Brasília, 23 de Setembro de 2017
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Discuss√£o de bar 04.09.2017
André Gustavo Stumpf
 
No restaurante Florentino, em Brasília, na altura da década de noventa, havia uma mesa que se reunia todas as sextas-feiras. Almoço famoso frequentado por juristas de alto coturno, ministros de tribunais superiores, advogados, jornalistas e curiosos em geral. Não vou lembrar o nome de todos, alguns já nos deixaram, outros não gostariam de ser lembrados, mesmo porque segundo a esposa de um dos animados participantes, ao final dos encontros era necessário “enviar a ambulância para recolher os destroços”. O almoço terminava por volta das dez da noite.
 
Era, na realidade, um encontro para troca de informações, exibição de erudição e muita ginástica intelectual. Completava o convescote uísque das melhores procedências. Carlos Castello Branco, o Castelinho, era presença constante. Participei algumas vezes, embora sem a cultura e o fígado suficientes para aguentar o tranco. E numa delas surgiu a pergunta que detonou uma discussão que durou vários encontros. Quem foi o alemão mais importante para a história do mundo? Venceu Martinho Lutero, o padre que dissentiu do Vaticano, colocou as 95 teses, em 1517, na porta da catedral de Wittenberg e formou um novo pensamento cristão.
 
Entre os vários efeitos colaterais da ação do padre, auxiliado pelo leigo João Calvino, está a base formal e ética da criação dos Estados Unidos. O pastor pode casar, as igrejas não exibem santos, e o homem é livre, inclusive para escolher sua religião. E todos são controlados pelo rigor da lei. Os dirigentes são escolhidos pelo povo. O trabalho enobrece, roubar é errado e o homem deve viver e contribuir para sua comunidade. O lucro é bem vindo. A reforma protestante criou um novo sistema de vida e proporcionou a riqueza do grande do país do norte. 
 
O fato é que os Estados Unidos aproveitaram a oportunidade da Segunda Guerra Mundial e se transformaram na maior nação do mundo. Economia forte, mercado interno riquíssimo, dono da moeda de referência do planeta e hoje a vanguarda dos trabalhos na tecnologia da informação. A Califórnia com quase 40 milhões de habitantes, é o estado mais populoso do país. Vanguarda do pensamento. Ali na sua fantástica Universidade de Berkeley surgiu o movimento hippie, que forçou o final da guerra do Vietnã. O Vale do Silício transformou-se na linha de frente na produção de celulares, computadores e outras máquinas espetaculares. Os maiores bancos do país estão naquele Estado. As maiores construtoras de aviões, também. E um novo modo de viver surgiu no oeste. Modelado desde o auge de Holywood.
 
San Francisco não tem hora do rush. Nem San Diego. Boa parte dos trabalhadores faz suas tarefas em casa. É curioso passear pelo centro das duas cidades em horas de trabalho nos dias úteis. Pouca gente nas ruas. Paletó e gravata nem pensar. Os centros de pesquisa espalhados pelos longos e planos territórios ao longo da costa são atendidos por eficiente transporte coletivo que utiliza modos diversos. Tudo é diferente no Estado mais rico do país mais rico do mundo. As cidades são limpas, a criminalidade é baixa. A polícia de Los Angeles é melhor equipada do que alguns exércitos de países do terceiro mundo, o nível de escolaridade é elevadíssimo. E a miscigenação é alta. Em San Francisco é difícil encontrar um americano típico, aquele caucasiano branco, louro ou moreno. A face mais conhecida no oeste é a de orientais, olhos puxados, sejam chineses, japoneses, filipinos, pessoal de Cingapura e mexicanos. Hoje está tudo junto e misturado.
 
Los Angeles, com seus mais de dez milhões de habitantes, é uma capital do mundo. Seu porto, em Long Beach, é o mais movimentado dos Estados Unidos. É interessante perceber essas novidades enquanto os brasileiros perdem oportunidades seguidas de promover seu crescimento. Nós somos filhos de contrarreforma, o movimento católico que se opôs a Lutero e promoveu a inquisição. O brasileiro não quer desenvolvimento político, econômico ou social. Prefere conviver com seus dogmas e manter as divisões existentes dentro da sociedade.
 
Na Califórnia circulam normalmente carros elétricos (autonomia de 500 km; velocidade máxima 225 km/h). Já existem postos de reabastecimento de energia elétrica para eles. Aqui, os parlamentares não se conseguem se entender sobre sistema eleitoral, discussão que se arrasta há trinta anos. O assunto vai entrar em compasso de espera para ser decidido no limite pelo Supremo Tribunal Federal. E, se o Procurador Geral da República apresentar mais uma denúncia contra o presidente Temer, a discussão política será absorvida pela admissão, ou não, da peça acusatória de Janot. Mais perda de tempo. É a opção preferencial pelo subdesenvolvimento.
 
André Gustavo Stumpf é jornalista


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