Brasília, 15 de Julho de 2019
Página inicial
Quem somos
Contato
Cadastre-se
Anuncie aqui
Notíias | Entrevistas | Notas | Artigos | Enquete | TV Câmara | TV Senado | Agendas

Anuncie Aqui

Mundo velho sem porteira... 13.04.2019

 Marco Antonio Pontes

 
O velho e o novo
 
Mundo mais destrambelhado, este.
“Mundo velho sem porteira...” – repetia, a pontuar nossas dúvidas, a amiga Alice Inês, antropóloga de impecável trajetória acadêmica (Juiz de Fora e Oxford, Sorbonne e Viçosa...) quando juntos cursávamos jornalismo. Era a perplexidade num tempo de questionar velhas certezas, derrubar limites antes sacrossantos, “porteiras”...
Mal começavam os anos 1960 e a frase prenunciava as reviravoltas dos anos se-guintes: autolibertação da juventude, sepultamento de cânones comportamentais, a chamada ‘revolução’ sexual, o interminável (posso, Zuenir?) 1968 aqui e na Europa, o erudito filósofo Herbert Marcuse feito ídolo popular dos que viam o socialismo ‘bem ali na esquina’...
 
Encruzilhada
 
Desgraçadamente as ‘porteiras’ abriram-se também à contrarrevolução que desi-ludiu os jovens que pressentiam ‘socialismo na próxima esquina’.
A filosofia que estimulou o posicionamento proativo de Marcuse – ou de Lukacs – era a mesma do colega da Escola de Frankfurt, Teodor Adorno, cético ante o engaja-mento político dos pensadores, ainda que pensadores políticos; e os fatos subsequentes indicam que o desalento de Adorno condizia mais com a realidade.
Afinal a ‘esquina da revolução’ era uma encruzilhada do tempo que abriria múl-tiplas ruas e ruelas divergentes, a conduzir não se sabe aonde.
 
Pode isso?, Bíbi
 
Mundo mais destrambelhado, dizia deste mundo em que o partido do ultradirei-tista primeiro-ministro de Israel empata em votos com o do menos conservador herói militar e mesmo acusado de corrupção segue no poder, na civilizada nação que há déca-das deixa-se engolfar por um reacionarismo excludente e suicida.
Qualquer semelhança com a república de Weimar, Alemanha nos anos 30 do sé-culo passado, dita a pátria do racionalismo que se desencaminhou no horror nazista, não será mera coincidência. Ou alguém acredita na viabilidade de manter indefinidamente sem estado nem esperança o povo palestino, coisa de 6,5 milhões de pessoas? – aliás mais ou menos a população de Israel.
 
Fim de conversa
 
O absurdo foi muito bem observado por Clóvis Rossi na Folha de S. Paulo, 11.04. Ele detectou a mobilização dos israelenses mais à direita a favor do recrudesci-mento de Netanyahu contra a aspiração palestina de erigir um estado na Cisjordânia e Gaza, ao prometer anexar definitivamente o território que os judeus denominam, como na Bíblia, Judéia e Samária.
Quer dizer: cumprida a promessa, estará enterrada a hipótese de estado palestino minimamente viável.
 
Capitão-eleitoral
 
O que nos traz de volta ao Brasil, onde as porteiras abrem-se em lugares errados e deixam passar boiadas que melhor se confinariam em pastagens outras.
A malfadada iniciativa de Bolsonaro, fazer-se office boy de Donald Trump e ca-bo-eleitoral na campanha de Netanyahu, desmerece-nos o prestígio e envergonha nossa diplomacia.
Terá provavelmente ajudado ‘Bíbi’ na medida em que o Brasil, embora ator me-nor no Oriente Médio, tem peso específico e protagonismo na América Latina, região que cresce em importância diante do inevitável conflito pela hegemonia econômica entre Estados Unidos e China.
 
Rumo à irrelevância
 
O grave nas escolhas de Bolsonaro e sua turma, consta que sob inspiração da-quele ex-astrólogo, é que o Brasil apequena-se a cada lance desta ‘nova’ política externa, desmerece a tradição itamaratyana e persegue tenazmente a irrelevância, colocando-se sob as ordens do mais irresponsável, ignorante, desastrado e desastroso presidente da rica história dos EUA.
 
Da frigideira ao fogo
 
Assim desembarco de vez nesta infeliz quadra de retrocessos que, afinal, nós é que escolhemos:
a educação – gente, que tragédia! – pulou da frigideira para o fogo, desvenci-lhou-se do abraço de Vélez, renegado olavete para cair no colo de outro neófito no setor que o guru que considera habilitado a executar-lhe as ordens.
 
Faltou à aula
 
Talvez Olavo decepcione-se, o suposto pupilo terá faltado a alguma lição, não estava convenientemente amestrado..., a julgar pelas primeiras declarações ao assumir o MEC. Afora generalidades, o que de concreto Weintraub afirmou foi que o setor tem recursos suficientes.
Embasou o equívoco em ainda mais equivocada comparação: o Brasil gasta em educação um percentual do PIB semelhante ao dos países desenvolvidos.
 
