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Desviar o foco 04.12.2017
André Gustavo Stumpf
 
 
Determinado dia, em agosto de 1974, o então conselheiro e futuro chanceler, Luis Felipe Lampreia, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, colocou um enorme aparelho de televisão na sua sala e convidou os jornalistas para assistir a um jogo da seleção brasileira. Oferta diferente, mas Lampreia gostava de futebol (era torcedor do Botafogo) e o convite não pareceu fora do padrão. No entanto, foi uma jogada combinada com o Ministro Azeredo da Silveira que passou aquele dia reunido com a missão chinesa que tratava do reatamento de relações com o Brasil. Os jornalistas tiveram sua atenção desviada para não perceber que chineses subiam e desciam no prédio do Itamaraty.
 
Logo depois, o presidente Ernesto Geisel anunciaria para espanto da esquerda, perplexidade da direita e da surpresa da diplomacia norte-americana o reatamento das relações diplomáticas entre Brasil e China. Desde então até hoje, as relações entre os dois só cresceram. É o maior parceiro comercial do Brasil. Chineses estão em diversos negócios no Brasil. E o Brasil é um dos grandes fornecedores de minério, petróleo e carnes para o gigante asiático.
 
Desviar a atenção de jornalistas do assunto principal às vezes é boa tática. Neste item o governo está trabalhando bem. A previdência social é mantida com rendas originárias de diferentes impostos. Está tudo previsto na Constituição. O bolo destas receitas é superavitário. Mas o excedente é transferido para o caixa do tesouro nacional através do mecanismo chamado de desvinculação das receitas da União (DRU). A ideia de que a previdência está falida contaminou a sociedade. Um bom trabalho de comunicação e publicidade emparedou eventuais resistências. O foco, portanto, é todo dirigido à reforma da previdência para evitar a tragédia anunciada.
 
Ao lado disso caminham as articulações para montagem da chapa governista para a sucessão do presidente Temer. Há dentro do governo um grupo que poderá ser chamado de queremista. Querer mais do mesmo. Ou seja, reeleição de Temer. A baixa popularidade do atual presidente desautoriza, neste momento, especulação neste sentido. Mas em outubro do próximo ano, os números da economia deverão ser melhores. Talvez exista uma brecha. É essa mesma brecha que inspira e entusiasma o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ele também sonha com a cadeira presidencial.
 
A iminente pacificação interna do PSDB é notícia que só apareceu quando o processo foi praticamente concluído. Falta convencer o prefeito de Manaus, Artur Virgílio, que insiste em disputar nas prévias do partido a chance de ser o candidato à presidência. Os negociadores do PSDB já estão a caminho do Amazonas. Não será surpresa se nos próximos dias o ex-senador do PSDB desistir da disputa interna.
A tentativa de criar uma via de centro está tomando corpo. Geraldo Alckmin e Michel Temer são dois políticos de larga experiência. Eles deverão se encontrar no final de semana no interior de São Paulo – os dois são paulistas – para iniciar conversas mais profundas sobre a eleição de 2018. O PMDB vai fazer alianças heterodoxas por todo o país. Até com o PT. O PSDB também. É a última eleição em que coligações nas eleições proporcionais serão permitidas. Todos precisarão aumentar suas respectivas bancadas por causa da cláusula de barreira, outra novidade da legislação eleitoral. Na realidade, a eleição de 2018 preocupa mais do que a reforma previdenciária.
 
A modificação na legislação da previdência é assunto dos economistas. Eles têm suas razões, mas não necessitam de votos para sobreviver. Já promoveram barbaridades no Brasil em nome de um futuro melhor. É sempre bom lembrar que o plano Collor, idealizado por uma economista, foi aprovado pelo Congresso e pelo Supremo Tribunal Federal. Deu tudo errado, tão errado que o presidente perdeu seu cargo. É bom ouvir os economistas, mas não é razoável aceitar seus conselhos na integralidade, mesmo porque eles não têm nada a perder. Zélia Cardoso de Mello vive até hoje em Nova Iorque ao lado de dois os filhos de seu relacionamento com Chico Anísio. Numa boa. 
 
A reunião de Temer com Alckmin no interior de São Paulo será o momento zero da campanha eleitoral de 2018. Os dois vão demarcar seus territórios e anunciar possíveis alianças. O PMDB, até agora, não tem candidato visível à presidência da República. O PSDB possui alternativas. De um lado há a ameaça de Bolsonaro e de outro a possibilidade de Lula ou Ciro Gomes. Em torno desta regra de três vai se decidir o futuro presidente do país. A preocupação maior é esta. 
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.


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