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Tsunâmi de lama, sangue ...e a normalidade anômala 12.05.2018

Marco Antônio Pontes

 

 Maremoto político

 
Os memorandos da CIA reabrem feridas dos torturados e familiares dos ‘desaparecidos’ da ditadura, ameaçam personagens da história, provocam um maremoto político que estremece e inunda a já convulsionada cena brasileira. No refluxo, pode arrasar pretensões eleitorais.
O tsunâmi promete afogar num mar de lama e sangue reputações, biografias, converter heróis em vilões, evidenciar ameaças em roupagem de esperança.
Ainda não dá para aferir o tamanho do estrago mas sabe-se desde já que é formidável; talvez até benéfico, malgrado a indignação e dor que provoca. A ver no que dá.
Enquanto isso observemos ondas e marolas que há décadas se abatem sobre nós, de menor impacto imediato mas nem por isso menos destrutivas em sua constância, ‘normalidade’.
 
Perversa ‘normalidade’
 
É mais que tempo de alguém perceber quanta coisa errada ocorre no Brasil e todo mundo acha ‘normal’. Alguém precisa notar o absurdo e atribuir-lhe adjetivo certo (qualquer um, desde que se oponha a ‘normal’).
E não me refiro à corrupção endêmica e demais falcatruas, ou à impunidade tradicional nas altas rodas empresariais e políticas, nem à desfaçatez com que na Justiça finge-se que tudo está bem, “não há morosidade no STF” (palavras quase exatas de um ministro, sob apoio de dois ou três e silêncio obsequioso dos demais) ao julgar os privilegiados do tal ‘foro especial por prerrogativa...’ etc. – que disso tudo a sociedade já sabe, protesta e até obtém mudanças.
Falo de coisas mais prosaicas e igualmente inaceitáveis.
 
Olhos fechados
 
Falo de fatos e fenômenos que se repetem há décadas, as pessoas acostumaram-se e se alguma vez reclamaram desistiram, por cansaço ou desencanto. Compreende-se que a maioria assim proceda, embora isso não atenue o caráter perverso das anomalias.
O que definitivamente não se pode aceitar é que as elites omitam-se (e retiro do termo a conotação que lhe pespegou o lulismo, ‘a zelite’ que ‘us cumpanhero’ elegeram adversários preferenciais).
É condenável que as elites intelectuais – acadêmicos, profissionais liberais, artis-tas – fechem os olhos; deixo de lado os chefes políticos, os executivos governamentais e empresariais, quantos mais interessadamente finjam não perceber para aproveitar-se da ignorância.
Sobretudo é inaceitável que passemos ao largo os jornalistas, que temos o dever de atentar para o que escape, pelo menos, à razoabilidade.
 
 
Parlamentos vazios
 
Proponho aos leitores um primeiro exemplo, vejam o que fazem os congressistas e seus homólogos nas unidades federadas e municípios: a cada eleição esvaziam o Senado, a Câmara dos Deputados, as assembleias legislativas estaduais e distrital, as câmaras de vereadores porque seus membros devem ocupar-se das respectivas campanhas eleitorais.
 
Faltas ao trabalho
 
A ninguém parece ocorrer que os parlamentares movem-se em a cada campanha pelo interesse pessoal, no máximo grupal de reeleger-se.
– Ah! – dir-se-ia –, eleições são pedra-de-toque da democracia, é preciso liberar seus protagonistas dos afazeres de rotina.
Falácia em causa própria: o primeiro dever dos parlamentares é exercer suas funções nos parlamentos para os quais foram eleitos, tal é seu maior compromisso democrático; que reservem fins de semana e feriados às campanhas com que tentam manter o mandato e compareçam ao local de trabalho nos demais dias, como qualquer outro brasileiro.
Sem falar que a visibilidade da função legislativa já lhes oferece um poderoso instrumento de campanha.
 
Vantagem indevida
 
Há também uma questão de isonomia. Nenhum outro cidadão, seja ele o rico empresário ou o faxineiro de seu escritório, pode simplesmente abandonar as funções para dedicar-se ao nobre exercício da política e disputar eleições.
E o privilégio estaria ainda mais patente se os políticos, eles próprios, apreendessem melhor o significado do jogo democrático e o jogassem limpo: os que têm mandato e o exercem com eficiência colocam-se, desde a partida, em nítida vantagem.
 
Uso da máquina
 
Cargos e funções no Poder Executivo costumam igualmente ensejar privilégios em eleições e outra vez as irregularidades, por usuais, adquirem foros de ‘normalidade’.
O proverbial uso da máquina administrativa por prefeitos, governadores e presidentes da República chegou a ser criticado quando se instituiu a reeleição para tais cargos e o PT, então principal partido de oposição, desancou Fernando Henrique por valer-se do poder na recondução – pena haja esquecido o princípio ético tão logo chegou a vez de Lula permanecer na Presidência.
E os tucanos, por sua vez, só se lembraram de condenar a utilização da máquina quando o PT o fez, com idêntico descaramento.
 
Menores e poderosos
 
Certamente resulta mais pernicioso o uso nem tão aparente de posições de mando por integrantes do segundo, terceiro e demais escalões da administração pública – até por menos percebido, embora mais frequente.
Não raro um diretor de órgão público, um gerente de setor, chefe ou subchefe de seção (sobretudo em autarquias e empresas do estado) é capaz de decidir o emprego de vultosas verbas e usá-las em proveito eleitoral, para si ou seu partido, grupo político ou simplesmente sua ‘turma’.
 
Depravação execrada... e coonestada
 
Não entra nestas considerações do inadmissível travestido em ‘normal’ a já de-vidamente execrada depravação do presidencialismo dito de coalisão: a troca de benes-ses a parlamentares por votos a favor de governos.
Malgrado condenada unanimemente (até pelos autores...) ela permanece, gera efeitos deletérios e foi até coonestada candidamente pelo ministro do Gabinete Civil, o estratega-chefe do presidente da República.
 
Iguais na omissão
 
Terei mais ‘normalidades’ anômalas a registrar, serão objeto de próximas colunas. Volto entrementes ao penoso cotidiano para passar ‘de passagem’, por enquanto, sobre o incêndio e desabamento do edifício em São Paulo.
Tragédia anunciada – opino ‘de bate-pronto’ só para constatar que da anunciada tragédia não se aperceberam os que por dever de ofício tinham obrigação de antecipar o desastre: de um lado o omisso poder público (municipal, estadual, federal), do outro os organizadores da ocupação imprevidente e irresponsável de um edifício que mantiveram, desde 2009, sem mínimos cuidados de conservação.
 
Mãe-heroína
 
E este provecto, cético, nada passional escriba abre exceção e rende-se à efemé-ride – uma daquelas datas apoderadas pela comercialização dos sentimentos – para homenagear as mães neste segundo domingo de maio.
Faço-o em apaixonada solidariedade a minhas filhas, em seu primeiro vazio Dia das Mães e a reviver o vazio persistente há 62 anos, a falta da Mãe que perdi aos catorze anos.
E sobretudo num preito a Valéria de Velasco, mãe-heroína que representa e convoca à luta todas as mães que choram filhos perdidos para a violência.
 
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br


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