Brasília, 20 de Maio de 2019
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Percalços da ala militar 13.03.2019

 Marco Antônio Pontes

 
 
“...Começar por onde”?
 
– Está difícil o nosso país – lamenta-se Luiz Antônio Pontes, acadêmico mineiro radicado na Bahia e, informo em explícita e orgulhosa ‘corujice’, meu primo-irmão.
Pois ele constata que é preciso corrigir e indaga, perplexo:
–...Começar por onde?
Refere-se aos dramas que comentei recentemente, em destaque as tragédias provocadas pela Vale e Flamengo. Mas seu desalento bem poderia resultar das recentes trapalhadas do governo.
 
Consertos, remédios
 
No governo há quem tenha bom senso, perceba o que é preciso corrigir. Consta que sua ala militar, a mais numerosa desde os generais-presidentes, atribuiria ao vice-presidente a missão de atenuar os efeitos dos erros de Bolsonaro, a começar pelo remedeio das desastradas postagens dele e filhos nas redes sociais, além de desmentir-lhes ou minimizar os desastrados palpites em projetos e ações do Executivo.
 
Correções prioritárias
 
Assim as correções talvez reclamadas por Luiz Pontes recairiam por enquanto, no enfoque desses atores, sobre o núcleo central do poder, Jair Messias e seu entorno imediato, já classificado 00, 01, 02 e 03 – sem que a ordem corresponda necessariamente ao grau de periculosidade.
Ficaria para depois o trato dos três mais notórios ministros-problema. Por ora seriam acompanhados à distância os dois discípulos do ex-anarquista, ex-comunista ‘linha albanesa’, ex-astrólogo, agora autonomeado “filósofo” da direita, Olavo de Carvalho e a “mestra” em ciências sociais que se concedeu o título a partir da própria atividade pastoral.
 
Raia livre, vigiada
 
Provisoriamente a ala militar e seu ator principal concedem raia mais ou menos livre (vigiada) ao incipiente diplomata feito chanceler, exceto em questões melindrosas.
Fazem o mesmo quanto ao imprudente professor chegado a impropérios, ilegali-dades e à atrapalhada ministra que acende polêmicas em torno bobagens.
Talvez esperem que se enredem nas próprias teias para ajudá-los no retorno às origens, das quais nunca deveriam ter saído – não para assumir responsabilidades muito acima de seus méritos e habilidades. 
Enquanto isso o desempenho do grupo militar nas tarefas mais urgentes alterna-se em altos e baixos.
 
Sucessos expressivos
 
Os generais afastaram com um peteleco a ideia de abrigar base militar estaduni-dense em território brasileiro; relegaram às calendas a anunciada mudança da embaixada de Tel Aviv; colocaram todo o peso diplomático do Brasil na recusa de solução armada da crise venezuelana.
Porém deixaram o confuso ‘olavete’ que brinca de chanceler atrelar-nos aos de-sígnios de Donald Trump, com o beneplácito do Bolsonaro presidente aconselhado pelo Bolsonaro deputado.
 
Fracasso retumbante
 
Foi assim que a atuação do Itamaraty perdeu substância. A abordagem equivocada da crise venezuelana comprometeu-lhe a liderança no concerto latino-americano e fê-lo parte do problema, em vez de protagonista da solução.
(Algo análogo ocorrera, com menor intensidade e sinal trocado, quando os governos petistas apoiaram o ‘bolivarianismo’, coisa que sob Temer o MRE já revertera.)
A participação de Jair Messias e seu 03 no affaire expõe retumbante fracasso da ala militar: além de permitir redução da influência continental e internacional do Brasil – um enorme dano –, falhou em conter a ascendência da prole sobre pai.
Outra amostra disso viria logo em seguida.
 
Contra tudo e todos
 
Aconteceu logo após Jair Bolsonaro declarar que imporia ‘filtros paternos’ às palavras e ações dos rebentos.
Em cima do lance, diante da solicitação (atendida sem controvérsias ou aciden-tes) de um sofrido, abatido Lula de comparecer ao enterro do netinho de sete anos, Eduardo Bolsonaro reagiu com absurdas insensibilidade e virulência.
Sintoma de que o presidente não imporá os limites anunciados porque, contra todas as opiniões, argumentos e conselhos dos aliados, pai e filhos pensam igual (e mal, sob idênticas idiossincrasias e preconceitos).
 
Faculta, não obriga
 
Sobre permitir a Lula deixar a prisão para consolar-se no convívio familiar e a anterior negativa quando da perda do irmão, afora considerações humanitárias que su-ponho unânimes, anoto que a imprensa informou muito mal ao decretar a saída um direito líquido e certo do ex-presidente.
A lei determina é que a autoridade a que se submete o preso pode – só pode, nada a obriga – conceder o benefício, se exequível.
 