Analogia descabida
 
“Coisa de economista que ignora os componentes político-sociais de sua disci-plina” – resgato, de outro contexto, frase de Joanílio Teixeira, professor-emérito da UnB, pós-doutor nem sei por quantas universidades mundo afora – Cambridge, Sorbon-ne, Milão, Stanford...
E recorro a outro brilhante intelectual, o professor Célio Cunha, que acresce à produtiva trajetória acadêmica a experiência de dirigente do MEC numa era de ouro, a gestão de Murílio Hingel (1992–94), para esclarecer de vez a questão: não dá pra com-parar os dispêndios em educação de nações onde a estrutura básica está disponível há décadas, como na Bélgica, com os do Brasil onde quase tudo está por fazer.
 
Caça-fantasmas
 
Não bastasse o equívoco o economista Abraham Weintraub (terei tempo de aprender a soletrar-lhe o nome?), feito ministro da Educação porque adestrado nos mer-cados financeiros e amestrado (o mestre assumiu) nas ‘teorias’ do autointitulado filóso-fo, revela-se um promissor combatente dos fantasmas que assustavam os conservadores em meados do século passado: ainda procura comunistas debaixo da cama.
 
Bolsa-punição
 
Eu já me assustava bastante com as perspectivas da educação nestes tempos de retrocesso quando soube de outra providência desastrosa na área, embora aparentemente não devida a Weintraub.
É que o governo decidiu combater a violência nas escolas punindo os beneficiá-rios do Bolsa Família que agredirem professores com... a perda do benefício!
 
Só vai piorar
 
Os luminares que assim equacionaram o problema haverão de ter pesquisado em seu banco de asneiras e do rol de péssimas ideias escolheram a pior.
Se um menino ou menina está tão perturbado(a), talvez com problemas insuspei-tados na família e não percebidos pelos mestres, a ponto de partir para agressão, excluí-lo(a) do programa e por conseguinte da escola só vai agravar-lhe a situação, causar mais problemas para si, a família e o ambiente em que vive, provavelmente deixá-lo à mercê dos recrutadores do crime.
 
 ‘Rico’ pode
 
E além de tudo, punir ‘só’ os beneficiados pelo Bolsa Família passa um recado terrível à comunidade escolar:
se você não faz jus ao benefício, portanto não é pobre, pode agredir sem medo de castigo.
 
 “Aula em universidade pública”
 
Abro espaço a minipanfleto de Célio Alves Costa, cujo título aproveito:
– Matemática? Anatomia? Topografia? Mineralogia? Economia ? Música? As-tronomia? Agronomia? Nada disso. A universidade pública gasta recursos públicos [...] para catequização. [...] Graças a esse desvio de finalidade o Brasil nunca teve um Nobel. Só terá [...] se for instituído o de Estupidez.
 
Forma correta,..
.
Nada contra panfletos, mini ou máxi. Até gosto do formato, se o texto é bem en-gendrado como o de Célio Alves Costa, magnífica síntese; e mais ainda se o conteúdo suporta bem a ideia veementemente defendida.
É assim que proponho ao fluente panfletista algumas reflexões.
 
...conteúdo duvidoso
 
Assisti ao vídeo que lhe motiva o protesto.
Abri-o na expectativa de uma aula em universidade pública (mesmo não identi-ficada), em que professor empenhasse-se em diletantismo político, ideológico ou ambos.
Porém num ‘passeio’ da câmera pelo local vi um público heterogêneo, inclusive quanto a faixas etárias, diverso do de uma turma acadêmica. Também as intervenções de dois palestrantes, objeto do filme, assemelham-nos a participantes de seminário ou análoga atividade extracurricular, não a professores em aula.
 
Aula ou o quê?
 
Perguntaria ao leitor-panfletista: ocorreu de fato em universidade (pública ou não) o evento gravado?, foram professores em aula os protagonistas?, a fonte que lhe forneceu o vídeo é confiável?
Desculpe!, não me julgue impertinente: duvidar é obrigação de jornalista. Para bem avaliar a oportunidade do conteúdo, importa precisar do que afinal se trata.
 
Lugar do debate
 
Raciocinemos juntos, Célio. Se foi aula os professores ter-se-ão desviado da função, como diz e incorrido em erro, proselitismo no lugar errado.
A tratar-se, porém de atividade extracurricular – o mais provável, reitero –parece-me natural que a universidade – sobretudo pública – abrigue amplo debate de ideias, concordemos ou não com elas.
 
O que houve?
 
A TV Globo anunciou na tarde de sexta-feira a Conversa com Bial e o ministro Sérgio Moro nas primeiras horas do sábado; na madrugada seguinte o convidado seria Djavan. Esperei, conferi e na entrevista deste sábado apareceu Djavan, aliás ótimo.
Pode ter sido conveniência da programação, quem sabe sobrevieram dificuldades técnicas.
Ou?...
 
Marco Antonio Pontes, jornalista
 
 
 


ABC POLITIKO - LINHA DIRETA COM O PODER
COMENTE ESTE ARTIGO   LEIA COMENT√?RIOS (0)  

Voltar a P√°gina Principal Voltar a P√°gina Principal Voltar a P√°gina Principal Voltar a P√°gina Principal
VEJA MAIS

13.07.2019 FHC, Itamar... e Clemente
10.07.2019 Alimentos e transportes seguram IPCA em 0,01% em junho
08.07.2019 O poder invisível
07.07.2019 Nostalgia, reflex√Ķes, indigna√ß√£o
04.07.2019 N√£o entre. √Č um livro de receitas

VEJA TODOS

SRTVN Quadra 701 Bloco B Sala 826 - Centro Empresarial Norte | Brasília - DF | CEP 70710-200 | Fone: (61) 3328-2991 | Fax: (61) 3328-2152