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A esquerda e o Código Penal 10.03.2018
Ruy Fabiano
 
Ao admitir não dispor de um plano B para a perda de Lula, a esquerda brasileira confessa sua maior derrota, desde que aqui se instalou, em 1922, com a fundação do Partido Comunista do Brasil.
 
E é a maior justamente por não ser uma derrota política, mas de cunho moral. Lula, o único líder de massas que a esquerda forjou nos seus 96 anos de presença no país, cai por razões não ideológicas.
 
São crimes comuns que o tiram de cena – corrupção passiva, lavagem de dinheiro, roubo, além de outros delitos ainda sob julgamento. Não é, como ele próprio proclama nas redes sociais, um quase preso político, mas um político a ser preso (a ordem dos fatores, nesse caso, altera – e muito - o produto).
 
A primeira condenação, confirmada pelos três desembargadores do TRF-4 - e de algum modo chancelada pelos cinco ministros do STJ que lhe negaram habeas corpus preventivo -, precede outros seis processos, de idêntica ou maior gravidade. 
 
O segundo, referente ao sítio de Atibaia, terá sua sentença lavrada ainda neste semestre. As provas até aqui conhecidas, e os testemunhos que as confirmam, são ainda mais abundantes, o que indica nova – e mais severa – condenação.
 
O aspecto moral foi sempre enfatizado, como arma política, pela esquerda, sobretudo na sua encarnação PT. E foi por meio dela que o partido cresceu, ganhou respaldo popular e chegou à Presidência, quando então converteu-se no que condenava. 
 
Criou CPIs, acusou sem provas, liquidou carreiras políticas, infernizou todos os governos que o precederam, em parceria com procuradores militantes (a propósito, por onde anda o procurador Luiz Francisco de Souza, o Torquemada?) e parte da mídia.
 
Não é casual que tenha pedido o impeachment de todos os presidentes da República desde a redemocratização, em 1985. Ao final, com a queda de Dilma, acabou provando do próprio veneno, que antes chamava de democrático e agora classifica de golpe. 
 
O moralismo como arma política precedeu, na ação da esquerda, a criação do PT. Com ele, reverteu a derrota de 64, fazendo crer que os excessos do regime militar nenhuma relação tinham com os dela própria, numa narrativa em que as consequências não tinham causa.
 
O vitimismo, a que agora, via PT, novamente recorre, já não desperta o senso moral da plateia; a eloquência dos fatos sobrepõe-se a narrativas dramáticas e às lágrimas de crocodilo de Lula.
 
Sabe-se, desta vez, que o embate não é de ideias. Crime não é de direita ou de esquerda – e é disso que se trata. Ao fim de 14 anos no poder, o PT legou à cena política brasileira uma bandeira inusitada: exatamente a do combate ao crime. 
 
É ela que comandará (já comanda) a sucessão presidencial. Os militares reocupam o cenário não para tratar de ideologias, mas para combater assaltantes, narcotraficantes, homicidas. E corruptos.
 
O Judiciário jamais lidou com tantos delinquentes engravatados. O PT aliou-se aos segmentos que mais condenava: empresários, banqueiros, oligarcas (a maior parte no PMDB e no PP). Todos os partidos estão representados, é verdade, mas na qualidade de cúmplices, não de mentores. O comando era petista.
 
Os números da rapina não têm precedência na história humana. Se a corrupção sempre existiu (e não há dúvida), jamais chegou a tal escala, a ponto de quebrar o Estado brasileiro. 
 
Diante de tal cenário, o esperneio de Lula, acusando todo o Judiciário, a mídia e quem mais identifique seus crimes, adquire contornos caricaturais. O sonho de socializar o país, desta vez – e este é o dado novo -, tomba sobre o Código Penal. 
 
Ruy Fabiano é jornalista e escritor
 


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