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A roda da história 30.12.2017

André Gustavo Stumpf

É difícil entender o Brasil. Muita gente se aventura na busca da explicação e não consegue chegar a uma definição razoável. Não tenho esta pretensão. Mas, sem entender o passado, não há como projetar o futuro. Dizer que o Brasil é produto da miscigenação de raças não é suficiente. Os portugueses chegaram aqui e foram descobrindo a imensidão de terra sob sua responsabilidade. Não havia mão de obra possível para tanta a necessidade de construir infraestrutura. O primeiro passo foi tentar escravizar os índios. Não deu certo.

A forte presença dos jesuítas na formação brasileira nem sempre merece a devida importância. Eles participaram da fundação de São Paulo e se espalharam pelo Brasil. Durante todo o período colonial – mesmo depois da expulsão promovida pelo Marques de Pombal – o sistema educacional brasileiro foi fundamentalmente católico. Aliás, este era o modelo português de colonização. A Coroa sempre unida à Igreja. Foi assim no Brasil, na Índia e na África.

Quando os portugueses precisaram expandir o comércio e transformar a colônia em centro de custo destinado a produzir dividendos para a matriz trouxeram o negro da costa ocidental da África. Já havia a experiência de importação de negros para o Caribe e Estados Unidos. As plantations – produção basicamente de algodão – foram formadas por mão de obra escrava. O primeiro navio holandês com escravos negros chegou à Virgínia em 1619. Em 1624, em Jamestown, nasceu William Tucker, o primeiro afro-americano. A presença do negro ocorreu em toda a América, de norte a sul.

Outra vertente da história do Brasil é aquela dos portugueses que vieram para este lado do Atlântico. Sugiro a leitura do delicioso livro “O português que nos pariu”, de Ângela Dutra de Menezes (Record). A autora percebe entre os portugueses que colonizaram o Brasil número elevado de cristãos novos. Alguns deles não eram tão cristãos como a suposta conversão sugeria. Então aparece a presença de judeus no Brasil. Aliás, a primeira sinagoga na América, Zur Israel, surge em Recife, no período de dominação holandesa no nordeste. Quando os portugueses expulsaram os holandeses, os judeus fugiram para o Caribe e depois para Nova Amsterdã, hoje Nova Iorque.

A presença de judeus no Brasil é pouco discutida e percebida na história do Brasil. Pouca gente sabe que Copacabana, no Rio, a princesinha do mar, é um bairro judeu. Muitas antes, os bandeirantes entraram em guerra aberta contra a Companhia de Jesus. Atacavam seus assentamentos sem dó nem piedade. Os jesuítas eram vistos no Brasil com agentes do Santo Ofício da Inquisição, que na América do Sul teve um tribunal em Lima, no Peru. A guerra entre bandeirantes e jesuítas se explica pelo profundo ressentimento dos cristãos novos, ou seja, judeus, contra os representantes da Inquisição. Os problemas europeus se transplantaram para o novo mundo.

Os pioneiros, nos Estados Unidos, chegaram ao novo continente com uma ideologia nítida na cabeça. Eles queriam criar um país de brancos, de indivíduos livres, sem presença de reis, rainhas ou famílias reais, com garantia de liberdade religiosa e de respeito absoluto às leis. Assim surgiu o país que se libertou da Inglaterra depois de uma guerra pesada. Aqui, ao contrário, os europeus passearam à vontade, mas não legaram nada. Holandeses não deixaram obra importante em Recife. Os ingleses ganharam muito no Brasil. E os portugueses tiraram o proveito da terra, do gado, da cana de açúcar e do ouro. Nenhum grupo tentou edificar um país. Ao contrário, o continente era um bom lugar para se divertir com negras, índias, comprar papagaios e outros bichos exóticos, além de ganhar muito dinheiro.

Apesar dos pesares, o Brasil cresceu muito. Figura entre as dez maiores economias do planeta. Poderá ir além se ocorrer alguma sincronia entre ação dos políticos, necessidade fazer obras e encontrar limites para a roubalheira nacional. Estes fios desencampados deverão se encontrar na eleição de outubro próximo. Há candidato que desafia a justiça e se coloca acima das leis. Há quem se declare abertamente a favor de intervenção militar. Há aqueles que tropeçam nos próprios pés e existem alguns com relativo bom senso. Entre tantas alternativas se encontra o destino do país. Se nada disso funcionar, pela primeira vez, em cinco séculos, o Brasil poderá enfrentar o risco de desintegração. O fenômeno já ocorreu em vários países e diversos continentes. É a roda da história. Feliz ano novo.

André Gustavo é jornalista 



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