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Lula, o cabo eleitoral pé frio 09.06.2018
Ruy Fabiano
 
O mito da popularidade de Lula, sustentado por pesquisas de encomenda, foi desfeito esta semana (para quem ainda tinha dúvidas), nas eleições suplementares para o governo do Tocantins. 
 
A favorita, senadora Kátia Abreu (PDT), amargou um inesperado quarto lugar depois que um vídeo, posto nas redes sociais, na antevéspera do pleito, pela senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, anunciava o apoio de Lula à sua candidatura.
 
O mesmo fenômeno já havia ocorrido pelo menos duas vezes. Nas eleições municipais de 2016, Lula pediu votos para seu enteado, Marcos Cláudio, candidato a vereador em São Bernardo do Campo, cidade em que reside há quase meio século. Marcos não se elegeu.
 
Ano passado, em eleição suplementar para a prefeitura do município piauiense de Miguel Leão, Lula gravou um vídeo pedindo votos ao candidato, até então favorito, Jailson Souza, apoiado pelo governador petista Wellington Dias. Jailson foi derrotado.
 
A popularidade de Lula já era questionada por ele próprio, ao evitar comparecer a locais públicos e a viajar em aviões de carreira. Nas poucas tentativas que fez, viu-se hostilizado. Passou a viajar em jatinhos e a falar apenas a plateias de correligionários.
 
Em 2007, quando a propaganda petista o proclamava como o maior líder de massas da história do Brasil, ele foi vaiado na abertura dos jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro. 
 
A intensidade das vaias foi tal que o fez desistir de abrir oficialmente os jogos e não mais compareceu a solenidades públicas. Nem à Copa do Mundo, ele, torcedor ardoroso, que se gabava de tê-la trazido ao Brasil, compareceu. Não foi a um único jogo.
 
A propaganda do PT quanto à popularidade de Lula, que convenceu a muitos, e converteu-se quase num apodítico, não convenceu, porém, a ele próprio, Lula. Tratava-se da fabricação de um mito, um ídolo de pés de barro.
 
Os sinais do engodo, porém, já podiam ser percebidos em dados objetivos: nenhum candidato petista, nem ele mesmo, jamais se elegeu no primeiro turno. Esse era o grande desconforto que ele nutria em relação a Fernando Henrique, que, embora jamais proclamado líder de massas – e de fato não o foi -, elegeu-se e reelegeu-se, contra Lula, no primeiro turno.
 
Outro momento em que o mito se despojou foi por ocasião da condenação judicial e consequente prisão. O PT proclamava que o país iria se convulsionar. O próprio presidente Temer, adversário aparente de Lula (e apenas aparente), se opunha a sua prisão, sob alegação de que provocaria uma revolta popular.
 
Gleisi Hoffmann advertiu que haveria inclusive mortes e que o partido levaria multidões inflamadas às ruas. Não aconteceu rigorosamente nada. A prisão de Lula teve como manifestação única um comício-pileque no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo.
 
Não obstante, o PT, sem alternativa, insiste em que Lula, nas palavras de Jacques Wagner, que o visitou na quinta-feira, na prisão, é “candidatíssimo” à Presidência da República, hipótese que só se consumaria com um golpe de Estado – algo tão fantasioso quanto a popularidade do líder encarcerado
 
Ruy Fabiano é jornalista e escritor
 


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