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Passeio por Pacaraima 25.08.2018
André Gustavo Stumpf
 
Tempos atrás fiz uma bela vigem de carro de Manaus até Caracas por intermédio da rodovia BR-174 que havia sido inaugurada, toda asfaltada, naquela época. Foi uma sucessão de descobertas, visões novas e até a surpresa de trafegar por mais cem quilômetros dentro da reserva dos índios waimiri-atroari, onde o branco não pode entrar. E só pode transitar entre seis da manhã e seis da tarde. Encontrei até um campo de pouso de bom porte naquela área. Entendi que índio não mais quer apito, quer avião.
 
A viagem é interessante e instrutiva porque desde a saída de Manaus até as redondezas de Caracaraí, já em Roraima, viceja a selva amazônica em seu estado puro. É verdade que hoje a região anda abalada pela introdução de agricultura moderna e de técnicas de manejo de gado muito atuais. Mas a selva resiste. De Caracaraí em diante surge a savana, uma planície imensa recoberta por um tipo de capim alto, que produz paisagens absolutamente deslumbrantes. É através deste cenário que a BR-174 serpenteia atinge Boa Vista e vai até Pacaraima, na fronteira com a Venezuela.
 
De Boa Vista até Pacaraima são 220 quilômetros. De novo a paisagem é deslumbrante. A savana, na chamada planície das Guianas, forma imagem belíssima. E muita água. Rios e mais rios. Alguns espetaculares como o Uraricoera onde, diz a lenda, nasceu Macunaíma. Ao fundo, um paredão. É a serra do Parima, que no seu ponto mais elevado repousa a agora famosa Pacaraima, portão de entrada dos venezuelanos desesperados para sair de seu país. 
 
Eles fogem de Nicolas Maduro, de desemprego, de fome, de desabastecimento, da violência policial e do arbítrio do Estado. A pequena cidade, na sua parte urbana, possui algo em torno de cinco mil habitantes. Nos últimos tempos recebeu três mil refugiados. A precária infraestrutura daquele povoado explodiu. Santa Elena de Uiarén, vinte quilômetros depois, já na Venezuela, é vilarejo um pouco maior, que oferece hotéis melhores, gasolina baratíssima e muitas peças de ouro. Aliás, o garimpo é atividade econômica importante em toda a área. As cidades de fronteira se entendem. Do lado de cá, venezuelanos costumam comprar gêneros alimentícios e outros bens de consumo. Do lado de lá, gasolina.
 
Em Santa Elena se inicia a estrada que chega à base do Monte Roraima (2.875 metros) e ao salto de San Angel, a maior queda d´água do mundo, algo como 900 metros. A partir dali a estrada cruza a Grande Savana venezuelana, uma Amazônia totalmente diferente. Não tem mata fechada, fica numa altitude em torno de 800 metros, o que leva o viajante a utilizar agasalhos durante a noite. Os hotéis, postos de gasolina e assemelhados são operados pelos índios, que são lentíssimos nos seu processo decisório. Adiante fica a hidrelétrica de Guri, construída por empreiteira brasileira, que abastece o estado de Roraima, o único que não está conectado ao sistema interligado nacional de energia elétrica. O próximo ponto de apoio é Ciudad Bolívar, grande e imponente, na beira do rio Orenoco. Essa é a rota de fuga dos venezuelanos. É uma caminhada de quase 500 quilômetros até a fronteira com o Brasil.
 
A tragédia da Venezuela já atingiu de maneira violenta e profunda a economia da Colômbia, quase um milhão fugiram para lá. Peru, Equador e Chile também têm recebido venezuelanos. Os que ainda têm reservas conseguem chegar a Argentina. É gente com melhor qualificação profissional, que usualmente se integra com relativa facilidade ao mercado de trabalho. Os ricos foram para Miami. O pessoal que chega a Pacaraima é o segmento mais pobre da Venezuela. Um conflito entre brasileiros e estrangeiros era esperado e previsível. Em todo o mundo, o problema de refugiados incomoda. O Brasil recebe refugiados. Mas investir em Roraima é assunto emergencial. Fechar a fronteira não resolve. Agrava o problema. 
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.


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