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Hora de resistir e cobrar 17.03.2020

 Marco Antônio Pontes 

 
Agora é quando?
 
A frase com a qual encaminhei aos leitores a coluna da semana passada – A hora é agora –, também sugestão de ‘chamada’ endereçada aos sites que a reproduzem, ensejou que eu fosse de novo ‘pego na palavra’, desta vez pelo persistente leitor e crítico Mário Arcanjo. Ele é curto e incisivo:
Velho escriba, você deve estar sonhando. Acha mesmo que é hora para um impeachment de Bolsonaro?
– Concordo com seu amigo Pedro Rogério – prossegue, – a sociedade está anestesiada e não se manifesta contra o capitão, que como você mesmo já disse tem raia livre para todos os absurdos que quiser.
 
Reformulando:...
 
É bem vinda sua crítica, Arcanjo. Eu não quis dizer isso – que é hora de propor impeachment de Bolsonaro – mas se até você, velho e lúcido leitor entendeu assim, é certo que não me expressei bem. Devo explicar melhor o que penso, quem sabe para ao final obter-lhe a concordância e a de outros leitores que me terão lido como você.
 
...a resistência...
 
Acredito é que está na hora de resistir mais fortemente à marcha da insensatez, ou Bolsonaro imporá cada vez mais retrocessos à nação. Já está claro, para quem quer ver, que seu projeto autoritário é elitista, antinacional e retrógrado.
Elitista se até no que acerta, como a necessária reforma da Previdência Social, atribui ônus maior aos mais pobres, resguarda os privilegiados de sempre e quer fazer o mesmo na reformulação dos tributos e da administração pública.
 
...é outra
 
O projeto bolsonarista é antinacional porque executa política externa que envergonha as tradições de competência do Itamaraty, submetendo-a aos interesses dos Estados Unidos – ainda mais sob Trump, a avantesma ante a qual se curva o ex-capitão; é antinacional também quando deseja sufocar manifestações artísticas que não compreende e por isso rejeita, avaliando a multifacetada cultura brasileira pelo metro obscurantista de líderes religiosos fundamentalistas – pra não falar daquele ex-astrólogo e pseudofilósofo, seu guru.
Também por isso é retrógrado o projeto em curso e mais ainda ao insurgir-se contra as conquistas das minorias LGTBx, estimular o racismo, ameaçar indígenas e suas terras, posicionar-se contra o desenvolvimento sustentável. A tudo isso é preciso resistir.
 
Processo insensato
 
Resistir, no caso, não significa necessariamente impedir o presidente nem negar-lhe legitimidade no exercício da função, para a qual desgraçadamente foi eleito; passou a hora de questionar os métodos espúrios utilizados na campanha, que a Justiça Eleitoral não soube coibir.
Agora é hora (reincido na expressão, em novos termos) de conhecer o processo autoritário em curso, combater-lhe os métodos e táticas e reagir à estratégia que baliza a marcha da insensatez.
 
Alternativas autoritárias
 
Bolsonaro não cogita (ao menos por enquanto) de golpe de estado ‘clássico’, com fechamento do Congresso, do STF, censura à imprensa, prisão, tortura, assassinato de opositores para implementar seu projeto autoritário. A seu jeito tosco, terá aprendido a avançar por etapas no constrangimento das instituições, em crescentes arroubos com que espera limitar a atuação dos oponentes para finalmente imobilizá-los.
É assim que as democracias são solapadas em nosso tempo e há farta literatura a descrever processos, explicar os casos de sucesso do neoautoritarismo na Polônia, Hungria, Áustria... e Venezuela; esse último, ironicamente, o modelo a que ex-capitão mais parece reportar-se.
 
Resistência modulada
 
A resistência ao projeto neofascista deverá ser correspondentemente modulada.
Há que contestar ponto por ponto, em atento e paciente trabalho, a investida contra o estado de direito e as garantias que institui, denunciar o processo, apelar às leis e invocar a Constituição, exibir as diuturnas transgressões perpetradas por Bolsonaro e sua turma, impedi-las pelos meios legais: ações parlamentares e recursos ao Judiciário, tudo acompanhado por apelos à mobilização da sociedade, que acabará por acordar de sua modorra – ela sempre acorda, quando nada na penúltima hora.
 
