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Adjetivo errado, conclus√£o acertada. A n√£o ser... 13.08.2019

 Marco Antônio Pontes

 
Ínfimos milhões
 
Semana passada errei de adjetivo: escrevi que “os aliados incondicionais [...] são parcela ínfima dos que elegeram Bolsonaro” e seguem a apoiar seja o que for que diga e faça.
Deveria ter dito ‘parcela minoritária’, porque foram milhões os eleitores que o escolheram justo porque ele “é assim mesmo”, como disse na semana anterior: intem-pestivo, boquirroto e também reacionário, retrógrado, misógino, ‘homofóbico’ (vá a palavra de etimologia equivocada), e espero desta vez acertar os adjetivos.
A mesma, numerosa parcela haverá de concordar com suas posições contrárias à democracia, ecologia, cultura, imprensa...
 
Campanha errada
 
É muito triste constatar que milhões de brasileiros adotam essas teses; não adianta, porém, brigar com os fatos.
A reparar o erro consultei velhos e recentes arquivos, revi a evolução das pesquisas pré-eleitorais do ano passado, pensei melhor e concluo: sim, a velha direita que sufragou Jair Messias começa a desconfiar de que embarcou em campanha errada, mas segue a bordo por ainda lhe faltarem alternativas.
E uma parte dos mesmos apoiadores, os que não cogitam de ideologias e por isso mesmo endossam a da extrema direita, estão nem aí para os consignados absurdos; muito ao contrário assinam junto, sem ler.
 
Os apoiadores...
 
Coincidentemente, encontrei excelentes (embora ligeiras) aferição e qualificação do eleitorado de Bolsonaro em artigo de Delfim Neto na Folha de S. Paulo (07.08).
Segundo Delfim, três grandes grupos de apoiadores elegeram o presidente: (1) os que genericamente pensam como ele, inclusive a direita tradicional agora já meio desiludida, (2) os que desejavam livrar-se do PT e não encontraram solução menos ruim e (3) parte significativa dos líderes do precário capitalismo brasileiro, numericamente pouco expressivos mas dotados de enorme poder de influência sobre a opinião pública, até para viabilizar ‘impulsionamentos’ (argh!) de seu candidato nas redes ditas ‘sociais’.
 
...minoritários
 
Grosso modo, tento quantificar os três grupos.
O primeiro, que soma bolsonaristas ‘de fé’ à velha direita aderente, equivaleria a um quinto, talvez um quarto dos 57 milhões de eleitores do presidente.
Os 75%, quem sabe? 80% restantes dividir-se-iam mais ou menos igualmente entre os antipetistas e a massa amorfa mobilizada pelo poder econômico.
 
 
É a economia!...
 
Se agora acerto, direi que apesar do adjetivo mal escolhido permanecem válidas as conclusões a que cheguei.
Se Bolsonaro insistir em ser “assim mesmo”, prosseguir nas falas incongruentes e-ou absurdas, dependerá da evolução da economia para terminar (bem ou mal) o mandato e dificilmente sobreviverá politicamente ao desastre que protagoniza.
A não ser...
 
O impensável
 
... a não ser – prossigo, assustado só de pensar o impensável – que a economia deteriore-se além das previsões mais pessimistas, a extrema polarização já existente agudize-se e não seja convenientemente resolvida pela ação política, as instituições afinal revelem toda a fragilidade que já as vitima e insistimos em não perceber.
Se tudo isso acontecer será o caos, e nele nada é impossível.
Nem a derrocada do estado de direito.
 
Triste desgoverno
 
– Será que Bolsonaro conseguirá chegar ao fim de seu mandato? Deus nos acuda! – espanta-se Thaïs Littieri, querida amiga da adolescência e juventude, prima ‘emprestada’ que agora me honra com leitura e arguta participação.
Antes, Thaïs penitenciara-se da escolha coletiva, que hoje percebe equivocada:
– Infelizmente, por absoluta falta de bons candidatos e envolvidos emocionalmente pelo terrível atentado que sofreu em Juiz de Fora, votamos nele.
Depois concluiu:
– Que tristeza ver o nosso país tão desgovernado!
 
 “Informações oficiais”
 
Mesmo sem entender bem a motivação e conteúdo da mensagem, registro as observações de Alaor Mendonça, ilustre intelectual de merecidos títulos acadêmicos e, mais importante – se me permitem o cabotinismo... – primo mui estimado, ‘emprestado’ pela querida prima-irmã Tânia, a qual também me ‘empresta’ a prima Thaïs, protagonista da nota anterior:
– Segundo informações oficiais, Miriam [Leitão] não foi torturada em Vitória [...].
 
