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Os homens de verde 09.06.2018

Os homens de verde

André Gustavo Stumpf.

Um dos principais problemas encontrados pelos militares aliados durante os primeiros dias da invasão da Normandia, em 1944, era o recompletamento. Ou seja, preencher as vagas deixadas por soldados mortos e feridos. O combate precisava continuar apesar da absurda perda de vidas. A guerra é a continuação da política por outros meios, alguém já disse. Aqui, na esquina do mundo, o ínclito presidente Michel Temer se enrolou nas mesóclises. Seu tempo terminou. Está na sobrevida. Mas, não houve recompletamento.

Os oficiais do Exército dos Estados Unidos tinham preocupação com os novos soldados que chegavam ao campo de batalha. Estes, do ponto de vista da estatística, eram os primeiros a morrer. Por essa razão recebiam tratamento diferenciado. Os ingleses, com menos recursos, simplesmente atiravam os novos às feras nos duros combates em torno de Caen, na Península de Contentin. Um major inglês saudou a nova equipe que acabara de chegar ao acampamento de Bayeux de maneira objetiva: “cavalheiros, sua expectativa de vida, a partir do dia que se integrarem aos batalhões, será de exatas três semanas”.

O governo Temer se esgotou. Sobrevive por imposição constitucional. Não pode ser encerrado antes do término do mandato, no dia 31 de dezembro. Na realidade, sua expectativa de vida se exauriu. No conteúdo e na forma. Os aliados se foram. Estão à procura de parceiros na aventura da eleição presidencial. Até agora não apareceu o procurado candidato de centro, enquanto a chamada esquerda começa a se alinhar em torno de Ciro Gomes, no PDT, e no que restou do Partido dos Trabalhadores. No outro lado, Jair Bolsonaro navega em águas calmas, diz o que quer e bem entende e ninguém o contesta. Mesmo porque ele não formula projetos para o desenvolvimento nacional. É fanático por armas e munições.

Os desastres se acumulam e a economia que era a grande obra do governo atual começa a fazer produzir mais fumaça que bons resultados. O dólar chegou perto dos R$ 4,00 e a Bolsa mergulhou nas profundas angústias nacionais. Os pedidos de visto de permanência de brasileiros em terras portuguesas também atingiram níveis impressionantes. Trata-se quase de fuga em massa daqueles que possuem algum dinheiro para enfrentar os primeiros momentos na terra dos nossos colonizadores. O governo Temer inspira medo no brasileiro pela sua tibieza. É inseguro. Nas negociações com os caminhoneiros prometeu o que não poderia cumprir.

As consequências apareceram rapidamente. Depois de 20 anos fora do centro de decisões o Ministério da Defesa voltou ao ninho militar. O general Joaquim Silva e Luna ocupa a pasta interinamente. Mas não há sinais de que vá ser substituído por um civil. Ele, aliás, trabalha em sintonia com o general Sérgio Etchegoyen, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, que assumiu, de fato, as funções de porta-voz do Governo. O general, que é um intelectual, já disse que vive no século 21 e está divertidíssimo.

A Intervenção Federal no Rio de Janeiro é outro sinal interessante. O governo afunda e chama os militares para manter a nave flutuando. O Comandante Militar do Leste, general Braga Netto, é o executor da ampla operação policial. O general Richard Nunes assumiu o cargo de Secretário de Segurança Pública do Estado. A presença dos militares na política vai gerar uma conta a ser paga adiante. Eles sabem operar em equipe e deverão localizar as raízes da corrupção que devastou terras cariocas.

A proximidade da eleição provoca a ansiedade do mercado e da população. O país está mudando a fórceps – parto difícil. Neste momento, o vazio político está sendo preenchido pelos homens de verde. É o testemunho vivo de que o governo Temer agoniza. Sem os militares, ele já teria escorrido pelos ralos da história. 

André Gustavo Stumpf, jornalista.

 



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