Recurso traumático
 
A tarefa dos que se opõem ao autoritarismo, no atual estado das coisas, é mino-rar os danos e sustar novos arreganhos, mediante união das forças democráticas em prol do objetivo comum.
Conforme o avanço do bolsonarismo será preciso buscar novos e mais drásticos remédios institucionais, podendo ou não chegar ao impeachment – jamais objetivo a ser perseguido, só último e desesperado recurso ao falecerem os demais.
 
Hora de cobrar
 
A imprensa terá papel decisivo neste processo.
O enrolado secretário de Comunicação do Planalto, titular de empresa (de co-municação!) que presta serviços a organizações contratadas pelo governo, foi blindado pelo chefe? – é preciso insistir na denúncia de conflito de interesses.
O filho-senador tenta impedir investigações das trampolinagens do Queiroz, quiçá as próprias em seu anterior ‘bunker’, o gabinete de deputado na Assembleia Legislativa fluminense? – há que mobilizar repórteres, pesquisadores em busca de mais fatos, cobrar das autoridades policiais, do Ministério Público, do Judiciário ações concretas em busca da verdade.
 
Robôs e calúnias
 
Esta é a hora e vez do jornalismo investigativo (aceite-se o novo conceito, embora a este velho jornalista pareça que a reportagem é por definição investigativa).
É hora de centrar o foco no entorno do pater familiae, já que a lei não permite investigar diretamente o presidente. Na trêfega turma do ex-capitão a famiglia destaca-se nas tentativas de ultrapassar os limites do estado de direito: veja-se a última estripulia do filho-deputado, flagrado pela CPMI das fakes news a robotizar calúnias contra adversários e instituições, tanto faz se pela ‘mão-de-gato’ do principal assessor.
 
Campo minado
 
E o filho-vereador?, que arremetidas perpetrará o ‘pitt bull’ dos Bolsonaro, no ‘silêncio obsequioso’ que lhe impuseram por exagerar as ‘mordidas’ em supostos desafetos do pai?
Quer dizer: se o presidente ainda (ainda...) não deu razões pra que se intente um processo de impeachment – na visão política, portanto pragmática que preside conside-rações de tal ordem –, seu entorno é campo minado e os imprudentes seguidores, filhos à frente mas não só eles, sequer se dão conta de que um acidente mais grave comprometerá seu projeto.
 
Trajetórias medíocres
 
Em condições normais de temperatura política e pressão social, detonações em série teriam interrompido as medíocres trajetórias de 01, 02 e 03 há muito tempo; a ainda pior carreira de 00, inexpressiva e quando se expressou retrógrada e nefasta, haveria nem de decolar.
Mas temos vivido tempos anômalos, dois populismos igualaram-se no engodo das massas desinformadas e um deles, mercê de acidentes de percurso – como a facada incompetente, a par de odiosa daquele tresloucado – e certo não só por isso acabou por mergulhar-nos no atual pesadelo.
 
Faça-se a luz
 
Diversamente dos sonhos maus que nos assombravam a infância, deste a gente não acordará naturalmente quando o sol nascer; e os mensageiros das trevas pretendem adiar a aurora.
A espúria direita que empolgou o poder quer-nos impor silêncio, escuridão e para quebrá-lo e iluminá-la há que acender todas as velas, tochas, lanternas – não temos as de nossos celulares? –, para que afinal se faça a luz sobre as manobras que nos tangem de volta àqueles tempos escuros.
 
Tudo igual
 
Ainda não chegou a hora de bater de frente contra as falanges fascistoides de Bolsonaro, por enquanto é preciso flanqueá-las nos pontos vulneráveis. E eles são mui-tos, a começar pelos rebentos aos quais, pai orgulhoso, atribui poderes quase mágicos e no entanto são zeros à esquerda – a metáfora é matemática, nada ideológica: são ignorantes, inábeis, primários, até por que feitos à imagem e semelhança do pai.
 
Já é hora
 
Pois já não seria hora? de cobrar, a sério, processo contra o deputado-filho no Conselho de Ética da Câmara? – pela intenção de fechar o STF, a proposta de um novo AI-5, agora a veiculação de mentiras via internet por interposto assessor? E de fechar o cerco sobre Queiroz?, desde sempre amigo da famiglia e parceiro de milicianos – de que mais indícios se precisa para investigar a fundo tamanha promiscuidade?
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br


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