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Vai, Brasil!... mas o governo "amarelou" 30.06.2018

 Marco Antônio Pontes

 

“Vai, Brasil!”
 
“É preciso tirar o peso do coração, – escreveu Ana Dubeux no dia da estreia da seleção brasileira na Copa da Rússia – já bastam os estádios faraônicos e deficitários para lembrar que a Copa no Brasil deixou um legado trágico.”
Na bela crônica a ardorosa torcedora do Santa Cruz, do Recife, confessa des-cumprir a promessa de deixar de lado seleção, copas mundiais, tudo o que a fez sofrer após “o abalo sísmico” provocado pelo ignóbil 7 x 1 de 2014 e retoma o afã de aficio-nada, “pronta para o grito de gol, o Hino Nacional no estádio, Vai, Brasil! É maior que eu.”
 
“Opio do povo”
 
Tem jeito não, Ana, é maior que qualquer um. Gostamos de futebol e não nos basta o gosto, precisamos de engajamento, preferência apaixonada e exclusivista pelos clubes do coração. E o mesmo elã que separa e conflita torcidas exige tréguas a cada quatro anos para compartilhar o fervor por mais um título.
Mesmo sabendo, ressalvou a diretora de Redação do Correio Braziliense, “que há um tantão de coisas mais importantes [...] e o futebol, ópio do povo, vai-nos tirar o foco das eleições e dos escândalos políticos”.
 
Primeiros deuses
 
Não é novo, o fenômeno. Em relatos históricos soube do advento desta seita, cuja igreja é a seleção de futebol – religião politeísta de culto mutante conforme as gera-ções de fiéis em cada Copa.
Imagino que o início tenha ocorrido em algum momento entre a primeira, realizada em 1930 no Uruguai e a terceira, em França, 1938. Sugiram nesse intervalo ou pouco antes os primeiros atletas-deuses – do precursor Friedenreich a Araken, Luizinho, Domingos da Guia, Leônidas...
 
Deuses decaídos
 
A codificação da fé ocorreu em 1950, trajetória de sucesso que terminou em tragédia e sacrifício, tudo condizente com nosso misticismo judaico-cristão.
A campanha seguiu vitoriosa, avassaladora até a semifinal em que os deuses de então – Zizinho, Jair, Ademir, Danilo – impuseram memorável goleada à prepotente Espanha fascista.
E então veio a tragédia de 16 de julho, no Maracanã com 155 mil torcedores e foi preciso sacrificar alguém no altar da pátria confrangida.
A crônica esportiva escolheu dois deuses decaídos, corretos profissionais imola-dos para purgar a ‘humilhação nacional’.
 
Deuses renascidos
 
O instinto religioso informou (informa) as torcidas desde então.
A fé atingiu píncaros místicos na primeira conquista em 1958, logo confirmada em 1962, malgrado decepcionada em 1966 para recrudescer em 1970.
É daquela Copa, a do México em que renasceram os deuses, que registro teste-munho do grande e bravo poeta Thiago de Melo, autor de Faz escuro mas eu canto – ele cantava nos tenebrosos tempos da ditadura.
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Somos contra, porém...
 
Contou o poeta, improvável sobrevivente da esquerda dizimada pela ditadura nos escalões do estado (coisas do Brasil...), por isso adido cultural da embaixada brasi-leira em Santiago, Chile, que recebeu em casa exilados brasileiros para assistir na TV à Copa do México.
Primeiro embate da seleção brasileira, logo contra a Tchecoslováquia, nação so-cialista, prevaleciam revolta e represália: todos afirmavam torcer contra “a seleção da ditadura”.
Ao nosso primeiro gol, porém, ruiu a atitude política: todos comemoraram-no festivamente, o que se repetiria nos embates seguintes até a vitória final.
 
Tanto fez, tanto faz
 
Esta Copa do Mundo não diferirá das demais, seja ou não campeã a seleção brasileira. A torcida, crítica às vezes, segue frenética na aspiração do sexto campeonato.
Tampouco diferirá o comportamento dos torcedores quando assumirem a condi-ção de cidadãos, portanto eleitores: o frenesi dito patriótico na vitória ou a depressão em eventual debacle (vade retro!) pouco influirá na opinião pública, no que concerne à política. Euforia ou decepção não condicionará resultados eleitorais – assim foi nas copas anteriores, ganhas ou não.
 
