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Lula tem juízo 29.01.2018

Marco Antônio Pontes

 

Barbas de molho

 
Se Lula tiver juízo, colocará as ralas barbas de molho e reverterá o discurso radical a que se entregou nos últimos meses.
É claro que não o fará de repente nem o PT abrirá mão das palavras de ordem incendiárias, necessárias à mobilização da militância em busca de votos no próximo outubro – votos para manter razoáveis bancadas no Congresso e legislativos das unidades federadas, com sorte alguns governos estaduais... e só.
Todos sabiam – Lula à frente – que a derrota do TRF-4 seria acachapante e frustraria até o sonho, sob um ‘plano B’, de candidato alternativo que fizesse boa figura, talvez a disputar o segundo turno.
 
Rasgando dinheiro
 
Lula terá juízo. Deixará o radicalismo a cargo de figuras menores, como as que tem colocado na presidência do PT: antes o inexpressivo Rui Falcão, agora a trêfega senadora língua-solta.
Esses, sim, parecem loucos de queimar dinheiro – literalmente, na época das vacas gordas em que faziam jorrar verbas sobre as entidades sindicais que lhes davam apoio, e metaforicamente ao escorregar na incontinência verbal e incinerar algo mais precioso que papel-moeda, a respeitabilidade de líderes partidários, mesmo ‘laranjas’; foi assim que a atual presidente do PT ameaçou-nos com guerra e mortes caso fosse condenado o chefe de fato.
 
Papagaios de pirata
 
O Lula restaurado e ajuizado tem-se revelado em movimentos interessantes, após interregno de desvario sob pressões da opinião pública e da Justiça – houve um paroxismo de descontrole naquele comportamento errático, inseguro, a ensaiar a velha arrogância que resultou patética no depoimento ao juiz Moro.
Tenho observado, por exemplo, a primeira fila dos ‘papagaios de pirata’ atrás do ex-presidente quando discursa à militância. Nos tempos de glória estavam ali os grandes nomes do PT – Dirceu, Genoíno, Palocci... – agora o segundo plano povoa-se de figuras vagamente conhecidas ou dirigentes subalternos: Miguel Rosseto, Fernando Pimentel, um constrangido Celso Amorim...
(Dilma, eterna suplente, poupa-se esse vexame e quando aparece está ao lado de Lula; e passa a impressão de ‘cumprir tabela’, contrafeita.)
 
Mais ajuizados
 
Não há de ser por acaso que velhos e novos próceres como Tarso Genro, Patrus Ananias, Jaques Wagner, Fernando Haddad, raros ‘fichas-limpas’ entre os principais líderes – os dois últimos possíveis candidatos ‘plano B’ –, tenham-se igualmente preservado. Nem que o governador da Bahia, ‘cria’ de Wagner, não acompanhasse os raros colegas petistas nas recentes encenações de levante contra as instituições.
 
Comedimento, sensatez
 
Se puder arriscar uma aposta, direi que o repaginado Lula que paradoxalmente emerge de sua maior derrota – a confirmação e agravamento da sentença juiz Moro, agora definitiva no conteúdo – daqui pra frente mostrará comedimento nas altercações com a Justiça.
Não é de seu feitio entregar-se ao desespero, como ameaçou ante o susto de descobrir-se (sempre há uma primeira vez...) um cidadão como os outros, vulnerável ante a Justiça que pune quem desrespeita a lei. Recuperará a sensatez e o fará com o proverbial timing político que sempre exibiu.
 
Agora é sério
 
Manterá pro forma, via ‘tropa de choque’, o discurso radical porque não resta alternativa; até estimulará confrontos aos acólitos mais desavisados, porém moderará a própria linguagem. Estará preocupado é com a marcha dos processos judiciais que o ameaçam.
Afora a consumada condenação que poderá leva-lo à prisão em coisa de dois meses e a iminente inelegibilidade, com a qual já contava, tem de haver-se com mais seis processos em que é réu, na fila que anda nas varas federais de Curitiba e Brasília e poderá resultar em mais de cem anos de prisão.
 
Autovitimização
 
Minha aposta respalda-se em décadas de observação crítica da evolução do PT.
Há cerca de meio século este então jovem jornalista participava esperançoso das concertações político-ideológicos de que resultaria o Partido dos Trabalhadores e desde então acompanha, crescentemente desiludido, a longa trajetória do mais bem-sucedido líder populista brasileiro desde Vargas.
Assim avaliei-lhe o comportamento em anteriores percalços e percebi que seu modo preferido de superá-los é a autovitimização. Deu certo quando o líder metalúrgico aguerrido foi de fato vítima de perseguições da ditatura e também quando o poderoso presidente foi apanhado no mensalão e declarou-se “apunhalado pelas costas”, abandonou os companheiros diretamente responsáveis pelos crimes e saiu ileso.
 
Agressividade, mentiras
 
Não seria diferente a estratégia de enfrentamento das ameaças atuais, deflagrada quando se apertou o cerco da Lava a Jato.
No primeiro embate mais duro ele até titubeou, mas logo reagiu e retomou os movimentos táticos conhecidos, nos quais a vitimização acompanha-se de intenso uso da mídia (tradicional e redes sociais) em declarações crescentemente agressivas nas quais exclui fatos que não lhe interessam e inventa outros, se acha necessário – o escasso compromisso com a verdade é outra marca do jeito Lula de fazer política.
 
Constrangimento e covardia
 
Tem-se saído tão bem que num dado momento tive dúvidas. Logo após a infrutífera provocação a Sérgio Moro ele conseguiu uma espetacular ‘volta por cima’, surfando as ondas das reações de aliados e opositores contra a Lava a Jato.
Aparentemente acovardados ante a reedição do velho apodo “imprensa golpista”, os veículos de comunicação abriram espaço a analistas políticos ‘engajados’, que tiveram raia livre para reverberar-lhe as queixas; obteve até apoio de colunistas ultra-conservadores, enquanto quase todos os demais silenciavam ou amenizavam a crítica.
Cheguei a conjeturar se tal processo não reverteria a seu favor a opinião pública, a constranger e imobilizar além da mídia os juízes, procuradores, policiais.
 
Ponto de inflexão
 
Entretanto constatei, como na edição anterior desta coluna, que as instituições funcionam. Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário recusaram o confronto político, rebateram ou simplesmente ignoraram as tentativas de intimidação.
Assim atingiu-se, quarta-feira passada, um ponto de inflexão do processo saneador da política brasileira. A sentença do juiz Sérgio Moro, contestada por rábulas de fancaria enquistados nos veículos de comunicação e por jurisconsultos interessados – afora os legítimos defensores do réu –, foi confirmada unanimemente pelos desembargadores federais da oitava turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, sediada em Porto Alegre.
 
Anticlímax
 
Conforme antevi – profecia nenhuma; apenas disse que o sol iria nascer, como a cada manhã – os juízes do TRF-4 foram impecavelmente técnicos, sem concessões nem apelos, segundo avaliações dos juristas de verdade.
Também imaginei que à decisão, contestada só pelos ‘companheiros’, sobreviria um anticlímax e os esperados conflitos potencialmente sangrentos não ocorreriam, inclusive porque minguaram os recursos com que as tropas de choque corporativas mobilizavam os militantes.
Acertei, de novo: foram pífias as manifestações pro Lula e-ou contra a decisão judicial, nada parecidas com as que no passado tingiam as ruas com o vermelho das camisetas e bandeiras.
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br
 
 


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