios prosperem. Existem filmes relatando em detalhes a relação promíscua entre políticos, policiais e bandidos no Rio de Janeiro. Os tiroteios são cada vez mais frequentes e perigosos. Tem gente que morre dentro de casa por ação das balas perdidas. Assim como a turista espanhola que levou o tiro fatal na Rocinha. Mata-se por qualquer motivo no Rio.
 
O Ministro da Justiça, Torquato Jardim, verbalizou o que todos os cariocas sabem há muito tempo. A reação veio da cúpula da Policia Militar do Rio de Janeiro, do Presidente da Assembleia Legislativa, do Ministro dos Esportes – que é filho do Presidente da ALERJ – e do Presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, que, embora nascido em Santiago do Chile, é carioca de criação. Todos eles estão no seu direito de repudiar, com veemência, o que o Ministro afirmou sem maiores floreios. Foi direto ao ponto. Jornais cariocas reagiram. Jornalistas defenderam a cidade. Mas as redes sociais revelaram o que todos que moram no Rio de Janeiro conhecem. A insegurança é geral. Chamar a polícia complica o que já é muito complicado.
 
Este é um aspecto cruel do Brasil neste momento. A composição entre meliantes e policiais não é privilégio dos cariocas. O mesmo cenário se repete por todo o país. Já se viu que os presídios são controlados por facções violentas que não hesitam em matar adversários. Os traficantes de drogas estão vencendo a guerra. Eles se estabeleceram nos principais centros de consumo, agora migram para as grandes cidades do interior. O próximo passo será eleger representantes no Congresso Nacional.  Nos países vizinhos, os carteis das drogas já chegaram ao poder. Basta abrir os olhos e enxergar.
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.


ABC POLITIKO - LINHA DIRETA COM O PODER
COMENTE ESTE ARTIGO   LEIA COMENT√?RIOS (0)  

Voltar a P√°gina Principal Voltar a P√°gina Principal Voltar a P√°gina Principal Voltar a P√°gina Principal
VEJA MAIS

18.11.2017 Deu "um branco"...
18.11.2017 Processo lento
15.11.2017 Torquemada aqui e agora
12.11.2017 Cartagena é uma festa
11.11.2017 O declínio da esquerda

VEJA TODOS

SRTVN Quadra 701 Bloco B Sala 826 - Centro Empresarial Norte | Brasília - DF | CEP 70710-200 | Fone: (61) 3328-2991 | Fax: (61) 3328-2152