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Caixa de pandora 01.12.2017
André Gustavo Stumpf
 
O Brasil político gosta de presidentes não eleitos e com baixa popularidade. Essa é a única conclusão que se pode tirar diante da história recente. Estes protagonistas circunstanciais produzem bem e atacam problemas específicos jamais antes enfrentados. Itamar Franco, que sucedeu a Fernando Collor, tinha estilo mercurial, mas enfrentou o recorrente problema da inflação no país. Colocou Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda, aliás, contra a vontade do professor. Abriu as portas para que o grupo de economistas trabalhasse sem restrições. O Plano Real acabou com a inflação no Brasil.
 
Michel Temer tem contra ele a profunda má vontade dos petistas e seus aliados.  A exemplo de Itamar Franco, ninguém votou nele. A maioria sufragou o nome de Dilma Rousseff, que sofreu o impeachment depois de cometer insanidades de todos os tipos e modos. Mas, de repente, o pouco conhecido Temer começa a realizar reformas e a tocar nos pontos nevrálgicos da estrutura de poder no país. Mais interessante ainda é que, apesar de a inflação recuar, seus índices de popularidade continuam muito baixos.
 
A conclusão possível é a de que os políticos que cortejam a popularidade não conseguem realizar suas metas. Juscelino Kubitschek deve ter sido o último a combinar os dois fatores, numa época em que não existia PGR atuante, facebook, internet, computadores e outros bichos perigosos. O caso do Rio de Janeiro é tão fulgurante que é capaz de ferir até olhos menos sensíveis. Os principais líderes políticos e todos os governadores do estado no século 21 estão presos. Diversos assessores, auxiliares e operadores também estão atrás das grades. Sem exceção, são acusados de malversação de fundos públicos, lavagem de dinheiro, além de outras ações específicas.
 
O estado do Rio recebeu bilhões de dólares desde o ano 2000 em royalties de petróleo originário do pré-sal. O dinheiro, naturalmente, sumiu.  Pagou campanhas eleitorais, jantares em Paris, viagens maravilhosas, joias de madame, casas de praia em regiões de grande beleza e, discretamente, estacionou em contas secretas nos paraísos fiscais. Os donos do poder no estado também atacaram violenta e sistematicamente o orçamento. Não respeitaram projetos, nem hierarquias. Arrobaram portas e meteram a mão com vontade. Característica comum a todos os personagens, agora presidiários, é que eles cortejaram a popularidade. Cabral criou as unidades de polícia pacificadora e as exibiu como passaporte para a repressão policial nas favelas. Encheu os olhos dos cariocas e por trás das cortinas se dedicou a desviar dinheiro público.
 
Garotinho também com sua facilidade de expressão, voz de locutor, chegou até a se candidatar a Presidência da República. Demagogo de boa cepa. Nenhum deles tem qualquer preocupação com os dinheiros públicos. Vale tudo. Este tipo de político, que surgiu depois da Constituinte de 88, é figura nova no país. Não poupou ideologias, nem limites. Os dirigentes do Partido dos Trabalhadores assaltaram a Petrobras sem dó nem piedade. Desviaram dinheiro de fundos de pensão e empresas públicas federais, estaduais e municipais. Tudo em nome do povo, pelo povo e para o povo.
 
Vai ser difícil retornar ao debate político no Brasil. Há um festival de denúncias e delações em todas as latitudes e dimensões vinculando boa parte do Congresso aos malfeitos no Poder Executivo. Limpar o cenário será um processo longo e doloroso. É mais fácil matar um elefante do que recolher seus destroços. É o que está ocorrendo no país. Os escândalos se sucedem. Ninguém é capaz de fazer uma previsão razoável de quando esse terremoto vai parar. E como vai terminar. Nem os poderosos ministros do Supremo Tribunal Federal.
 
O ano de 2018 será um período muito curto. Até o mês de julho as candidaturas deverão estar na rua, devidamente aprovadas pelos cartórios eleitorais.  O PMDB quer ter candidato. Mas até agora não apareceu. Há quem trabalhe em favor de uma suposta candidatura de Michel Temer. É uma possibilidade. O PSDB está muito dividido. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, está viajando pelo país. Conversou em Recife com a viúva de Eduardo Campos. Pretende reunificar o partido. Aécio Neves continua a comandar o setor da legenda conectado ao Planalto. Tudo isso está contaminado pelas sucessivas denúncias de corrupção. Abriu-se a caixa de pandora no Brasil. Os monstros estão à solta. Vão assombrar muita gente até a eleição. E mesmo depois dela.
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.


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