 (Entre parênteses,...
 
...constrangimento e perplexidade, registro o porno-escatológico twitte do presidente da República, possivelmente em reação a foliões que o xingaram e ridicularizaram. E sua não menos obscena afirmação de que “liberdade e democracia só existem quando as Forças armadas querem”. Mais não digo nem se perguntado.)
 
Bolsonaro 1 x 0 congressistas
 
Intervalo surpreendente nesta comédia de erros: nos primeiros entreveros pela reforma da Previdência, Bolsonaro e Paulo Guedes aparecem bem na foto; os congressistas, muito mal.
O governo reluta em colocar as mudanças no iníquo balcão do ‘toma lá, dá cá’, os parlamentares insistem na velha troca de apoio por cargos e nacos do orçamento.
 
Discordância
 
Retomo considerações sobre as calamidades desencadeadas pela Vale em Minas Gerais, no ensejo do afastamento de seu presidente e diretores por recomendação do Ministério Público antes mesmo que o Judiciário pronunciasse-se. Começo por abrir espaço à opinião de Clemente Rosas:
– Pela primeira vez discordo do seu texto. Não pelo conteúdo, mas pelo tom e pelas ênfases. A linha de deboche e a simplificação de demonizar uma pessoa jurídica – a Vale – não me parece o melhor caminho para tratar o problema.
 
Excelência desastrosa
 
A mim parece que desta vez concordaremos em discordar, Clemente e eu – na forma, com a feliz (para mim) ressalva do conteúdo.
Não teria a própria Vale ‘demonizado-se’ ao menosprezar a prevenção?, em Brumadinho como antes no Vale do Rio Doce? Quanto ao tom, ênfases e deboche, desculpo-me se não me fiz entender:
não quis debochar, só ironizar iniquidades tamanhas que escapam ao raciocínio lógico; foge a considerações racionais a hipótese de que uma grande empresa deboche (aí, sim) da opinião pública ao reiterar excelência na prevenção de acidentes e protago-nizar dois megadesastres em três anos.
 
Filme conhecido
 
A Vale cerca-se de sábios e sabidos advogados para prevenir as ações judiciais que enfrentará.
É assim que se reedita Mariana: a Samarco renegou nos tribunais as boas inten-ções iniciais e procrastina até hoje reparações aos flagelados e ação efetiva ante a catástrofe ambiental.
O mesmo filme é exibido pela megamineradora às vítimas de seu desleixo no Vale do Paraopeba.
 
Culpa compartida
 
Entretanto, volto a concordar com Clemente Rosas nas considerações finais de sua mensagem:
Na verdade a tragédia tem muitos responsáveis: os executivos da empresa, os técnicos, os auditores, os fiscais do setor público, os prestadores de serviços... Exemplo: por que os engenheiros da Tuv Sud [...] se submeteram à pressão do executivo da Vale e deram o atestado de confiabilidade da barragem?
 
Mar de conchavos
 
Outros leitores manifestaram-se sobre minha crítica à Vale e sua subsidiária.
Destaco a denúncia de Cláudio Machado, economista de escol com quem tive o prazer de conviver no IPEA, do “mar de impunidade, lama, conchavos e corrupção que assola o país” e o apoio entusiasmado, porque generoso de Onaldo Pompílio, parceiro e mestre a vida toda:
Excelente!, caro Marco. Parabéns!
 
Fazem e acontecem
 
Concorda comigo Flávia Seixas, leitora recente e dá testemunho:
Sou de Colatina [bela cidade à margem do rio Doce, no Espirito Santo] e ape-sar de residir em Brasília conheço bem o sofrimento dos pescadores e outros pobres da minha cidade [por] que a empresa Vale e sua ‘filhota’, como o senhor diz, [...] poluíram o rio. Acho que é preciso que as pessoas denunciem estas grandes empresas que são muito poderosas e [...] fazem e acontecem o que bem entendem.
 
Duplo susto, silenciado
 
[...] Definitivamente a sucessão de fatos recentes em nosso país e o noticiário sobre eles são, ambos, assustadores – alarma-se o acadêmico Sérgio Alves, referindo-se àquelas catástrofes e a outra, também aqui denunciada: a precariedade da cobertura dos veículos de comunicação, ‘cheios de dedos’ na crítica a grandes grupos empresariais.
Na mesma linha manifesta-se Marcos Noronha, persistente e participativo leitor que assume “a frase atribuída a Martin L. King: ‘O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons’”.
 
Influência anestésica
 
O jornalista e acadêmico Ailê-Selassié Quintão envia-me a propósito artigo que escreveu sobre os megagrupos empresariais e seu formidável, espúrio poder de influen-ciar governos e anestesiar a opinião pública. Tem tudo a ver com o assunto mas fica para a próxima edição, que esta acabou.
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br
 
 


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