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Governo pato manco, candidatos-sabonete e apologia do horror 01.09.2018

Marco Antônio Pontes

 

Pato manco

 
Nos Estados Unidos um presidente não reeleito costuma sofrer nos últimos me-ses de mandato um fatal decréscimo de poder e é chamado ‘pato manco’.
Ainda não importamos o apelido, nosso rico imaginário prefere outras expressões igualmente jocosas, como dizer que em tais condições escasseiam visitas ao gabinete presidencial e até o homem do cafezinho desaparece.
 
Fala muito
 
O que aqui e hoje se sabe é que o governo manca, mas fala. Fala muito.
Não bastasse o desgaste acumulado sob repetidas denúncias de corrupção, a ca-tastrófica rejeição popular, a dificuldade em tocar a administração e mais ainda negociar no Congresso suas propostas, o presidente Temer provoca controvérsias e conturba ainda mais o ambiente político com atos e pronunciamentos no mínimo precipitados.
Fez isso na quarta-feira passada, ao ensaiar emitir ‘senhas’ para ordenar o in-gresso de refugiados venezuelanos – o que significaria barrá-los (mesmo seletivamente), portanto seria desumano, ilegal e dificilmente exequível.
 
Constrangimento
 
Não bastasse a controvérsia que gratuitamente provocou – e requereu explicações pouco convincentes do Planalto, meio a desdizer o que o presidente disse – o governo atabalhoou-se em medida em si correta, a de encarregar o Exército de reforçar o controle da fronteira em Roraima e prevenir a repetição de recente conflito entre imigrantes e pacaraimenses.
Foi constrangedor: parece que não combinou com os executores e surpreendeu outra vez os comandantes militares, como fizera ao intervir no Rio.
 
Desculpa esfarrapada
 
Também descabida, inusitada foi a tentativa de atribuir aos postulantes à Presi-dência poder decisório quanto à correção salarial dos funcionários da União, enquanto viabiliza a reinvindicação dos ministros do STF de elevar a própria remuneração em l6,38%.
Assim o governo ignora a recomendação de sua equipe econômica sob esfarra-pada desculpa: se o grupo do qual sairá o sucessor não se posiciona, não lhe cabe assumir sozinho o desgaste. Depois recuou do recuo e até noite de sexta-feira não se sabia no que ia dar.
 
Protagonismo indevido
 
E não se definem, os candidatos, quanto ao reajuste dos servidores e tudo mais, porque fogem de afirmações como o diabo da cruz. Sonegam-nos opiniões e propostas sobre os temas mais candentes ou controversos para não alienar apoios de segmentos conflitantes.
É no que dá basear só em um dos pilares da comunicação social, a propaganda, a difusão de conteúdo informativo em campanhas eleitorais, a substituir os embates legi-timamente políticos e transferir a uma nova categoria profissional, a dos ‘marqueteiros’, indevido protagonismo do processo.
 
Candidatos-sabonete
 
Programas de partidos e candidatos são peças de ficção (papel aceita tudo...), não se fundamentam em princípios, conceitos e modos de ver o mundo e as gentes nem se explicitam em projetos conformados à luz de dados empíricos que interpretem a rea-lidade.
Escasseiam propostas concretas e quando as há não chegam ao público como in-formação objetiva, transmitida pelos veículos de comunicação tradicionais ou nas redes sociais; convertem-se em peças publicitárias dirigidas mais à emoção que à razão do eleitor. Não se emitem mensagens a considerar, preferem-se impulsos sensoriais passíveis de absorção inconsciente, infensa a críticas.
Vendem-se candidatos como se vende sabonete.
 
Insanidade anunciada
 
Entrevistado na GloboNews quinta-feira passada, o ex-ministro de estado e do STF Nelson Jobim não detectou no horizonte ameaças à democracia. Provavelmente a referir proposições nada republicanas de um candidato, citou velha máxima política segundo a qual o discurso de campanha não preside as ações de governo.
O correto entrevistador Mário Sérgio Conti, outrora atrevido repórter, perdeu ótima chance de provocar Jobim: deveria lembrar que, presidente, Trump tem-se orien-tado exatamente pelas insanidades prometidas quando candidato. Só não fez (ainda) o que não pôde.
 
Retrocesso
 
Jair Bolsonaro elogia Donald Trump, diz até nele inspirar-se. Na improvável mas possível hipótese de que se eleja (sim!, é possível) haver-se-á de temer a implementação de ideias e propostas que lhe pautam a campanha, abominável retrocesso: armar a população, mandar a polícia atirar antes de perguntar, reverter a legalização do ‘casa-mento gay’, preconizar a ‘cura’ da homossexualidade, reavivar a discriminação de gêne-ro, recolocar as mulheres ‘em seu devido lugar’ (sob domínio machista), incriminar o aborto até nos casos hoje legalmente admitidos... e por aí vai.
 
Misoginia, racismo...
 
Um eventual governo Bolsonaro também poderia orientar-se pelo pensamento (?) do deputado enquanto não aspirava a voos mais altos. A misoginia ficou patente ao gabar-se de quatro filhos machos e lamentar fraqueza por ‘fazer’ uma filha. Incorreu em crime de racismo quando aquilatou um quilombola por ‘arrobas’, como a animais para o abate e desqualificou-o ‘até como procriador’.
 
...e apologia do horror
 
Tem mais. Bolsonaro como que justificou estupro se a mulher for bonita – tal é o significado de sua agressão verbal à deputada que ousou contestá-lo. Preconizou agres-sões a casais homoafetivos (‘cairia de porrada’ se visse dois homens beijando-se, decla-rou certa vez) e chegou ao clímax de aprovar extermínio de homossexuais ao afirmar que prefere filho morto (um filho!, gerado por ele!!) a filho ‘veado’.
 
Reforma obscura
 
Por fim, restam inexplicadas as circunstâncias por que o capitão Bolsonaro ‘bai-xou’ à reserva do Exército. A imprensa suscitou hipótese de que a carreira teria sido abortada pela participação em atentados perpetrados por militares ‘linha dura’, nos es-tertores do autoritarismo que alguns queriam perpetuar: foram incendiadas bancas de jornais, atiraram-se explosivos a locais de supostas reuniões ‘comunistas’, postaram-se cartas-bomba; uma delas matou a secretária da presidência da OAB.
 
Sumiço estranho
 
O crescendo terrorista da época (início dos anos 1980) culminou – e terminou, dada a crise desencadeada no interior do ‘sistema’ militar – com o atentado no Riocen-tro que trucidaria centenas, milhares de pessoas não fosse a inabilidade de dois dos exe-cutores, sargento e capitão que se explodiram dentro de um carro.
O graduado morreu, o oficial sobreviveu milagrosamente e desapareceu da mídia, junto com as conclusões do inquérito policial-militar instaurado. Assim como estra-nhamente sumiram da imprensa as especulações sobre participação de Bolsonaro.
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br


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