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CORRUPÇÃO
Delator confirma propina de R$ 1 milhão a amigo de Temer 06.06.2018
Divulgação
Coronel Lima é afinado com Temer

Brasília - A Polícia Federal e o Ministério Público Federal estão aprofundando três linhas de investigação com foco no coronel João Baptista Lima Filho, amigo há décadas do presidente Michel Temer. Documentos mostram o envio ilegal de dinheiro para o exterior. O coronel Lima e o presidente Temer são investigados no inquérito dos portos, que apura pagamento de propina em troca de um decreto para beneficiar empresas do setor.

Os investigadores que atuaram na Operação Patmos, deflagrada em 2017, depois das delações da J&F, afirmam que "a PDA Administração e a PDA Projeto e Direção Arquitetônica, duas empresas do Coronel Lima, teriam um saldo disponível de quase R$ 23,7 milhões.

Os investigadores dizem também que documentos apreendidos mostrariam que o coronel Lima enviou dinheiro para o exterior, à margem do sistema financeiro oficial.

No inquérito sobre o decreto dos portos, os investigadores também aprofundam as investigações sobre o elo entre o coronel Lima e a empresa Engevix.

Segundo os investigadores, a Argeplan, empresa do coronel Lima, teria subcontratado a Engevix para fazer obras da Eletronuclear. Em troca, Lima teria recebido R$ 1 milhão. A Lava Jato apura se houve desvio de dinheiro na Eletronuclear para políticos do MDB, partido de Temer.

Em um documento enviado ao Supremo, sobre a Operação Skala outra operação dentro do inquérito dos portos, que prendeu dois amigos de Temer, políticos e empresários do setor, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apontou um trecho da delação premiada de José Antunes Sobrinho, da Engevix. Sobrinho afirmou que "a Argeplan só conseguiu o contrato por ser ligada a Michel Temer" e "precisou subcontratar a Engevix porque não tinha capacidade para o serviço”.

Raquel Dodge também citou um relatório feito em 2018, pela Polícia Federal, que apontou crescimento da Argeplan em 20 anos, inclusive no setor nuclear, depois que a AF Consult, da qual Lima era acionista, fechou contrato em 2012 de R$ 160 milhões com a Eletronuclear nas obras de Angra 3 e subcontratou a Engevix.

Provas

As buscas serviram para coletar documentos e embasar essas linhas de investigação, sobre suspeita de corrupção envolvendo a Engevix e a Eletronuclear. A PF relatou que no imóvel da PDA, uma das empresas do coronel Lima em São Paulo, havia no subsolo um cômodo com uma sala trancada com duas portas. A PF acionou chaveiro e na sala havia quatro cofres. Nos cofres, documentos sobre e AF Consult, Engevix, Eletrobras e Eletronuclear, ligadas ao contrato de Angra 3.

Agora, a Polícia Federal analisa todo o material apreendido sobre a Eletronuclear, e cruza as informações com dados da Operação Patmos. Os investigadores também avaliam as quebras de sigilo autorizadas contra os investigados. O relator do inquérito dos portos no Supremo, ministro Luís Roberto Barroso, deu prazo até o início de julho para a Polícia Federal concluir a análise da documentação que foi apreendida.

E nesta terça-feira (5), num depoimento em Brasília, o sócio da Engevix, o empresário José Antunes Sobrinho, confirmou o repasse de R$ 1 milhão para o coronel João Batista Lima Filho, amigo de Temer. A suspeita é que o dinheiro tenha como beneficiário final o presidente. As informações podem ser usadas na investigação.

Defesas

A assessoria do presidente Michel Temer afirmou que ele não possui empresas e não tem relação com as empresas citadas. E que o vazamento de inquérito sigiloso só serve para impedir que o presidente se defenda e para criar versões falsas e irresponsáveis.

O coronel Lima nega a prática ou participação em qualquer conduta ilícita.

O MDB não quis se manifestar. A reportagem não conseguiu contato com a Engevix e não teve retorno da Eletronuclear.

Com agências 



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