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CORRUPÇÃO
MPF acusa Picciani de receber R$ 83 milh√Ķes 14.11.2017
Divulgação
Picciani recebia propina dos transportes

Rio - O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado estadual Jorge Picciani (PMDB-RJ), identificado como "Platina" e "Satélite" no esquema investigado pela Operação Cadeia Velha, recebeu mais de R$ 83 milhões em propina da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) entre 2010 e 2015, afirmam os procuradores. Picciani nega as acusações.

A operação foi deflagrada nesta terça-feira (14), a partir da delação do doleiro Álvaro José Novis sobre o esquema de corrupção no setor de transportes do Rio.

Novis contou que "o dinheiro era recolhido nas garagens de todas as empresas de ônibus filiadas à Fetranspor, pela transportadora de valores, onde ficava custodiado para fazer os pagamentos aos políticos".

Os investigadores dizem que, mesmo após o início da operação da Lava Jato, os deputados estaduais Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo, todos do PMDB e apontados como trio de corruptos pelos procuradores, deram seguimento às praticas criminosas, mudando apenas a logística de entrega da propina.

Segundo Novis, "o dinheiro era recolhido nas garagens de todas as empresas de ônibus filiadas à Fetranspor, pela transportadora de valores, onde ficava custodiado para fazer os pagamentos aos políticos". Em contrapartida, as empresas receberiam "excessivos incentivos fiscais", de acordo com a PF.

Ainda de acordo com os investigadores, o excesso de incentivos fiscais fez com que o estado deixasse de receber mais de R$ 138 bilhões, o que ajudou a criar um colapso na economia do Rio de Janeiro.

Ao todo, nove pessoas foram presas nesta terça na operação Cadeia Velha, suspeitas de participar de um esquema de corrupção na Alerj.
Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor, e o empresário Jacob Barata Filho voltaram a ser presos. Eles já tinham sido presos pela Lava Jato em julho. A Justiça também decretou a prisão de José Carlos Lavouras, mas ele está em Portugal.

Três deputados do PMDB foram conduzidos coercitivamente para prestar depoimento na polícia federal: Picciani, que é presidente da Alerj, e os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi. A mulher de Albertassi, Alice Brizola Albertassi, também foi conduzida.

Pedidos de prisão preventiva contra os três deputados, que têm foro privilegiado, serão analisados na quinta-feira (16) pelo TRF-2.
Outro preso foi um dos filhos de Picciani, Felipe Picciani, suspeito de atuar no esquema lavando dinheiro. Ele é um dos sócios da Agrobilara Comércio e Participações Ltda, que estaria usando a compra de gado para lavar dinheiro de propina.

Outro lado

Em nota, o deputado Jorge Picciani disse que "em toda a carreira jamais recebeu qualquer vantagem" e que a prisão do filho é "uma covardia" feita para atingi-lo.

O deputado Edson Albertassi diz que as acusações serão contestadas por sua defesa, que ainda não teve acesso ao inquérito. Albertassi, que declinou oficialmente a indicação ao TCE, acrescentou que "confia na Justiça e está à disposição para esclarecer os fatos".

Em nota, o deputado Paulo Melo informou que esta "à disposição da justiça" e irá "contribuir com as investigações". "Não tenho nada a esconder. Minha vida política sempre foi muito clara, todas as contribuições recebidas foram legais e declaradas na justiça eleitoral", comunica o texto.

A defesa de Jacob Barata Filho afirma que a decisão que decretou a prisão "não trouxe novas acusações contra o empresário e se baseou nas mesmas conjecturas que haviam pautado o primeiro decreto de prisão e que já foram tidas por insuficientes pela segunda turma do STF".

"Por isso, a defesa pedirá o restabelecimento das medidas que foram ordenadas pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, que já decidiu que a prisão preventiva de Jacob Barata Filho é descabida e pode ser substituída por medidas cautelares, que vêm sendo fielmente cumpridas desde então", continua a nota enviada pela defesa de Barata Filho.

A defesa de José Carlos Lavouras afirma que a prisão preventiva "foi imposta irregularmente, pois já havia sido decretada anteriormente pelo juiz Marcelo Bretas". "Este é um ato ilegal, de indevida repetição e sem nova fundamentação. A defesa irá recorrer às instâncias superiores para intervir e corrigir a ilegalidade", acrescenta a nota.

Com agências 



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