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Pinguela e precis√£o 08.01.2018
André Gustavo Stumpf
 
Os bons resultados alcançados pelo governo Temer resultam do trabalho desenvolvido por sua equipe econômica. O presidente gosta de lembrar os importantes índices alcançados nos últimos tempos: queda da inflação, excepcional superávit no balanço comercial, retomada do crescimento industrial, exponencial ascensão do agronegócio, redução de juros, diminuição do risco Brasil e tranquilidade no mercado. 
 
A crise brasileira teve caráter político. A economia se descolou das aflições do Congresso Nacional e seguiu sua vida imune aos problemas vividos pelos políticos. Conseguir manter as duas áreas separadas foi estratégia inteligente. Agora, no entanto, o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que é candidato a candidato, ameaça atravessar a linha que separa os dois campos e levar para a área política um personagem da economia – ele mesmo. Misturar os dois lados não é medida que homenageia a inteligência de ninguém. Meirelles sonha em ser candidato à Presidência da República.  
 
E não faz muito segredo disso. Ao contrário, apareceu em destaque no programa de televisão do PSD. E não nega que tenha pretensões. Apenas se resguarda para anunciar a possível, ou provável, candidatura quando março ou abril chegarem. A mosca azul está voando sobre sua mesa de trabalho. Misturar política com economia é proporcionar campo fértil para o desenvolvimento de crises de grande potencial destrutivo. É recomendável ter cautela nesta hora. O mundo da política no Brasil vai se iniciar quando terminar o julgamento do ex-presidente Lula, em Porto Alegre, no próximo dia 24.
 
Qualquer que seja o resultado provocará acomodações no cenário político eleitoral. Se Lula for candidato, provocará uma reação do centro para a direita. Se não for, forçará sua substituição por algum nome da esquerda, não necessariamente do PT, uma vez que o partido não dispõe de nomes para assumir a aventura presidencial. O presidente Temer terá papel importante, em qualquer circunstância. Ele influencia parte substancial do Congresso. O poder da Presidência da República é muito forte. Até o último dia do mandato.
 
 A debandada de ministros não significa sangria do governo. É normal, neste tipo de presidencialismo parlamentar existente no Brasil, que os partidos indiquem ministros de estado. Eles trocam a indicação de pessoa de sua legenda pelo voto favorável nas votações importantes no Congresso. A possível votação da reforma da presidência está chegando. É fundamental montar uma maioria sólida, que alcance 308 votos, para liquidar a última das grandes reformas prometidas.
 
A defesa do ex-presidente Lula faz as marolas jurídicas razoáveis. Pretende, por exemplo, que o acusado preste novo depoimento sob o argumento de que o juiz Sérgio Moro foi parcial, quando ouviu o metalúrgico. Qualquer advogado sabe que a produção de provas ocorre somente na primeira instância. Nas superiores o que se discute é matéria processual, antes da sentença. O recurso parece destinado a render manchetes e auxiliar a militância petista que pretende acampar em Porto Alegre. Mas, as pesquisas demonstram que os brasileiros estão fartos desta discussão política, que não chega a lugar nenhum.
 
Este deve ser o subtexto da eleição. O brasileiro não confia nos políticos e não mais fica emocionado com os políticos, nem suas promessas. Exemplo é o suplente da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) filha do ex-deputado Roberto Jefferson, que será Ministra do Trabalho. Seu nome é o deputado federal Nelson Nahim (PSD-RJ), irmão de Anthony Garotinho, condenado a 12 anos de prisão por estupro de vulnerável e exploração sexual de adolescentes – livre por decisão do ministro Ricardo Lewandowski em Habeas Corpus. O deputado diz ser inocente. Distribui memoriais por toda a Câmara com seus argumentos.
 
Não é uma boa posição. Chegar ao Congresso tendo que se explicar. De qualquer forma, este será um ano muito diferente. O carnaval ocorrerá no início de fevereiro. Quarenta dias depois virá a Páscoa. Em seguida, entrará em campo a Copa do Mundo. Se a seleção chegar a final, o país vai parar. Se não, o debate político deve incendiar o cenário nacional. E, de novo, o país vai parar. Este anda e para vai durar até a realização do primeiro e do segundo turnos. Ano curto, rápido com todos os ingredientes para ser explosivo. A pinguela resistiu até agora. Mas ainda é muito frágil. A travessia exige cautela e precisão. É para profissionais.
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.


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