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Desconfiar 19.06.2018

André Gustavo Stumpf.

No final dos anos 70 quando o movimento estudantil, infiltrado pela esquerda, estava no seu auge, a Igreja Católica respondeu com a teologia de libertação. Incendiou corações e mentes de religiosos, padres e até bispos, além, naturalmente, de fiéis. A ideia de interferir na política em favor dos pobres e favorecer partidos de esquerda espalhou-se pela América Latina. A exceção foi a Igreja Católica na Argentina, que trabalhou abertamente ao lado dos generais. No Brasil, ao contrário, o confronto entre militares e igreja foi constante.

Os conflitos urbanos e rurais eram usuais no Brasil. Os bispos católicos, brasileiros ou estrangeiros, tinham enorme protagonismo político. Havia tensão entre eles e os militares. São vários os exemplos de religiosos que ajudaram estudantes e perseguidos pela repressão. Não vale a pena citar nomes, mas os exemplos são variados. No Leste Europeu, a Polônia enfrentava problema reverso. Uma liderança sindical católica fazia oposição aberta ao regime comunista. Era o sindicato chamado de Solidariedade, comandado por Lech Walesa. É aí que as histórias de cruzam.

O Papa João Paulo II, polonês, estadista de primeira linha, decidiu auxiliar seus compatriotas na luta contra os comunistas. E o governo dos Estados Unidos, por intermédio das suas agências de inteligência, contribuiu com dinheiro, informações, ajuda de todos os tipos no esforço para enfraquecer o regime. O trabalho conjunto dos norte-americanos e dos representantes do Papa João Paulo II rendeu frutos. O comunismo começou a desabar depois das enormes manifestações populares nas ruas de Varsóvia, Gdansk e Cracóvia. O símbolo da revolução era a cruz de cristo.

A liderança do sindicato Solidariedade era anticomunista. Fazia sentido. A luta deles era contra o regime soviético. Foram bem sucedidos. Depois de obter a fantástica vitória no Leste Europeu, João Paulo II decidiu investir contra os seguidores da teoria da libertação na América Latina. E tratou de transferir para locais remotos seus principais líderes. Deles, hoje, resta muito pouco. A opção preferencial pela pobreza se transformou, na Igreja, em mera retórica.

Aquele cenário inicial gerou consequências. A principal delas, no Brasil, foi o surgimento do Partido dos Trabalhadores e de seu líder, o metalúrgico Lula. O PT significava, na época, o pensamento de vanguarda e projetava futuro melhor para o país. Foi uma febre que grassou entre estudantes, liberais e trabalhadores. Suas lideranças rejeitavam os partidos tradicionais e não queriam acordo, conversa ou negociação com legendas tradicionais. No Congresso havia cerca de 300 picaretas, conforme a definição do metalúrgico. Eram virgens no exercício da política. Não assinaram o texto da Constituição de 1988, considerada por eles como resultado de um acordo burguês.

Quem olhar para trás vai perceber que nada disso deu certo. O purismo foi acabando na medida em que as coligações se fizeram necessárias para alcançar o poder. Lula chegou a fechar acordo com o Paulo Maluf, símbolo maior da corrupção no país. Naquele período, após o término do processo constituinte, um grupo de parlamentares decidiu criar uma dissidência do PMDB, para se livrar dos males e acusações proporcionados pela liderança de Orestes Quércia. Eram também puristas. O tempo se encarregou de embaraçar os objetivos. Os militantes do PSDB descobriram que houve mensalão em Minas e que Aécio Neves frequentou com regularidade o balcão de Joesley Batista.

Tudo deu errado para quem sonhou com a teologia de liberação ou namorou a ideia do socialismo europeu no Brasil. É por essas razões que as eleições de outubro custam a engrenar. Não há candidatos definidos. A população está anestesiada e desconfiada. Distante. Melhor proteger a alma para sofrer menos.

André Gustavo Stumpf é jornalista
 



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