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PT joga contra as eleições 23.12.2017

Ruy Fabiano

Há muito de bravata na convocação de José Dirceu (condenado em segunda instância, embora solto pelo STF) para que a militância e os “exércitos” petistas ocupem e toquem fogo em Porto Alegre, quando do julgamento de Lula pelo TRF-4, em 24 de janeiro.

A incitação à violência, crime previsto no Código Penal, foi reverberada pelo próprio Lula e os coadjuvantes de sempre, os senadores Lindberg Farias e Gleisi Hoffmann, e os “generais” João Pedro Stédile e Guilherme Boulos. Vejamos se há povo.

A mais recente caravana de Lula pelo Nordeste, com escalas em cidades fluminenses e mineiras, mostrou escassez de público, de assunto e de entusiasmo. A militância residual, em diversos momentos, viu-se impotente até para conter vaias e insultos, que brotavam de dentro da plateia, nos comícios.

Em Campos dos Goytacazes, terra do ex-governador (e hoje presidiário) Anthony Garotinho, contavam-se 40 pessoas na praça em que Lula discursaria, semana passada. Havia mais policiais que povo.

Os sinais de declínio já vêm desde a eleição municipal do ano passado, quando o PT elegeu apenas um prefeito de capital, em Rio Branco (AC), e perdeu cerca de 70% das prefeituras que detinha.

Lula foi pessoalmente atingido, ao ver um enteado derrotado em disputa para vereador, em São Bernardo, seu domicílio eleitoral há quase meio século. Neste ano mesmo, em agosto, apoiou presencialmente e por vídeo um candidato a prefeito na cidade de Monte Leão, interior do Piauí, em eleição suplementar. Perdeu.

A internet registra vídeos em que o ex-presidente é hostilizado em aeroportos e restaurantes. Seu público definha. Mesmo assim, insiste em que disputará a Presidência da República, coadjuvado pela militância residual, que brada que, sem ele, a eleição será uma fraude. Pesquisas que o apontam como favorito, como a mais recente, do Datafolha, ocultam o fato de que mais de 70% dos entrevistados simplesmente não tinham candidato algum.

Lula obteve 30% da parcela dos 30% que admitiram ter candidato. Não há significação alguma nesses números, que o colocam lado a lado com Bolsonaro. São eles, afinal, os dois únicos a se dizerem candidatos. Tudo o mais é indefinição e provisoriedade.

O dado objetivo é que Bolsonaro lota os aeroportos onde chega, com milhares de adeptos, mesmo sem dispor de sindicatos, prefeituras ou governos estaduais. Nem partido tem. Já Lula, com sindicatos, partidos, prefeituras e alguns governos estaduais, recorre a jatinhos particulares, para fugir do assédio de passageiros hostis.

Lula sabe que não será candidato; que, com uma condenação e mais seis processos na Justiça, não sobreviverá a uma campanha que, com sua presença, tende a ser selvagem. O que quer é transfigurar-se de corrupto em perseguido político.

Investe no papel de vítima, disposto a melar as eleições, já que a esquerda não dispõe de um nome competitivo para retornar ao poder e manter-se nos postos estratégicos dentro da máquina administrativa, de onde Temer não se empenhou em tirá-la.

Convém não esquecer que o presidente da República, há alguns meses, declarou, em entrevista, que era contra a prisão de Lula. FHC e Geraldo Alckmin disseram o mesmo há pouco mais de uma semana. Desconsideraram que o que pesa contra Lula não tem qualquer relação com ideologia ou política.

Ele responde por crimes capitulados no Código Penal. E crime não é de direita, nem de esquerda. Além disso, seu discurso, baseado no “nós contra eles”, dividiu o país, deixou-o agressivo e mais pobre.

Pesquisa divulgada esta semana mostrou que, em pleno reinado do PT, a pobreza, ao contrário do que proclamava a propaganda, aumentou. Em 2013, a população abaixo da linha de extrema pobreza aumentou 3,68%, a primeira alta desde 2003, segundo dados divulgados pelo Ipea.

Lula proclamava que seu governo havia tirado 30 milhões da pobreza. A Lava Jato mostrou que tirou bem mais, muuuitoo mais!

Ruy Fabiano é jornalista e escritor 



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