Bom começo
 
Afinal destaco, da Copa na Rússia, o protagonismo do VAR, sigla em inglês para a arbitragem de vídeo. É um grande avanço, já contribui para reduzir pressões sobre os árbitros e favorecer resultados justos.
Ainda restam controvérsias, de resto dificilmente elimináveis num esporte que mobiliza multidões. Já houve, nesta edição, casos em que a tecnologia não foi acionada e teria evitado erros crassos, e outros em que se utilizou e não dirimiu dúvidas.
 
Possível avanço
 
Mas o uso cotidiano aperfeiçoará o modelo, que está só no primeiro ensaio. O futebol atrasou-se em comparação com outros esportes coletivos, afora o atletismo, na-tação e outras modalidades olímpicas que se valem de equipamentos de aferição desde que estão disponíveis.
Um passo adiante será facultar aos treinadores o pedido de verificação dos lances duvidosos, como ocorre no tênis, vôlei, basquete. A FIFA resiste, como tem resistido a mudanças, mercê do autoritarismo que a informa e perpassa as normas de arbitragem.

Pode isso? Arnaldo!
 
“O juiz apita bem. Não viu aquela falta, mas fora esse detalhe está bem.”
A frase é de Arnaldo César Coelho, ex-árbitro, comentarista da Tv Globo e obv-amente se refere a ‘juiz’ de futebol.
Arnaldo mediou duas finais de Copa do Mundo; faz décadas tem nada a ver com os ex-colegas, afora relacionamentos pessoais; pois nem assim escapa do corporativismo, reluta em apontar erros de arbitragem: “aquela falta”, o “detalhe” ignorado foi simplesmente um pênalti, como o próprio Arnaldo detectara.
 
Diplomacia em pânico
 
Terça-feira passada o presidente Temer recebeu o vice dos EUA, que há de ter aproveitado os preparativos da viagem para perguntar onde fica o Brasil e aprender que a capital não é São Paulo. 
Veio em nome de Trump, que por sua vez terá ensinado ao emissário: “Dizem que é país grande, quase do tamanho do Texas; lá se fala espanhol, eu acho, ou algum dialeto incompreensível.”
Difícil, a tarefa da respeitada diplomacia brasileira ao organizar a visita, a haver-se com um Departamento de Estado (o ministério do exterior lá deles) comandado por um egresso da CIA.
 
Iniquidade, crueldade
 
Mike Pence veio cobrar aperto maior do Brasil à protoditadura venezuelana – solitário acerto do governo Trump na política para a América Latina, ainda que por motivos errados e sob métodos iníquos, a par de inócuos.
O encontro ocorreu justo em meio à absurda, cruel, pungente separação de cri-anças dos pais e mães nas fronteiras sul-estadunidenses, ordenada por Washington, a antecipar odienta punição aos imigrantes ilegais e chantagear o Congresso para reverter mais um legado de Obama.
 
Antes, porém...
 
Tivéssemos um governo forte, popular e politicamente, o presidente Temer, ins-truído pelo Palácio dos Arcos, teria dito a Pence que tudo bem, os brasileiros estamos ‘por aqui’ com Maduro, EUA e Brasil temos objetivos coincidentes na Venezuela, mas antes é preciso resolver a dramática situação das crianças e adolescentes que se desespe-ram e choram com a separação de seus pais, numa crueldade que equipara a ação dos EUA na fronteira sul com o que pior se faz no mundo ante os sofrimentos dos refugia-dos. E só aceitar discutir a Venezuela e outros temas após promessa formal de reversão daquele drama – não só no que atinge diretamente brasileiros como os parceiros da His-pano-América.
 
Amarelou!
 
Ao contrário, Temer ‘amarelou’. Longe de confrontar o ‘parceiro’ (desigual parceria!), humilhou-se ao pedir permissão para enviar avião da FAB que traga de volta as crianças brasileiras – mesmo assim sob a improvável condição de que os pais, presos nos Estados Unidos, concordem com a ideia.
Depois prolongou os salamaleques ao ciceronear Pence na Amazônia. Mais uma vez o governo do Brasil curvou-se ao dos ‘irmãos do norte’.
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br
 


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