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Porandubas Políticas 07.02.2018
Gaudêncio Torquato
 
 
Tudo como dantes
 
O ditado cai bem: tudo como dantes no quartel D Abrantes. (Quem quiser saber como surgiu esse ditado, vá até o final da coluna). As ruas permanecem sem grandes mobilizações, o inferno que o PT pregava caso Lula fosse condenado não apareceu, as palavras de ódio e de incitação à violência amainaram. Essa é a primeira leitura que se pode extrair desses tempos "pós-condenação de Lula". O Brasil não virou de cabeça para baixo. E o PT parece que começa a se convencer da necessidade de pôr os pés no chão e arrumar um plano B - ou seja, indicar um candidato para substituir Luiz Inácio no pleito de outubro.
 
O plano do PT
 
Sabe-se que o PT esgotará todos os recursos à disposição para inserir o nome de Lula na planilha eleitoral. Mesmo condenado no TRF-4, seu caso poderá ser decidido no TSE. O PT poderá pedir o registro da candidatura a partir de 20 de julho, acabando o prazo em 15 de agosto. Após essa data, haverá um prazo de alguns dias para que partido, MP e cidadãos questionem as candidaturas apresentadas. O julgamento pelo TSE pode se estender até 17 de setembro. O PT poderá levar o caso até o STF.
 
E se eleito?
 
Se Lula garantir seu nome nas urnas de 7 de outubro, criará um grande embaraço. Será mais difícil condená-lo ou cassar sua votação, após o pleito? Por isso, a hipótese mais razoável aponta para uma decisão contrária ao PT pelos Tribunais e a substituição do nome de Lula na planilha de candidaturas.
 
Wagner
 
Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, e Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, são dois nomes mais cotados para substituir Lula. Wagner é um carioca “abaianado” (virou baiano) e pode, até, ter uma votação expressiva no Nordeste, mas passa a impressão de que o cargo de presidente está bem acima dele, de sua identidade.
 
Haddad
 
Haddad não foi bem avaliado como prefeito de São Paulo, e passa a impressão de que continua com jeito de schollar, um acadêmico mais atento às ideias marxistas do que às coisas da administração pública. De qualquer forma, ambos poderiam puxar os votos da legenda para a formação de uma grande bancada na Câmara dos Deputados, nas Assembleias e nos governos dos Estados.
 
O maior cabo eleitoral
 
A imagem já está pronta: Lula correrá o território com a pregação de vítima, um político perseguido pelo Judiciário e pelas elites. Fará isso, claro, se não estiver preso. Este é o maior temor do PT, que promete fazer apelos a organismos internacionais. Os petistas tentarão resgatar o apartheid, com o surrado discurso de “nós” e “eles”. Falta de sensibilidade.
 
Incitação à luta armada
 
O discurso de separação e ódio dispara reações fortíssimas contra o petismo-lulismo. Mais ainda quando se ouvem disparates, como aquele lançado pelo senador do RJ, o ex-cara pintada Lindberg Farias, de sugerir o uso da violências nas ruas para defender “o legado do PT”. Esquecem ele e os militantes o gigantesco buraco em que jogaram o país no ciclo de 13 anos do petismo.
 
Centro dividido
 
Continua a pasmaceira nos espaços do centro. Álvaro Dias, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e Rodrigo Maia são nomes que perambulam pelas áreas centrais, mas nenhum deles, até o momento, mostrou condição de avançar. É possível que não tenha havido, ainda, condição para esquentamento das bases eleitorais. Meirelles daria um bom salto se a economia corresse mais rápido na pista do crescimento. Mas não tem nenhum carisma.
 
Quem subirá?
 
Alckmin pode sair com uma grande votação em São Paulo, mas não finca estacas nas roças eleitorais do Nordeste e outras regiões. Rodrigo Maia é muito desconhecido, mas pode canalizar os efeitos da agenda positiva que passou pela Câmara. E Álvaro Dias sofrerá as restrições impostas por pequenas siglas - tempo de mídia eleitoral.
 
