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Semana tr√°gica: democracia esfaqueada, cultura calcinada 10.09.2018

Marco Antônio Pontes

 

Portal do inferno

O atentado que quase matou o candidato a presidente da República Jair Bolsonaro foi o mais sinistro, ruinoso, catastrófico evento da história do Brasil desde o suicídio de Getúlio Vargas.
Desastre político pra ninguém botar defeito, afora o trauma e dor infligida à fa-mília pelo ‘tresloucado gesto’ (o lugar-comum é necessário e exato) do autor que teria agido “a mando de Deus”, conforme disse.
Ameaça abrir as portas do inferno ao já fervilhante ambiente político, que incandesce a inimagináveis graus de loucura.

Maniqueísmo dissonante

É tudo de que o Brasil não precisa no curso de campanha eleitoral marcada por imprecisões, indefinições e reedições exacerbadas do radicalismo de 2014, o dissonante maniqueísmo que opõe ‘nós contra eles’ (nós quem, ‘cara-pálida’?) e dá chance nenhuma ao diálogo, quanto mais a consensos.
Felizmente o candidato sobreviveu, torço por que se recupere e retome a campanha, mesmo a discordar de seus conceitos, propostas, de tudo o que prega e representa.

Mistério, suspeita

Enquanto isso investiga-se o que exatamente terá ocorrido em Juiz de Fora, a começar pela identificação de duas outras pessoas possivelmente envolvidas.
Não se sabe como Adélio Bispo de Oliveira, o agressor, mantém-se, de onde vem o dinheiro com que viajou pelo país e pagou adiantado um mês de pensão, adquiriu o notebook e os quatro celulares encontrados em seu poder. Tampouco se explica como e por que quatro caros advogados patrocinam-lhe a defesa, quem os custeia...
Tudo nele parece misterioso – para não dizer suspeito, falsificado.

Coincidências?

Causa estranheza sua vida errante, quase nômade desde que deixou a terra natal, Montes Claros. Impressiona a ‘coincidência’ de haver chegado a Juiz de Fora quinze dias antes dos eventos que Bolsonaro programara na cidade, assim como outra coincidência, com ou sem aspas: recentemente Adélio frequentara, com ignoto propósito, um centro de treinamento de tiro em Santa Catarina também utilizado pela família do candidato.

 ‘Lobo’ instrumentado

Enquanto as investigações não avançam, ou de seus avanços não se tem notícia, pululam conjeturas.
Especula-se de que o gesto, se ‘tresloucado’, talvez não fosse individual: o ‘lobo’ nem tão ‘solitário’ seria instrumentado por algum grupo que planejara a execução.
Abrir-se-iam neste caso duas possibilidades, ambas mais terríveis que a ação isolada de um alucinado.

Fanáticos para tudo

Na primeira o hipotético grupo é que seria ‘tresloucado’, quer dizer, um ajunta-mento de fanáticos movidos sabe-se lá por que convicção ou impulso – há malucos para todos os gostos, dos que se imbuem de uma fé messiânica e obedecem a sinais vindos do além aos que pretendem purificar a política, lavá-la com sangue.

O pior dos mundos

Na segunda alternativa, ainda mais aterrorizante, o atentado teria sido engendrado por organização nada mística e muito menos fanática, porém firmemente plantada na realidade e a serviço de gente poderosa, capaz de manipular os altos escalões.
Dá arrepios, só imaginar que a política brasileira desabe em tal precipício, mas pode parecer plausível ao observarem-se com atenção certos movimentos em curso, na política e fora dela.
Proponho alguns tópicos ao exame do leitor.

Conluios poderosos

Há meses a vereadora carioca Mariele Franco foi assassinada enquanto combatia ‘milícias’ que, consta, dominam extensas áreas urbanas e setores destacados da economia fluminense.
As investigações arrastam-se, o que reacende suspeitas de conluios entre polici-ais e ‘milicianos’, a enfrentar com êxito a hierarquia policial e até o Exército.

Fizeram ‘o diabo’...

