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A campanha começou 06.03.2018
André Gustavo Stumpf
 
A criação do Ministério da Segurança Pública é a consequência lógica da ação do governo Michel Temer, que tem demonstrado incrível capacidade de se reorganizar, refazer forças e se reinventar após sérias crises. No final do ano passado, quando o então Procurador Geral da República Rodrigo Janot tentou o golpe para ser reconduzido ao posto, por intermédio da delação dos irmãos Friboi, o presidente Temer parecia liquidado.  Os fatos alegados eram arrasadores. E os acusadores, de dedo em riste, não economizavam denúncias. Erraram feio.
 
O governo Itamar Franco entrou para a história por ter encontrado pessoas certas, no momento certo, para inventar o Plano Real, que estabilizou a economia brasileira. Acabou com a inflação. Pouca gente lembra que ele tentou vários ministros da Fazenda antes. Nenhum deles encontrou o caminho da redenção. Também não entrou para a história a sua célebre foto ao lado de uma artista, no carnaval carioca, sem roupas íntimas. Ou, como se dizia antigamente, com a genitália à mostra. O pessoal esqueceu. 
 
A inflação acabou no Brasil. O responsável pelo sensacional resultado, Fernando Henrique Cardoso, foi eleito e reeleito Presidente da República. Curioso é que FHC, na época, Ministro de Relações Exteriores, não queria se transferir para o Ministério da Fazenda. Resistiu até ser sutilmente ameaçado de perder sua posição na diplomacia nacional. Na época, ele tinha dificuldades para se eleger Deputado Federal, por São Paulo. A história tem suas nuances. A sorte precisa aparecer e também uma pitada de destino. 
 
Dona Dilma, não entendeu que o destino tinha feito uma falseta. Entregou-lhe mais poder do que ela tinha capacidade de gerir e até mesmo de compreender. Não percebeu que o país era muito maior que suas abstrações. Pensou pequeno, agiu de maneira simplória e terminou sozinha dando entrevistas para jornais e televisões estrangeiras como um animal exótico. Veste o figurino de vítima de golpe latino-americano, mas a ex-presidente continua a receber recursos do Estado, desfruta de liberdade plena e viajar para todo o mundo com secretários, seguranças e passagens pagos pelo povo brasileiro.
 
Retorno ao governo Temer. A posse foi um ato de teatro mambembe.  O Ministério se conheceu naquela tarde. O Governo foi se organizando ao sabor das ondas e das necessidades imediatas. O projeto básico é liberal, mas não há detalhamento, nem planejamento. As metas são difusas. E a oposição complica, embora se utilize de retórica usual dos anos 60, do século passado. Os bolivarianos estão em extinção, mas ainda fazem barulho.
 
E há interesses conflitantes dentro do governo. E MDB não é constituído de vestais insensíveis ao dinheiro, às vantagens e às benesses que o poder proporciona. O partido e sua cúpula estão juntos no festival de desvios de toda sorte. Não há inocentes nesta história. O presidente Temer tem a vantagem de ter exercido por três vezes a presidência da Câmara dos Deputados. Ele entende do riscado, venceu as disputas no plenário todas as vezes que foi exigido. Aprovou a Reforma Trabalhista, impôs o teto de gastos, só não conseguiu chegar à reforma da previdência. Mas mexeu com o imaginário popular porque colocou o tema na agenda dos brasileiros. Alguma reforma virá nos próximos meses.
 
A esquerda, no Brasil, perdeu o discurso reformista porque a sua pretendida obra de reformulação da sociedade se perdeu nos bilionários desvios de recursos. Os dinheiros para educação, transporte e segurança foram parar em paraísos fiscais de onde partiram para contas bancárias particulares. Roubalheira total e absoluta. A direita tinha o discurso exclusivo do combate ao crime organizado. A criação do Ministério da Segurança Pública faz com que o Governo assuma esta meta. Ou seja, quem quiser se candidatar à Presidência da República, pela direita ou pela esquerda, terá que se entender com o atual ocupante do espaçoso gabinete no Palácio do Planalto.
 
Faz sentido. As mudanças no comando da Polícia Federal tiveram pouco ou nenhuma repercussão no Congresso. Neste mês ficará aberta a janela para transferência de partido. Os parlamentares poderão mudar de legenda sem qualquer receio de punição. Está na lei. Depois, em abril, as chapas deverão ser montadas nos Estados. Em maio começa o prazo da novidade: os candidatos podem se anunciar ao eleitor e pedir contribuição pessoal. A campanha não ficará restrita aos 45 dias previstos na lei. Na realidade, já começou. Temer sabe disto e, com senso de oportunidade, se colocou no centro da disputa.
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.


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