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A velha esquerda 20.01.2018
André Gustavo Stumpf
 
O mundo não vai acabar na semana que vem. Mas o julgamento do ex-presidente Lula em Porto Alegre será o marco inicial da campanha eleitoral de 2018. Os primeiros movimentos já ocorreram. A senadora Gleisi Hoffman, também presidente do Partido dos Trabalhadores, disse que “para prender o Lula, vai ter que matar muita gente”. Raciocínio tortuoso de integrante da corte mais alta do Congresso Nacional. Ela, supostamente, deveria conhecer deveres e limites de sua ação. Incitar desrespeito à lei é crime.
 
O ex-presidente Lula já tentou desqualificar o juiz Sérgio Moro de todas as maneiras possíveis. Ultimamente tem dito que o juiz de Curitiba deve ser demitido a bem do serviço público. O presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª região, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, teve sua vida revirada. Os petistas descobriram que seu bisavô lutou em Canudos nas tropas do Exército contra os revoltosos na região do rio Vaza Barris, na Bahia. É o episódio de Canudos e de Antonio Conselheiro. Lula, contudo, não é o Conselheiro, nem o Thompson Flores atual tem algo a ver com a revolta descrita por Euclides da Cunha. A confusão é geral.
 
O objetivo é criar um slogan capaz de desmoralizar o tribunal da capital gaúcha e desacreditar o resultado do julgamento. É uma tática antiga. Utilizada desde os tempos do fascismo. Desmontar a imagem do oponente. Torná-lo ridículo aos olhos da opinião pública. Não é nova. Mas é perigosa. Aprofunda a divisão entre os grupos, impede o exercício da negociação política e estabelece relação de conflito entre as partes. No Brasil, a confrontação usualmente penalizou a esquerda e puniu os grupos de pensamento mais avançado.
 
É surpreendente que artistas de vários níveis e especializações diferentes tenham ocupado os 960 assentos de um teatro no Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro, para ouvir o ex-presidente Lula fazer as afirmações de praxe. Ele passa ao largo das responsabilidades do PT no desastre econômico proporcionado pelo governo Dilma. E se coloca como vítima de uma conspiração de golpistas. Ele esquece até que ele, pessoalmente, alinhavou os termos do acordo entre seu partido e o PMDB. Foi este acordo que conduziu Michel Temer ao cargo de vice-presidente da República.
 
Temer só está onde está por causa do aval recebido de Lula. Dilma também só chegou ao posto de presidente da República por indicação de Lula. É fato que eles, depois, brigaram. Até hoje não está esclarecido porque a Dilma se candidatou à reeleição. O acordo era que ela seria presidente de um mandato. Lula seria o sucessor. Alguém traiu alguém e a mineira reapareceu, junto com Temer, na campanha. O resto é conhecido. Ela prometeu mundos e fundos, venceu. Mas não governou. O impeachment foi o remédio necessário para impedir a devastação total da economia brasileira.
 
É estranho que artistas, usualmente bem informados, e com postura considerada esquerdista, ou avançada, admitam servir de cenário para uma campanha retrógrada, equivocada e raivosa. Em 1968, os artistas marchavam junto com o povo a favor da restauração da democracia. Hoje se reúnem em recinto fechado, como um culto messiânico, para aplaudir ideias atrasadas na área da economia, aplaudir restrições à imprensa livre e consagrar pessoas que foram condenadas por desvio de verbas públicas. Além de incorporar sentimento de ódio, revanche e desprezo à democracia. É uma espantosa falta de visão.
 
Não há, neste momento, no Brasil pensamento de vanguarda. A esquerda se perdeu desde a queda do muro de Berlim e do fim da União Soviética.  Basta lançar um olhar para Venezuela e perceber no que resultou a prática dos ideais bolivarianos. Uma das consequências foi a desestruturação da empresa Petróleos de Venezuela (PDVSA). Está falida. A Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo. Maior do que a da Arábia Saudita. Desastre monumental.
 
A eleição deste ano será uma competição de chegada. Neste momento Lula implica em confronto com Bolsonaro. Um ou outro vai cair pelo caminho. Ou os dois. Há Ciro Gomes, na expectativa de Lula ser derrubado pela Justiça. Rodrigo Maia, Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin disputam pelo centro. Corre tranquila na ultraesquerda Manuela D´Ávila, do PC do B. E ainda Álvaro Dias, que não é citado na Lava Jato. Surgirão outros. Difícil no Brasil de hoje é descobrir quem é o candidato da vanguarda, da inovação, defesa da democracia e eficiência da máquina estatal. Até agora nenhum deles mostrou o que o eleitor quer saber.
 
André Gustavo Stumpf, jornalista
 


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