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Roraima, ingenuidades...e quem tem o medo do PT? 27.08.2018

Marco Antônio Pontes

É verdade, mas...

Melhor nem tentar atribuir toda a culpa dos problemas de Roraima, especialmente da capital e de Pacaraima, pequena cidade limítrofe da conflagrada Venezuela, ao populismo petista que apoiou e estimulou o congênere canhestro, autoritário, cruel de Maduro.
Isso é verdade, mas o governo brasileiro teve tempo de prever, prevenir e ao menos reduzir os danos da onda migratória que submerge a fronteira e abate-se sobre Boa Vista.
Não o fez, a omissão permitiu o caos.

Difícil necessário

Roraima é o mais novo estado da Federação e o menos populoso, pouco mais que 500 mil habitantes. Recebeu nos últimos três anos cerca de 130 mil refugiados venezuelanos (pouco mais da metade só de passagem para países vizinhos ou outros estados) e continua contando-os, em centenas por dia.
Vale comparar: é como se o Brasil tivesse que abrigar em tão curto tempo multidão de 20 a 25 milhões de imigrantes, muito mais que os fugitivos de guerras e miséria do Oriente Médio e África que em igual período pressionam e conturbam a Europa.
E não há como obstar a entrada dos venezuelanos – é ilegal e seria desumano.

Remédio ridículo

Acolher dignamente refugiados, em fluxo tão intenso, requer dos governos pla-nejamento ou, surpreendidos, agilidade no improviso.
Fez-se uma coisa nem outra, não se planejou quando havia tempo e a reação tem sido lenta, inclusive nas ações emergenciais.
Até a solução mais óbvia, redistribuição interna dos refugiados, é ridícula: só 900 dos que decidiram aguardar destino em Roraima foram transladados pelo governo federal, que se enreda em desculpas esfarrapadas para explicar a ineficiência.

Sempre um Gilmar

Recebo mensagem de Elmer Corrêa Barbosa, que concorda com minha análise da semana passada sobre as manobras pré-eleitorais do PT e acrescenta observações bem mais pessimistas:
Na historia da nossa republiqueta pouco vivemos em estado de direito; [...] só um presidente não levou para o plano pessoal questões e manobras politicas (JK). [...] A imprensa explora o sensacionalismo criado por um semianalfabeto que corrompe empresários espertos e ingênuos [...] que não acreditavam que as coisas teriam muda-do. Se deram mal, [...] mas tem sempre um Gilmar Mendes para aliviar.

Espertos; ingênuos?

Comento o que diz Elmer, de trás para frente.
É triste que votos e declarações de ministro do STF resultem (talvez a sua revelia, como afirma) em manter a velha impunidade e, de quebra, nisso pareça liderar mais dois ou três. Será que a Corte não pode?, mesmo?!, coibir ações contrárias ao estabelecido pelo colegiado?
Já atribuir ao “semianalfabeto” eventualmente poderoso o condão de corromper “empresários espertos e ingênuos” (e no mínimo semi-instruídos) seria, aí sim, ingenuidade: corrupção pressupõe ‘espertos’ dos dois lados do balcão; só corrompe ou deixa-se corromper quem já na partida aceita e aproveita o jogo espúrio.

Medo de Lula

Assumo a crítica ao “sensacionalismo”, os jornalistas temos cometido este pecado e, pior, conferimos certa verossimilhança ao faz-de-conta de Lula; e há quem morra de medo de criticá-lo e ser chamado ‘reacionário’, ‘golpista’...
Mas não se pune o mensageiro pela mensagem, se de fato não a coonesta.

Falta um

Também concordo com seu elogio a Juscelino e acrescento que houve pelo me-nos um outro presidente que “não levou para o plano pessoal” as questões citadas:
Itamar Franco foi acusado de temperamental (com alguma razão), provinciano (injustamente) porém jamais de confundir o público e o privado.

Outra pequenez

É exata a constatação de que o estado de direito é quase exceção em nossa Re-pública, mas repilo o epíteto “republiqueta” a esta nação de extenso território e nume-rosa, vária, miscigenada população e multifacetada cultura.
Quem nos tenta apequenar é a numericamente diminuta elite, ‘cruel e sábia’ na avaliação de Darcy Ribeiro: perversa na geração de desigualdade obscena; injusta ao impor preconceitos que servem à secular dominação; eficaz na manutenção do ignóbil status enquanto finge agir para superá-lo.

Acolho, mas discordo

Aristides Soares Nascimento diz-se “leitor antigo e constante” desta coluna, mas não acredito. Se de fato me lesse não cometeria a injustiça de interpretar-me opinião, por certo crítica do modelo vigente, como descrença nas instituições democráticas e muito menos anúncio (desejo!) de seu fim.
Para julgamento dos que honram estas mal traçadas, abro-lhe espaço em respei-tosa discordância e peço perdão se devo exibir a estapafúrdia diatribe.

Hermetismo...

Tento resumir-lhe a longa e (digamos) hermética mensagem:
 – Sou seu leitor antigo e constante, mas me arrependo porque o senhor [...] não acredita na democracia, acredita que ela vai acabar e até parece feliz. O Brasil sempre foi democrático [...], fraudes são exceções ou o povo não soube votar, precisou de intervenções [...] para o país não descambar para o comunismo [...], não admito que o senhor faça a condenação das exceções como se fosse a regra [...]. O senhor deveria morar é em Cuba [...] e deixar em paz a nossa democracia que [...] vai bem obrigado.
(Asseguro que só suprimi repetições e reiterações, o conteúdo é este, mesmo.)

Fake letter?

Primeiro pensei deixar pra lá, ignorar o mau humor de Aristides. Até porque a mensagem carece de identificação precisa, bem poderia tratar-se (permitam a analogia) de ‘fake letter’ – se este humilde escriba pudesse ser alvo dos interesses escusos que motivam tais iniciativas.
Optei pela transcrição só para reafirmar o que leitores de fato assíduos certo sa-berão: penso que a democracia tem problemas cuja solução é mais democracia, abertura a novas concepções, equacionamento de modos alternativos de representação...

Não acredito...

Preocupei-me, ao iniciar a leitura de mensagem de Everardo Maciel logo após registrar dele um elogio:
Li seus comentários (generosos) ao meu despretensioso comentário à sua coluna. Pensei, cá com meus botões, que você sucumbiu aos ensinamentos do embaixador Marcos Azambuja, parafraseando Machado: ‘Cheguei a uma idade em que já não rejeito elogios. Mais grave, creio que todos são sinceros’.
Mas respirei, aliviado, ante a conclusão:
– O meu foi sincero.

...mas quero mais

– Quer mais? – é ainda o sempre surpreendente Everardo que pergunta e respondo: claro que quero!... Lá vai:
Seus comentários sobre a urna eletrônica são irretocáveis. Nada a subtrair, nem a acrescentar. As bobagens, como os dragões de Borges, assumem muitas formas. Todas elas inescrutáveis.

Aos granberyenses

Como anualmente, lembro aos colegas do Granbery em Brasília que se avizinha o momento de encontrarmo-nos para comemorar o aniversário de nossa instituição. Hora de renovar o convívio ameno e cultuar os valores que aprendemos no centenário Instituto: conceitos como liberdade, fraternidade, tolerância, respeito ao outro e a opiniões diversas – democracia, em síntese –, infelizmente hoje escassos ou deturpados.
Nossa reunião deverá ocorrer em meados de outubro; informarei dia e local em próxima edição.

Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br



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