Não sei por que a imprensa não lembra agora do sacrifício de Mariele: não são? os dois crimes igualmente políticos?
E ambos ocorreram num contexto de radicalização e exacerbação da violência, nem sempre explícita, que preside a atual campanha eleitoral e já marcara com similar virulência a de 2014 – quando, recorde-se, próceres petistas prometeram “fazer o dia-bo” para manter o poder e cumpriram a promessa, embora não chegassem a apelar à violência física.

...e ainda fazem

Constata-se na atual campanha que o PT segue a “fazer o diabo”, desta feita pa-ra salvar algum naco de poder e, claro, tirar Lula da cadeia, mas não se tem notícia de que apele a atentados ou coisa que os valha. Inversamente, os petistas é que foram ata-cadas a pedradas e tiros, no Paraná.
Mas seu desafio à lei eleitoral, à Justiça e ao estado de direito é, em si, manifestação de violência.

Violência, mais violência

Violência que gera mais violência, a corroborar o dito popular.
São violentas as ações de partidos e grupos direitistas que desejam varrer do mapa político seus oponentes, inclusive o PT, cuja retórica populista confundem com pregação de esquerda. É violento o discurso reacionário contra os homossexuais, a condição feminina, a liberdade de manifestação artística...

Ser vítima não absolve

É sintomático que o processo atinja o clímax no atentado ao candidato cuja pre-gação favorece o combate à violência dos bandidos com violência ainda maior da polí-cia, coonesta agressões a homossexuais, desdenha a perversidade do estupro...
Comentei declarações dele, tais e quais, na semana passada e o fato de ser hoje a vítima não o absolve dos equívocos.

Democracia ferida

Reitera, este colunista, a indignação ante a tentativa de assassinar Jair Bolsonaro, sejam quais forem as (des)razões de quem o fez ou mandou fazer.
Atentados políticos acrescentam irracionalidade, ignomínia, iniquidade social ao horror de matar (ou tentar matar) um ser humano.
Mais que pessoas os atentados políticos atingem a sociedade, ferem a democra-cia, assassinam esperanças.

Sorte que não deu certo

Resta uma ironia a anotar: estivessem em vigor as normas relaxadas para aquisição e porte de armas de fogo preconizadas faz tempo pelo deputado Bolsonaro, ele não sairia vivo do atentado.
Se em vez de à faca o celerado tivesse fácil acesso a um mero revólver o candi-dato morreria sob tiros desfechados à queima-roupa.

Precisam estudar!, coleguinhas

Registro ainda, e não é a primeira vez, a ignorância da imprensa dita ‘nacional’ a quanto extrapole o eixo Rio–São Paulo.
Repórteres e analistas surpreenderam-se com o socorro eficaz a Bolsonaro, pareceram estranhar que Juiz de Fora disponha de hospitais habilitados aos melindrosos procedimentos que afinal o salvaram.
Reitero a sugestão: precisam rever suas informações de Brasil, já que não apro-veitaram as lições da escola.

Tragédia anunciada

A surpresa e revolta diante do atentado induziu-nos, os jornalistas, a esquecer o revoltante e nada surpreendente desastre ocorrido domingo passado, o incêndio que consumiu o Museu Histórico Nacional, com perdas irreparáveis do patrimônio desta nação que não zela por sua história e cultura.
É crônica de tragédia anunciada, tantos e tão óbvios os sinais de que o bicentenário palácio da Quinta da Boa Vista carecia de cuidados que prevenissem sinistros.

Omissão, imprevidência

Também este velho escriba sucumbiu à urgência, cedeu ao impacto da barbárie da vez, deixou para o fim da coluna, a escassear tempo e espaço, o comentário da incú-ria, imprevidência dos gestores e criminosa omissão do estado que ensejaram a destruição – ainda não se sabe em que proporções – de nosso principal museu.
Prometo voltar ao tema.

Atestado de incultura

Por enquanto, comento informação que encontrei na imprensa:
um atilado repórter, infelizmente não nomeado em notícia transmitida por diversos veículos, percebeu que a verba destinada ao Museu Nacional neste 2018 equivale, grosso modo, à que o Senado estipula para lavar os automóveis colocados à disposição dos senadores.
Triste constatação de nossas equivocadas prioridades, atestado de subdesenvolvimento, incivilização, incultura.

Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br



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