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LAVA JATO
Joesley e Saud chegam hoje a Brasília 10.09.2017
Divulgação
Joesley ainda tenta falar com Fachin

Brasília - O empresário Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud passaram a noite de domingo (10) na superintendência da Polícia Federal em São Paulo. E nesta segunda eles serão transferidos para Brasília.

Joesley e Saud se entregaram na tarde deste domingo, após terem prisão decretada pelo ministro Edson Fachin, na sexta (8). O pedido havia sido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em razão da violação do acordo de colaboração premiada e omissão de informações.

Joesley e Saud chegaram acompanhados de seus advogados na sede da PF por volta das 13h. Cerca de duas horas depois os defensores deixaram o prédio. A expectativa é de que Joesley e Saud sigam para o Instituto Médico Legal para fazer exame de corpo de delito. Em nota, Joesley Batista e Ricardo Saud afirmam que não mentiram nem omitiram informações no processo que levou ao acordo de colaboração premiada e que estão cumprindo o acordo.

Prisão

O ministro Edson Fachin, relator da lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e determinou a prisão temporária dos empresários Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo J&F. No entanto, negou a prisão do ex-procurador Marcelo Miller. Os pedidos de prisão foram motivados pela descoberta de que os executivos da J&F omitiram informações sobre supostos crimes ao negociar sua delação premiada.

Os pedidos de prisão dos dois e do ex-procurador Marcello Miller foram enviados por Janot ao STF na sexta-feira (8). Os pedidos foram motivados pelo conteúdo de uma gravação entregue pela própria defesa do Grupo J&F, na qual Saud e Joesley falam sobre a suposta interferência de Miller para ajudar nas tratativas de delação premiada. O ex-procurador ainda fazia parte do Ministério Público quando começou a conversar com os executivos, no fim de fevereiro. Ele pediu a saída da instituição em fevereiro e foi exonerado, de fato, apenas em abril.

Na segunda-feira, Janot abriu um procedimento de revisão do acordo de delação dos executivos. Ele pediu a revogação do benefício de imunidade penal concedido aos delatores. Segundo interlocutores, Janot ficou irritado com a gravação que demonstrou que Joesley e Saud omitiram informações ao fazer acordo com as autoridades.

A prisão preventiva dos envolvidos já vinha sendo analisada por Janot nos últimos dias.

Na quinta-feira, os executivos prestaram esclarecimentos à PGR, em Brasília, mas não convenceram. Eles afirmaram que o ex-procurador Miller informou que já havia pedido exoneração do Ministério Público quando os procurou. Também tentaram minimizar o conteúdo da gravação, qualificando-a como “uma conversa de bêbados”.

Pedido

Joesley Batista e Ricardo Saud já colocaram seus passaportes à disposição da Justiça, segundo informações da defesa. Eles pediram também para serem ouvidos antes de o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, decidir sobre o pedido de prisão contra os dois.

Segundo o advogado Pierpaolo Bottini, que cuida dos desdobramentos da delação da J&F, os clientes não "entregaram" os passaportes, mas os colocaram à disposição do Supremo.

Joesley e Saud podem perder a imunidade penal que receberam no acordo de delação, após gravações feitas pelos dois levantarem suspeitas de que houve omissão de informações por parte dos dois.

O principal ponto são os indícios de que o ex-procurador da República Marcelo Miller ajudou Joesley e Saud a produzir provas para obter o acordo com Janot.

Depoimento

Nesta sexta foi o dia de Miller prestar depoimento. A avaliação na instituição é de que os fatos narrados foram graves e indicam a prática de crimes.

No caso de Miller, há auxiliares de Janot que avaliam que ele atuou na J&F com uso de informações privilegiadas que possuía por ter integrado a equipe da Lava Jato. Com isso, pode ter incorrido nos crimes de obstrução da Justiça e exploração de prestígio. Miller integrou o grupo de trabalho que auxilia Janot nos trabalhos da Lava Jato perante o STF.

Já no caso dos delatores da J&F, a avaliação na Procuradoria é de que, pelo áudio, fica claro que os executivos tentaram omitir informações e escolher as provas que levariam ao conhecimento do Ministério Público.

Por meio de sua assessoria, o Grupo J&F informou nesta sexta que desconhece qualquer informação sobre o pedido de prisão de Joesley e Saud.

Após depoimento que durou nove horas do ex-procurador da República Marcelo Miller à Procuradoria Regional da República da 2.ª Região, no Rio, nesta sexta, seu advogado, André Perecmanis, afirmou que o pedido de prisão de seu cliente “causa espécie e indignação”. Mas ressaltou que ainda não havia sido informado oficialmente sobre o pedido: “Soube pela imprensa”, disse, ao sair do prédio do Ministério Público Federal, já na madrugada deste sábado (9).

Miller tem dito que não cometeu qualquer crime ou ato de improbidade administrativa e que está disposição das autoridades.

Com agências



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