Animal, animais
 
Mais de Alaor:
– Sim, um ‘espirito de porco’ pôs a cobra, jiboia não venenosa, junto com ela.
A jiboia na cela escura com a jovem (19 anos) grávida, nua, vulnerável, apavorada ante as ameaças de outros animais, bem mais perigosos, que a sequestraram de casa sem explicações – só isso, se mais não houve, não terá sido tortura?, Alaor!
 
O que está aí
 
Prossegue o professor (daqui pra frente julgo entender melhor):
Quando o povo escolheu um candidato antipetista [...] foi para isto que está aí. Foi a escolha de milhões [...], mas foi um projeto da esquerda que elegeu o Bolsonaro ou fosse qual outro que mostrasse [...] tudo que está aí.
 
Na marra
 
– O pior vem logo nos próximos meses – detecta Alaor – ‘os duros no poder vão entrar em ação’, em face às merdas dos presidentes da Câmara e Senado, junto Tofolli no Supremo; teremos muitas pressões para afastar na marra ministros na área jurídica para nomear os seus com suas convicções politicas.
 
Boa piada
 
Menos mal se ao encerrar a semana, como sempre pontuada de declarações estapafúrdias, Bolsonaro haja produzido uma piada – estranhamente ninguém riu (nem o ministro Moro...) entre os presentes à saída matutina do Palácio da Alvorada, assistida pela claque.
Após uma frase escatológica sobre preservação da natureza, esboçou defesa canhestra do planejamento familiar e garantiu que “pessoas cultas” têm menos filhos. E concluiu, enfático: “Eu sou exceção, tenho cinco.”
Bolsonaro, pessoa culta...
Podem rir!
 
Apesar, não; porque
 
Parece absurdo? que Bolsonaro haja nomeado Ricardo Sales ministro do Meio Ambiente, apesar de ter no prontuário condenação por crime ambiental?
Pois o absurdo é maior: ele foi escolhido não apesar, mas porque tem indesmentível folha corrida antiambientalista.
 
Mal explicado
 
O ministro Sérgio Moro garantiu ao STF que jamais pretendeu destruir transcrições de conversas entre autoridades nas redes sociais, bisbilhotadas por hackers e transformadas escândalo pelo site Intercept (‘IntercePT’, na grafia do leitor Célio Alves Costa).
Moro fez o que devia, não compete à Polícia Federal, só à Justiça decidir-lhes o destino.
Errou, porém, ao atribuir a celeuma a um “mal-entendido”; deveria ter dito ‘um mal explicado’.
Por ele.
 
Só pensam ‘naquilo’...
 
Do mesmo Célio transcrevo veemente observação quanto às conversas ‘raqueadas’ (já vale o neologismo?) entre os procuradores de Curitiba:
O objetivo, escopo, meta é clara como água: desacreditar a Lava a Jato e tentar reverter as condenações, mais precisamente a do ex-presidente presidiário. Em outras palavras o ministro Barroso, do Supremo, disse a mesma coisa [...] com a autoridade e a responsabilidade do cargo que exerce.
 
Ainda a burrice dinâmica
 
Leiam Marcos Antônio Noronha, querido xará e conterrâneo:
Seu comentário sobre a burrice dinâmica fez-me recordar uma história no mesmo diapasão, contada como real há mais de 30 anos. Um jornalista entrevistava um general e lhe perguntara como parava a tropa. Ele respondeu que em quatro grupos: os inteligentes ativos, os inteligentes passivos, os burros ativos e os burros passivos.
 
Repartição de trabalho
 
Segue-se a conclusão do diálogo:
Jornalista: – Como o senhor os distribuí?
General: – Aos inteligentes ativos dou os comandos das tropas; os inteligentes passivos assessoram os comandantes e os burros passivos coloco em atividades burocráticas.
– E os burros ativos?
– Esses mando pra casa, pois só fazem merda.
 
Saudade, mas sem saudosismo
 
Caríssimo Marco P. – escreve-me Sérgio Alves –, não é só saudosismo acreditar que fazem falta a Presidência de um visionário como Getúlio Vargas e uma OAB de intelectual como Raimundo Faoro.
Nada a comentar, só aplaudir.
 
Qui, quae, quod
 
Previsivelmente, errei de novo no latim e recebo prestimosa correção de Clemente Rosas da citação que arrisquei:
A frase correta é qui prodest? (a quem beneficia?). O pronome latino é qui, quae, quod (ou quid), sendo a primeira forma para o masculino, a segunda para o feminino e a terceira para o gênero neutro. No caso em tela, trata-se da forma masculina.
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br
 


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