Chances
 
De qualquer forma, as chances do centro inserir um nome no segundo turno são grandes. Começa a se firmar a convicção de que Bolsonaro é um nome de ocasião, sem condições de segurar o rojão de uma campanha pesada, densa. Parece estar muito aquém de uma figura presidencial. Será apequenado.
 
Marina e Ciro
 
À esquerda - entrando pelo espaço do centro-esquerda, os nomes de Marina e Ciro Gomes podem se aproveitar bem do afastamento do nome de Lula. Ciro, principalmente, pode avançar com sua linguagem dura. O risco é ser atropelado pela própria língua, com o uso de impropriedades. Marina avançará no terreno dos jovens e de fortes núcleos que votarão sob o compromisso da ética.
 
Huck I
 
Pois é, o nome do animador de auditório passa a ser novamente especulado. Seus programas, ultimamente, se voltam muito para plateias nordestinas. O outsider teria condições de engabelar as massas, principalmente com a exclusão de Lula na lista de presidenciáveis. Fala-se da ideia de resgatar, aqui, o roteiro de Macron, na França.
 
Huck II
 
Lá ele fez uma campanha de lá para cá, ou seja, do povo mobilizado. Criou uma legião de cabos eleitorais, que passaram a fazer a comunicação nas redes. Passou por cima de partidos. Huck teria condições de fazer isso por aqui? Se eleito, passaria por cima de partidos? Como governaria? O Brasil entraria numa grande escuridão.
 
Napoleão e Sherman
 
Napoleão ensinava: faire son thème en deux façons (fazer as coisas de dois modos). O general William Sherman, que comandou a campanha de devastação durante a guerra da secessão norte-americana, também lembrava : “Ponha o inimigo nos cornos de um dilema”. Nunca um político deve trabalhar com uma única hipótese. Um candidato precisa dispor de algumas alternativas.
 
França e Doria
 
A guerra está, por enquanto, nos bastidores. Marcio França, do PSB, vice-governador, é candidato ao governo. Terá a máquina na mão a partir de abril. Forte arma. Mas parcela dos tucanos quer lançar o nome do prefeito João Doria. Será difícil uma composição entre PSB e PSDB.
 
Alckmin vai decidir
 
O governador Alckmin está silente. Contempla a cena. Certamente a decisão final caberá a ele. Doria tem maior chance de pegar o apoio do PSDB, tucano que é. Mas França, com a arma da administração, pode atrair uma parcela razoável de partidos. E ganhar musculatura na mídia eleitoral. João é obstinado. Se decidir mesmo ser candidato, irá para a luta com um grande arsenal e muita disposição.
 
Onde anda Paulo Skaf?
 
Paulo Skaf, o arrojado presidente da FIESP, que foi candidato ao governo de São Paulo, em 2014, anda desaparecido. Fez rápida incursão na propaganda do SESI e desapareceu. Deve estar pensando na reza: passarinho na muda não pia. Skaf quer ser novamente candidato ao governo pelo MDB. A impressão é a de que o dirigente da maior Federação de indústria do país tem ojeriza a fazer campanha usando a sola de sapato, praticando o mão na mão, olho no olho, casa a casa. Ele gosta mesmo é de fazer campanha na televisão. Esquece que os tempos são outros. A articulação com a sociedade organizada é, hoje, a principal perna do marketing eleitoral.
 
Índice de intenção de voto
 
Como deve se interpretar índice de intenção de voto muito tempo antes da reta final de uma campanha? Eis a resposta: índice de intenção de voto é igual ao desenho do elefante visto nos céus. Dentro de pouco tempo, o que era elefante se esgarça e se transforma em gafanhoto; e o que era uma nesga de nuvem, parecendo um gafanhoto, se agiganta, mais parecendo um grande urso. Durante uma exposição massiva, de 35 dias seguidos e intensos, desconhecidos se transformam em astros, celebridades. Afora outsiders saídos da TV. Estes já saem com base bem mais ampla para uma decolagem.
 
