Brasília, 16 de Agosto de 2018
Página inicial
Quem somos
Contato
Cadastre-se
Anuncie aqui
Notíias | Entrevistas | Notas | Artigos | Enquete | TV Câmara | TV Senado | Agendas

Anuncie Aqui

Segunda dentição 12.05.2018
André Gustavo Stumpf
 
Diversas pesquisas quantitativas que os partidos políticos estão realizando indicam o mesmo fenômeno: o brasileiro está indignado, humilhado, ofendido, revoltado e absolutamente descrente dos políticos nacionais. A roubalheira destampada pela Polícia Federal em todos os quadrantes do cenário político-partidário não poupa ninguém. Lula, o ex-presidente preso, é quem reúne mais apoio para eventual disputa para Presidência da República. Mas é também quem possui a maior rejeição. O desprezo dedicado aos demais é proporcional à sua respectiva exposição pública.
 
Em bom português, não está bom para ninguém. A sensação de que o que povo quer desmanchar o atual cenário nacional embala solitariamente Jair Bolsonaro. Ele não é candidato dele, nem de suas ideias ou de seu eventual protagonismo. Ele é candidato deste sentimento de revolta profunda, de indignação em altíssimo grau que domina o eleitorado brasileiro. O candidato sabe disso e abusa de respostas diretas. Incentiva a prisão de ladrões e bandidos. Joga duro contra a Polícia e ataca a imprensa, como sendo conivente com o atual estado de coisas. Resultado: ele tem o melhor nível de aprovação junto ao eleitorado.
 
Marqueteiros de partidos importantes começam a se preocupar com a candidatura do deputado carioca. Não será fácil desconstruí-la porque ela representa este coletivo de frustrações nacionais. Seria o símbolo da revanche. Com ele, os brasileiros estariam protegidos e os bandidos iriam para a cadeia. A promessa implícita é de que a criminalidade nas cidades deverá cair porque ele vai dar todo prestígio aos policiais. Esta é a visão simplista que as pesquisas de opinião revelam. Por esta razão, o candidato não explicita ideias, projetos ou programas. Há um receio de que ele não tenha projeto nenhum. Ele trabalha objetivamente para chegar ao Palácio do Planalto.
 
Essas circunstâncias explicam sucessivas desistências. O apresentador Luciano Hulk, o treinador de vôlei Bernardinho, Joaquim Barbosa – que não quis deixar a sua tranquilidade do Leblon – e mais recentemente Michel Temer. Lula não será candidato por força das trapalhadas em que se meteu. Foi condenado em primeira e segunda instância. Seus advogados perderam mais uma ação no Supremo Tribunal Federal nesta semana. A esquerda brasileira não evoluiu. Permaneceu com as ideias revolucionárias de 1968. Não alcançou a segunda dentição.
 
Palavras e atos do recentíssimo desgoverno Dilma Rousseff lembram preocupações nacionalistas das administrações militares. Extrema esquerda e extrema direita se encontram. A reserva de mercado no setor de informática foi defendida pelos dois extremos. A consequência foi colocar o Brasil fora do mercado e na mão dos contrabandistas de computadores.
 
Os partidos de esquerda carregam o pesado fardo de representar governos ineficientes, corruptos e chefiados por dirigentes também corruptos. Não é novidade. Os países comunistas do Leste Europeu terminaram da mesma maneira. Suas administrações foram envolvidas em desastrosas transações. A Alemanha Oriental sumiu do mapa e da história. Não tinha viabilidade econômica, mas sua elite enriqueceu com empréstimos originários de países do Ocidente. Nas Américas coisas semelhantes acontecem. O regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, é mantido pelo serviço secreto cubano e pelo tráfico de drogas que enriquece seus comandantes. E Daniel Ortega, ídolo sandinista, já está no seu quarto mandato. 
 
Outros candidatos vão sair da disputa no Brasil ao longo do mês. Na verdade, a corrida agora é por montar as composições entre partidos. Restarão poucas opções. E o tempo de televisão vai privilegiar os grandes partidos. Isso significa que a fase mais importante, antes da eleição, é a atual. A escolha dos parceiros aumentará a exposição pública na televisão e no rádio. Em teoria, maior tempo deverá resultar em maior votação. Nem sempre é assim. O candidato precisa ser artista para conquistar o eleitor com palavras, projetos ou promessas. 
 
A esquerda precisa se compor entre si. Sem acordo, não chegará ao segundo turno. Este é o esforço de Ciro Gomes que pretende herdar, por gravidade, o espólio do Partido dos Trabalhadores. No centro, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Rodrigo Maia e Álvaro Dias disputam o privilégio de comandar uma chapa. Divisão neste caso também será suicídio. Na direita, Bolsonaro, sozinho, e com tempo ridículo de televisão, tenta representar a indignação nacional. A história não vai acabar nesta eleição. 
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.
 


ABC POLITIKO - LINHA DIRETA COM O PODER
COMENTE ESTE ARTIGO   LEIA COMENT√?RIOS (0)  

Voltar a P√°gina Principal Voltar a P√°gina Principal Voltar a P√°gina Principal Voltar a P√°gina Principal
CONTEÚDO RELACIONADO

16-08-2018 Procuradora contesta no TSE candidatura de Lula ao Planalto
15-08-2018 Alckmin presta depoimento sobre caixa 2 em campanhas
15-08-2018 Porandubas Políticas
15-08-2018 Deputado-presidi√°rio tem liminar para registrar candidatura
15-08-2018 Relator pode negar pedido de Lula, diz Rosa Weber
14-08-2018 Primeira Turma do STF rejeita recurso de Agripino
VEJA MAIS

16-08-2018 Procuradora contesta no TSE candidatura de Lula ao Planalto
15-08-2018 Alckmin presta depoimento sobre caixa 2 em campanhas
15-08-2018 Porandubas Políticas
15-08-2018 Deputado-presidi√°rio tem liminar para registrar candidatura
15-08-2018 Relator pode negar pedido de Lula, diz Rosa Weber

VEJA TODOS

SRTVN Quadra 701 Bloco B Sala 826 - Centro Empresarial Norte | Brasília - DF | CEP 70710-200 | Fone: (61) 3328-2991 | Fax: (61) 3328-2152