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Bacalhau com arroz 05.07.2018

André Gustavo Stumpf

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, dormiu uma noite em Brasília, nesta semana, quando se encontrou com o presidente Michel Temer e com o Ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. De tempos em tempos alguém na alta hierarquia de Washington desembarca por aqui. A diferença é que nos últimos tempos, na América do Sul a preferência é pela Argentina porque Donald Trump foi amigo e fez negócios com o pai do presidente Macri.


Mike Pence teve dois encontros formais. Um com Temer e o outro foi o tradicional almoço de boas vindas no Itamaraty, quando fez pesadas críticas ao regime de Nicolas Maduro, na Venezuela. Ele pretende que o Brasil tenha posição mais firme contra o vizinho bolivariano. Falou de refugiados e elogiou a criação de campos de refugiados em diversos pontos do país. Foi visitar o que está montado em Manaus. Destinou US$ 10 milhões para ajudar na recepção dos emigrados. O governo dos Estados Unidos não quer que esse pessoal engrosse a fila de entrada na fronteira com o México. Então investe aqui para evitar problemas lá.

O comunicado conjunto foi lacônico quanto aos temas discutidos no encontro. Contudo, ressaltou que os dois governos “consideram que benefícios serão obtidos por ambos os lados a partir do avanço nas atividades da cooperação nos usos pacíficos do espaço exterior, tais como missões espaciais tripuladas, ciências espaciais e iniciativas comerciais e civis na área espacial”. Não há uma palavra sobre a situação dos refugiados.

O comunicado conjunto é todo ele voltado para a possibilidade de exploração conjunta do espaço por brasileiros e norte-americanos. Isso significa que estão avançadas as tratativas para a utilização da Base de Alcântara, no Maranhão. Por razões técnicas e geográficas o lançamento de foguetes a partir da costa norte do Brasil tem custo menor que o das bases tradicionais. Há algum tempo, o destino daquele campo vem sendo discutido. O pessoal da Força Aérea Brasileira, junto com técnicos agencia espacial, tentou desenvolver sua tecnologia. Mas o principal objetivo, um foguete de três estágios, explodiu no lançamento, matou gente e destruiu parte da própria base.

Os franceses consideraram a ideia de se instalar no Maranhão. Seria a oportunidade de lançar seus foguetes naquela base e abandonar Kourou, na Guiana Francesa. É problema sério para a França. Trata-se da última colônia na América do Sul, embora a região seja um território ultramarino francês. Mas nada avançou neste sentido. E depois vieram os técnicos da Ucrânia. Empresa binacional chegou a ser estruturada, mas não caminhou. Houve forte pressão da Rússia contra o empreendimento. Moscou não achava nenhuma graça no funcionamento de uma base aeroespacial da Ucrânia no Atlântico Sul.

Restou a opção norte-americana. Tempos atrás eles fizeram uma proposta draconiana. Queriam ficar com a base, mas o local seria considerado território dos Estados Unidos. Ninguém, sem prévia autorização, poderia transitar pelo local. O assunto foi esquecido. Mas, agora, a julgar pelo surpreendente conteúdo do comunicado conjunto, brasileiros e norte-americanos voltaram a discutir sobre a utilização da Base de Alcântara.

É assunto muito complicado e técnico. E cheio de conexões comerciais. A tecnologia envolvida é sensível e não costuma ser transferida a outros países. Empresas privadas operam neste círculo restrito e defendem suas patentes. A Base de Alcântara está vazia e sem nenhuma serventia para o Maranhão, para o Brasil, nem para a tecnologia nacional. Parece que Mike Pence veio ao Brasil apenas para assinar este surpreendente comunicado conjunto e falar mal de Nicolas Maduro. De noite, sem ter mais o que fazer, levou a mulher para comer bacalhau com arroz de brócolis num bom restaurante de Brasília. 

André Gustavo Stumpf, jornalista.



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