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A passarela 12.01.2018
André Gustavo Stumpf
 
Os tempos estão difíceis. Até neve apareceu em pleno deserto de Saara. O presidente Trump governa os Estados Unidos como criança malcriada, cheia de desejos, vontades e ansiedades. Tudo muito estranho. A guerra verbal contra a Coreia do Norte terminou por fazer surgir um diálogo onde não havia nem sombra de entendimento. E o presidente, em Washington, ficou falando sozinho.
 
Aqui, ao contrário, o governo do presidente Temer, constituído por políticos formados com excelência na arte de negociar e levar vantagem entrou em recesso. O Palácio do Planalto cometeu seguidos erros dramáticos, sem qualquer motivo ou razão aparente. A deputada Cristiane Brasil, filha do ex-deputado Roberto Jefferson, foi designada para assumir o Ministério do Trabalho. Ela, no entanto, não assinou carteira de seu motorista, que recorreu à Justiça e ganhou. Vai receber um bom dinheiro como indenização.
 
A escolhida para o Ministério do Trabalho praticou ilícitos segundo o sistema normativo que regula as relações entre capital e trabalho. Do ponto de vista jurídico, é discutível se ela pode ou não assumir o cargo de Ministro. Do ponto de vista da moral e da ética, seria melhor para a jovem carioca se recolher a seus afazeres. Além dos problemas encontrados em seu currículo, ela deveria explicar porque passou o réveillon nas instalações da Força Aérea Brasileira, em Fernando de Noronha. 
 
O grande cacife de Cristiane Brasil é seu pai, presidente do PTB, político importante, sagaz, esperto, bom negociador e o único no país que detém a honra de ter desafiado e derrubado José Dirceu da sua torre de marfim, na Casa Civil do então presidente Lula. Este fato mudou o curso político do país. José Dirceu seria o sucessor natural. Não teria ocorrido o governo Dilma Rousseff. Ele estaria no poder hoje, em posição semelhante ao do finado Chaves, na Venezuela. Comandante da Revolução. O destino socialista brasileiro bateu na trave. E isto se deve em boa parte a Roberto Jefferson.
 
É difícil entrar em conflito com ele, mesmo porque o governo precisa, desesperadamente, dos votos petebistas para tentar aprovar sua já lendária reforma da Previdência. Jefferson chorou quando a filha foi nomeada. Emoção foi pesada porque resgatou seu passado político. Além do mais, ele, depois de cassado, passou bom tempo na prisão - xilindró mesmo. Malandro, se adaptou ao sistema, conversou com colegas de cadeia, observou o trabalho dos religiosos e saiu sem deixar sequelas. Jefferson é um ex-obeso. Isso tudo soma na vida de um homem.
 
Ninguém vai encarar esta briga. Nem o presidente Temer. Mas a menina fez das suas. O juiz de primeira instância não topou e a proibiu de assumir o Ministério. A segunda instância também. Restou ao presidente e ao pai querido, recorrer aos tribunais superiores.  Essa novela revela que a Presidência da República já não é mais tão atenta aos atos que produz. Temer avança e recua com facilidade. Ninguém examina as consequências. São muitos os exemplos de idas e vindas. A confiança na palavra presidencial é seriamente abalada. 
 
Faltam onze meses para que o atual governo chegue ao fim. Seus porta-vozes ainda listam uma série de objetivos, além da reforma da Previdência. Mas não há mais tempo. Os candidatos começam frequentar festas, batizados, inaugurações e comícios. O PSDB terá que enfrentar uma prévia entre Geraldo Alckmin e Artur Virgílio Neto, prefeito de Manaus. Rodrigo Maia, subitamente, percebeu que poderia entrar na corrida com chances de vitória. Ele quer vestir o uniforme do fato novo, da renovação, das ideias despidas de conteúdo ideológico.
 
Os deputados, que correm pela Esplanada dos Ministérios com o pires na mão, sabem que o tempo de recolher vantagens do governo está perto do final. Agora, os olhos estão voltados para a escolha de candidatos nas legendas em todos os níveis. Depois virão os acordos regionais entre candidatos aos governos de estado e os postulantes à Presidência da República. Será necessário conversar muito. Acertar detalhes e dinheiros. Campanha tem custo elevado. Os Procuradores da República estão de olho.
 
A inflação baixíssima, novidade no Brasil, desafiou os economistas. Nenhum deles previu tamanha queda. É com base nestes números que Henrique Meirelles quer colocar seu bloco na rua. O ex-presidente Lula espera a sentença do tribunal de Porto Alegre. Feitas e refeitas as alianças, o governo Temer tende a sair de campo. Se tiver candidato poderá resistir um pouco mais. As novidades tendem a invadir a passarela depois do carnaval.
 
André Gustavo Stumpf, jornalista
 


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