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Mistérios 04.01.2018
André Gustavo Stumpf
 
A América do Sul não tem prestígio no exterior porque seus políticos são corruptos, a justiça, na região, é lenta e o poder executivo, usualmente, não possui projetos nem tem noção precisa de que pretende fazer, realizar, admitir ou proibir. O panorama é semelhante em todos os países do continente, com exceção, talvez, do Chile. Porém, dentre eles, o Brasil demonstra ter profissionais capazes, indústria forte – semelhante à da Inglaterra, superior à italiana – comunicações de bom nível, sistema bancário eficiente, setor agrícola muito bem estruturado e uma enormidade de terras ainda a conquistar. Apesar dos pesares, o país funciona. E tem horizonte.
 
Não fosse a ação deletéria dos políticos seria melhor. Poderia até almejar uma posição de poder regional como Austrália ou Canadá. Os norte-americanos sabem disto. Conhecem bem o país. As relações de Washington com o Brasil estão em vigor há mais de um século. Os jornais indicam que a poderosa Boeing abriu negociações para adquirir no todo ou em parte da brasileira Embraer, que vem a ser a terceira maior do mundo. É a resposta comercial para a união ocorrida entre a Airbus e a Bombardier, canadense. A empresa brasileira se desenvolveu de maneira brilhante, com tecnologia nacional, depois da privatização ocorrida em 1994.
 
Em termos econômicos, o produto interno bruto brasileiro é quase a metade de tudo o que se produz no continente. Durante os governos petistas os investidores reduziram suas ações por aqui. Agora, ao contrário, voltaram com força, sobretudo na área de petróleo e gás, que retornou à vida. É momento de lembrar o escândalo ocorrido aqui quando o governo Dilma descobriu que a National Security Agency (NSA) estava espionando no país áreas da economia, especialmente a Petrobrás, além da própria presidente e seus principais auxiliares. A controvérsia faz todo sentido, vista agora com distanciamento. A roubalheira na petroleira brasileira foi rapidamente descoberta. Os bancos suíços esqueceram o sigilo bancário e forneceram quilômetros de documentos comprovando desvios. Não sobrou pedra sobre pedra. 
 
O governo Dilma caiu, o petismo recuou até a última linha, restou o ex-presidente Lula esperneando contra supostas perseguições judiciais. A política acabou. Deputados, senadores e governadores passaram a disputar espaço nas páginas policiais. Não há dúvidas de que o país estava gravemente enfermo. Todos os dias a Polícia Federal prende algum político importante e conhecido. O deputado Paulo Maluf, uma espécie de símbolo da corrupção no Brasil, foi finalmente preso, depois de responder processo e ser condenado há quase vinte anos. Seus advogados conseguiram através de sucessivos recursos postergar a inevitável prisão. Ele agora, aos 86 anos, está atrás das grades na Papuda, em Brasília. Maluf, como os dirigentes da CBF, não podia viajar para o exterior. Seria preso pela Interpol. Vinte anos entre decisão e consequência. A justiça lentíssima deixa de ser eficiente e eficaz. É um retrato do Judiciário nacional que coloca em questão a tentativa dos que desejam acabar com a operação lava jato. Não é necessário impedir as apurações, basta que suas consequências sejam adiadas. O exemplo Maluf é eloquente. 
 
O Ministério Público Federal, sem dúvida, teve sua ação facilitada pelos caminhos abertos por investigações norte-americanas. É curioso perceber que todas as investigações, desde o futebol até o petrolão, passaram por organismos norte-americanos. O brasileiro, e os políticos em especial, deveriam entender que o Brasil é uma economia forte que está inserida no mercado internacional. A economia influencia a política. A política externa se conecta a política interna. O governante deve estar com olhos bem abertos porque os vasos são comunicantes. 
 
Tudo o que aconteceu no Brasil, uma espécie de revolução francesa tropical ocorrida no século errado, deverá produzir crescimento institucional. A disputa final entre ministros de primeiro nível, políticos e procuradores vai delimitar as áreas de cada instituição. Cada protagonista descobrirá seus limites. Mas do exterior vêm lições e informações relevantes. Até decisivas. Nos Estados Unidos não há político condenado nas condições de Paulo Maluf. Ele já estaria preso há muito tempo, nem que fosse por problemas com o imposto de renda.
 
André Gustavo Stumpf é jornalista


ABC POLITIKO - LINHA DIRETA COM O PODER
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