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LAVA JATO
Lula tenta desqualificar Palocci em depoimento a Moro 13.09.2017
Divulgação
Lula prestou depoimento a Moro

Brasília - O interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terminou por volta da 16h20 desta quarta-feira (13). Ele falou durante pouco mais de duas horas ao juiz Sergio Moro. Este foi o segundo interrogatório de Lula feito por Moro. O ex-presidente fez críticas ao ex-ministro Antônio Palocci, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal.

Lula disse, no depoimento, que o ex-ministro Antonio Palocci de "calculista, frio e simulador". Ele negou que tenha feito qualquer tipo de acerto ilícito com a empreiteira Odebrecht. "Se ele fosse um objeto, seria um simulador", afirmou.

O ex-presidente não poupou mesmo o ex-companheiro petista. De acordo com ele, Palocci nem sequer era responsável por assuntos do Instituto. Lula contou que só se encontrava com o ex-ministro, depois de sua saída do governo, "de oito em oito meses".

Durante a audiência, o Ministério Público Federal ainda apresentou uma pauta de reunião de Emílio Odebrecht, patriarca da empreiteira, com Lula, que foi entregue à investigação. A reunião teria ocorrido no dia 30 de dezembro de 2010, no Palácio do Planalto. No documento, o primeiro item da pauta é a "Passagem" do histórico de parceria". Isso seria uma referência à troca de governo, de Lula para Dilma, e ao acerto ilícito feito com o intermédio de Palocci.

Na mesma agenda, ainda são listados, debaixo do título "Com ele", os itens: "Estádio Corinthians, Obras Sítio, 1a Palestra Angola e Instituto". Lula afirmou que o documento é falso e "uma mentira" e fez severas críticas à atuação da Polícia Federal e do Ministério Público, pois vê com "desconfiança" determinadas operações.

“Querida”

Além da insatisfação com Palocci, Lula e Moro também não demonstraram muita simpatia um para com o outro. O juiz mostrou-se exigente, tendo, inclusive, advertido Lula para que não usasse o tratamento de “querida” ao direcionar-se à procuradora Isabel Groba Vieira, que acompanhava o interrogatório. Era para que fosse usado o tratamento protocolar.

O termo querida virou jargão quando do impeachment da Dilma, quando passaram a brincar com o termo “tchau, querida”.

Imparcialidade

Outro momento de confronto entre Lula e Moro foi quando o ex-presidente perguntou se poderia chegar em casa e sentar-se com oito netos e dizer que estava sendo julgado por um juiz imparcial, “pois não foi o que aconteceu” no outro processo.

Moro o interrompeu e afirmou que não trataria do outro caso. Sobre esse fato, ele deveria se defender no tribunal federal, disse o magistrado, afirmando que o considerou culpado no referido processo.

O caso

O novo depoimento referiu-se à acusação de que o ex-presidente recebeu também propina da Odebrecht. O empresário Marcelo Odebrecht diz ter usado a conta de propina que a empresa mantinha com o PT para adquirir um imóvel destinado a abrigar a sede do Instituto Lula. Além disso, teria repassado valor para pagar uma cobertura vizinha à de Lula. Quando era presidente, Lula ocupou o apartamento vizinho. Ele alegou que o fez por motivos de segurança. Quando deixou o cargo, em 2011, manteve o uso do apartamento, que foi adquirido por Glaucos Costamarques, primo do pecuartista José Carlos Bumlai.

O depoimento de Marcelo Odebrecht, que firmou acordo de delação com a Procuradoria Geral da República (PGR), foi confirmado pelo ex-ministro Antonio Palocci.

Palocci confirmou que o imóvel era destinado ao Instituto Lula e que o ex-presidente desistiu de aceitar o prédio depois de uma reunião em que ele questionou o negócio. Teriam participado do encontro Bumlai e o advogado Roberto Teixeira, que intermediou o negócio.

Em sua defesa, Lula contou que era a falecida esposa, Marisa Letícia, a responsável por gerir o pagamento do aluguel do apartamento 121, vizinho ao que é de sua propriedade, em São Bernardo do Campo (SP), e gerir seu imposto de renda.

A recepção

Antes de entrar no prédio, Lula caminhou por entre manifestantes e militantes de movimentos sociais. A Secretaria de Segurança do Paraná montou um esquema de segurança na expectativa de que ao menos 5 mil manifestantes fossem a Curitiba em cerca de 50 ônibus para apoiar o ex-presidente.

Com agências 



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