Peru não morre de véspera
 
A eleição de um candidato depende do momento, das circunstâncias, da temperatura social, dos versos e reversos da economia, do perfil dos adversários, dos debates e combates na arena eleitoral, dos climas regionais, da força da mídia eleitoral (significando tamanho dos programas eleitorais), dos inputs momentâneos (uma crise abrupta, um caso espetaculoso) - enfim, de uma escala de elementos ponderáveis e imponderáveis. Os fatores imprevisíveis abrem as possibilidades. Única verdade: peru não morre de véspera.
 
PSB vai com quem?
 
Grande dúvida: com que candidato fechará o PSB? Terá candidato próprio? Ciro Gomes e Paulo Câmara, governador de Pernambuco, do PSB, andaram conversando semana passada. Descarte-se essa ideia de Joaquim Barbosa, o esquentado ex-presidente do STF.
 
Juízes sob fogo
 
Os juízes estão sob intenso tiroteio. Os tiros procuram atingir o departamento de privilégios do Judiciário, que abriga muitos auxílios, sendo o mais visado o auxílio-moradia. Como podem um juiz e uma juíza, casados e morando sob o mesmo teto, receberem ambos auxílio-moradia? Se tudo é legal, de acordo com decisões já tomadas pelas Cortes Superiores, abre-se nessa legalidade formidável paredão antiético. O Judiciário até resgatou seu papel de protagonista central nos espaços da crise política. Mas os privilégios estão corroendo a toga.
 
O discurso político
 
Costumo bater nesta tecla. Muita gente se engana com a eficácia do discurso político. Pois bem, o discurso político é uma composição entre a semântica e a estética. O que muitos não sabem é que a eficácia do discurso depende 7% do conteúdo da expressão e 93% da comunicação não verbal. Esse é o resultado de pesquisas que se fazem sobre o tema desde 1960. E vejam só: das comunicações não verbais, 55% provêm de expressões faciais e 38% derivam de elementos paralinguísticos - voz, entonação, gestos, postura, etc. Ou seja, do que se diz, apenas pequena parcela é levada em consideração. O que não se diz, mas se vê, tem muito maior importância. Portanto, senhoras e senhores que encenam peças no programa eleitoral, anotem esta informação.
 
A origem do ditado
 
“A frase surgiu no início do século 19, com a invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica. Portugal foi tomado pelas forças francesas, porque havia demorado a obedecer ao Bloqueio Continental, imposto por Napoleão, que obrigava o fechamento dos portos a qualquer navio inglês. Em 1807, uma das primeiras cidades a serem invadidas pelo general Jean-Andoche Junot, braço-direito de Napoleão, foi Abrantes, a 152 quilômetros de Lisboa, na margem do rio Tejo. Lá instalou seu quartel-general e, meses depois, se fez nomear duque d Abrantes. Nada mudou. O general encontrou o país praticamente sem governo, já que o príncipe-regente Dom João VI e toda a Corte portuguesa haviam fugido para o Brasil. Durante a invasão, ninguém em Portugal ousou se opor ao duque. A tranquilidade com que ele se mantinha no poder provocou o dito irônico. A quem perguntasse como iam as coisas, a resposta era sempre a mesma: “Esta tudo como dantes no quartel d Abrantes”. Até hoje se usa a frase para indicar que nada mudou. A explicação é de Flávia Souto Maior, que assim se define: tradutora inglês e espanhol-português. Formada em jornalismo pela ECA-USP, trabalha quase exclusivamente com tradução de livros desde 2007. Tem no currículo mais de 60 obras traduzidas para grandes editoras brasileiras. Amante de idiomas e literatura.
 
Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato

 



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