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Cair na real 26.02.2018
André Gustavo Stumpf
 
A notícia de que tropas do ditador Solano Lopez, do Paraguai, tinham invadido Mato Grosso, em 1864, e caminhavam na direção do Rio Grande do Sul levou seis semanas para chegar ao Rio de Janeiro. Muita gente custou a acreditar e a perceber que havia uma guerra diante dos narizes dos barões, viscondes e marqueses. A solução foi montar tropa e enviar navios para combater o invasor. O Império descobriu que estava sendo confrontado. Havia uma guerra em curso. Impossível negar.
 
Brasileiros, em geral, e cariocas, em particular, descobriram que para além das análises sociológicas há uma guerra em curso. Impossível negar. Impossível fugir. Metade da cidade do Rio de Janeiro não é atendida pelos serviços dos Correios por causa da bandidagem. Apenas neste ano 16 policiais militares foram mortos, dois policiais civis (um deles, delegado). Três crianças foram mortas por balas perdidas e outras três foram feridas. Além disto, as ocorrências no carnaval resultaram em dezenas de ataques dos mais variados objetivos e estilos. Violência explícita.
 
Mais da metade destes ataques tem origem no tráfico de drogas. Grandes carteis se organizaram a partir da Colômbia, quando a cocaína deixou de ser uma droga de endinheirados e chegou à classe média. Os produtores colombianos produzem em média 700 toneladas de cocaína pura por ano. A maior parte é enviada para os Estados Unidos, outra para a Europa e a terceira abastece a região. Os produtores consideram normal perder cerca de 150 toneladas do produto com pagamentos de propina ou apreensões policiais. Estas circunstâncias já estão precificadas
 
A droga se espalhou e se misturou com a política. Grupos guerrilheiros de esquerda na Colômbia e no Peru se associaram a traficantes. Na Bolívia, a tradição de mascar coca, mascara a produção do pó para outros fins. O Paraguai e a Venezuela são países amigáveis. Costumam proteger traficantes e naturalmente obter vantagens com essa política. Todos os países das Américas estão envolvidos nesta guerra. Os brasileiros apenas descobriram agora que estão no meio de uma guerra. O país é o maior consumidor de crack do mundo, o segundo maior de cocaína e um gigantesco corredor para a exportação em direção à Europa e África.
 
No final do ano passado, entrou em vigor no México a Lei de Segurança Interior que permite o uso do Exército como força policial para atuar em todo o território nacional. Aprovada pelo Parlamento a legislação recebeu críticas de entidades de direitos humanos e órgãos internacionais. As principais ressalvas são as de que a legislação poderá resultar em restrição de liberdades individuais. Muito semelhante ao que está sendo debatido por aqui.
 
País com características distintas do México, a Colômbia termina o ano com uma redução na taxa de homicídios em cidades-chave, especialmente em Bogotá, mas também em Medellín e Cali. As eleições deste ano serão as primeiras realizadas no país depois do acordo de paz com a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Depois de apanhar muito da guerrilha, sofrer com seus ataques constantes e contra-ataques furiosos do Exército, os colombianos começaram a investir em urbanismo e na criação de espaços de convivência. Medellín, que já foi uma das cidades mais violentas do mundo (anos 80/90), passou a ser cidade que exporta projetos urbanísticos.
 
Os brasileiros estão diante de aceitar a realidade de uma guerra em curso. O objetivo dos traficantes não é tomar o poder político, mas ter condições de mantê-lo sob controle. Ou seja, investir nas eleições de deputados federais ou estaduais. Influir nas polícias e conseguir algum tipo de manipulação nos órgãos do judiciário. As linhas de combate são diversificadas, com níveis bem diferentes e variadas. Para chegar ao estágio de fazer as pazes com a guerrilha, morreram mais de 60 mil pessoas ao longo de cinco décadas na Colômbia. Sofrimento pavoroso.
 
As fronteiras secas do Brasil são extremamente vulneráveis. A longa costa desprotegida é um convite ao contrabando ou descaminho. O país está de frente para a Europa e a África. O mercado interno de consumo da droga se encontra em plena expansão. O sistema financeiro precisa explicar melhor como quantidades inimagináveis de dinheiro entram e saem do país. Ou de que maneira Geddel Vieira Lima conseguiu juntar mais de R$ 50 milhões, em espécie, dentro de um apartamento em Salvador. Nenhum brasileiro tem condições de realizar esta façanha, sem dispor de assessoria especialíssima. E com nível de excelência. 
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.


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