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LAVA JATO
Cabral é denunciado pela 11ª vez por corrupção 19.06.2017
Divulgação
Cabral e Adriana pagavam em dinheiro vivo
Brasília - O ex-governador do Rio Sérgio Cabral foi denunciado pela 11ª vez na Operação Lava Jato. Além dele, também podem virar réus por lavagem de dinheiro a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo e os operadores Carlos Miranda e Luiz Carlos Bezerra.
 
“As aquisições eram feitas com o propósito indisfarçável de lavar o dinheiro sujo angariado pela organização criminosa, com pagamentos em espécie, por intermédio de terceiros, ou compensando valores de outras joias, sem emissão de notas fiscais e sem emissão de certificado nominal da joia”, afirma o MPF na denúncia.
 
O cometimento de crime de lavagem de dinheiro com a compra de joias já foi objeto de duas outras denúncias oferecidas em decorrências das denominadas operações Calicute e Eficiência.
 
Na primeira denúncia, o MPF falava sobre a aquisição de pelo menos R$ 6,6 milhões em joias na Antonio Bernardo e na H.Stern. Na Operação eficiência, descobriu-se diamantes no exterior e o pagamento de peças da H.Stern no valor de 229 mil euros. Com os R$ 4,5 milhões na nova denúncia, já são mais de R$ 11 milhões em joias.
 
Em alguns casos, Cabral devolvia uma joia de menor valor para pegar outra mais cara. A diferença era paga com dinheiro em espécie. Foi o caso da aquisição de um brinco de ouro branco 18K com brilhante solitário, avaliado em R$ 1,2 milhão. A peça foi paga com a devolução de joias no valor de R$ 1 milhão e R$ 192,9 mil em espécie. Em outro caso, a aquisição de um brinco de ouro amarelo 18K com brilhante solitário, o valor de R$ 1,8 milhão foi paga com a devolução de joia no valor de R$ 1,2 milhão e R$ 600 mil em espécie em três parcelas.
 
Acordo
 
O acordo de delação envolve o presidente da joalheria, Roberto Stern; o vice-presidente, Ronaldo Stern; o diretor financeiro, Oscar Luiz Goldemberg; e a diretora comercial, Maria Luiza Trotta. Eles concordaram em pagar multas que somam R$ 18,9 milhões.
 
A diretora comercial da H.Stern afirmou em depoimento em depoimento à Justiça Federal no início de junho que Adriana Ancelmo pedia, na maioria das vezes, a fabricação de joias exclusivas e que os pagamentos eram quase sempre em espécie.
 
"A maioria das vezes as joias eram fabricadas para ela. Adriana gostava de coisas exclusivas e mandava fabricar", afirmou a diretora comercial.
 
Em depoimento, Cabral afirmou que usou sobras de campanha para comprar joias. Ouvida por Bretas, Adriana disse que as joias apreendidas em sua casa foram compradas por ela com dinheiro lícito ou foram presentes de seu marido. O ex-governador está preso desde novembro do ano passado, quando foi deflagrada a Operação Calicute. Já Adriana está em prisão domiciliar.
 
Em uma das ações geradas por essas denúncias, o juiz Sérgio Moro condenou Cabral a 14 anos e dois meses de prisão. Adriana foi inocentada, mas o MPF afirmou que recorreria da decisão. Os demais processos contra o ex-governador tramitam na 7ª Vara Federal Criminal do Rio, cujo responsável é o juiz Marcelo Bretas.
 
Com agências


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