Brasília, 13 de Dezembro de 2018
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Perguntas sem respostas; pior, votaremos no escuro 29.09.2018

Marco Antônio Pontes

 

 Esta é a hora...

 
Em pouco mais que uma semana iremos votar, leitor-eleitor. Elegeremos depu-tados federais e estaduais (distritais em Brasília), senadores, governadores, presidente da República.
Conclamam-nos, a Justiça Eleitoral, instituições sociais e a própria consciência coletiva, a escolhas lógicas (não emotivas) que privilegiem o bem comum, não interesses pessoais. Nada mais certo.
Para votar racionalmente, porém, há que conhecer candidatos e partidos, donde a conveniência de endereçar-lhes perguntas objetivas sobre o que pretendem fazer com os mandatos que delegaremos.
 
...de perguntar...
 
Arrisco algumas indagações.
(1) Temos graves problemas em setores fundamentais – caos na saúde, educação de má qualidade, violência desenfreada, déficit habitacional, trânsito infernal nas cida-des grandes e médias... Que soluções concretas os postulantes apresentam?
(2) A economia cresce quase nada, o desemprego está nas alturas, a indústria perde competitividade internacional, a infraestrutura é insuficiente e deficiente, déficits de governos gastadores sugam recursos com que investir para crescer, malgrado avanços significativos ainda não extirpamos o câncer da corrupção. O que exatamente pretendem fazer?
(3) O desmatamento da Amazônia e dos cerrados recrudesceu, idem a poluição do ar e da água, assim como a contaminação da natureza e alimentos por agentes quími-cos. Como?, afinal, alcançar o desenvolvimento ecologicamente sustentável?
(4) Nas questões chamadas ‘comportamentais’ – vá a denominação, à falta de melhor –, tampouco se conhece de fato a posição dos candidatos em temas que interes-sam à condição da mulher (violência sexual e-ou doméstica, interrupção de gravidez indesejada, equiparação econômica, social, política...), outras questões ditas ‘de gênero’ e direitos das minorias LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis), precon-ceito e violência contra homossexuais, racismo e crimes conexos, ações afirmativas em favor de indígenas, negros, mestiços...
 
...sem ter resposta,...
 
Não pretendo reproduzir a curiosidade geral, mas esse elenco de perguntas have-rá de aproximar-se do que queremos, todos, saber.
O passo seguinte será constatar que outra vez, como em passadas eleições, não temos respostas. Os que primeiro deveriam esclarecer-nos, os partidos políticos, ausen-tam-se quase totalmente das campanhas, as siglas (quando aparecem) escondem-se em letras miúdas até nos programas eleitorais de TV, pelos quais respondem legalmente.
As manifestações diretas dos candidatos tampouco informam intenções, as campanhas centram-se em apelos emocionais: escasseiam propostas e sobram generalidades, alguns querem ganhar ‘no grito’, falam grosso e dizem pouco.
 
...só platitudes (ou pior)...
 
Não cogitemos por ora de concretudes nas disputas por governos estaduais e mandatos parlamentares, tratemos só das propostas (?) dos ‘presidenciáveis’.
Você, leitor-eleitor, sabe por exemplo como equacionarão a segurança pública, enfrentarão o crime (organizado ou não), garantirão nossas vidas? Eu também não.
(Perdão!, um deles disse o que faria: combateria a violência com violência ainda maior. Socorro!)
 
...e continuar no escuro
 
Todos prometem resgatar o desenvolvimento, sanear a administração pública... e nada de políticas sociais, econômicas, medidas anticorrupção e como implementá-las.
Ah!, vejam só!, vão reverter a falência da previdência social – mas como?! De-fenderão a natureza, sustarão desmatamento e poluição – mas que posição assumem, por exemplo, quanto ao controle dos defensivos agrícolas (ou agrotóxicos)?
Sim!, todos privilegiam a condição feminina, até o que lamentou “fraquejar” ao ‘fazer’ uma filha e acha “normal” mulher ganhar menos que homem; mas perguntem o que pensam sobre a descriminação do aborto e a resposta será o silêncio. (Aqui também há exceção: a mulher melhor posicionada nas pesquisas declarou-se pessoalmente contra mas pretende entregar a decisão a um plebiscito.)
Questões de gênero?, casamento ‘gay’?, perseguição a homossexuais? – ora!, são temas espinhosos, melhor calar – aconselham os marqueteiros que substituem os políticos na condução das campanhas.
E novamente votaremos no escuro.
 
Como pode? e por quê?
 
Diferentemente dos candidatos este velho escriba não recusa, pelo menos, opinar. Acredito que não respondem às mais básicas perguntas porque suas mensagens dirigem-se ao inconsciente do eleitor; querem emocionar em vez de informar; fogem da polêmica como o diabo da cruz – e se as mais candentes questões nacionais têm soluções controversas, melhor abandoná-las e buscar sucedâneos, temas genéricos que não firam susceptibilidades.
Solução cabal e definitiva virá de ampla reforma política que reverta a inautenticidade dos partidos, o envelhecimento dos esquemas de representação, as farsescas campanhas eleitorais que (repito-me, sei) vendem candidatos como fossem sabonetes.
 
Caminhos a andar
 
Inevitável constatar: dado o imobilismo dos congressistas, progressos reais não virão em nosso tempo nem no de nossos filhos, talvez a operem os netos dos mais jo-vens. Desde que ensaiemos agora os primeiros, pequenos passos do processo renovador, contra todos os óbices e negaças dos donos do poder, com a consciência de que a solu-ção dos problemas da democracia está em mais democracia, não em cerceá-la.
Se ainda não vemos os caminhos haveremos de encontrá-los ao caminhar, como ensinou o poeta.
 
Imprensa descuidada
 
Enquanto abrimos caminhos, observemos o que obsta ou desvia a caminhada.
Uma notícia recente sugere omissão justo de quem deveria indicar por onde an-dar: a imprensa informa a abertura de segundo inquérito sobre o atentado sofrido por Jair Bolsonaro mas, descuidada, não explica direito por que a Polícia Federal o fez antes de concluir o primeiro.
Tampouco conjetura de como o quase assassino mobiliza quatro caros advogados nem de onde vieram os recursos com que viajou pelo país, comprou notebook e quatro celulares...
 
Mesmices
 
Mais de percalços de ‘coleguinhas’. Natusa Nery é competente repórter, analista e o que reporta e analisa repercute e forma opinião, por isso não deveria trafegar em mesmices e concluir quase nada de um longo arrazoado (GloboNews, 11.09) sobre a influência de bancadas suprapartidárias nas deliberações do Congresso Nacional.
Ao constatar o avanço da ‘bancada evangélica’ e comparar-lhe a atuação à dos ruralistas, defensores do rearmamento e corporações de funcionários públicos, atribuiu seu protagonismo à mera multiplicação de adeptos das seitas neopentecostais.
 
Entre céu e inferno
 
Disse o óbvio, a excelente Natusa e omitiu a explicação do fenômeno: o que faz crescer em número e influência a ‘bancada da bíblia’, mais que o crescimento vegetativo das denominações evangélicas, é o proselitismo de pastores, bispos, pregadores e que outros nomes assumam os líderes ditos religiosos que misturam religião e política para arregimentar eleitores.
Eleitores cativos, fidelizados na pregação diuturna, massificante, pontuada de promessas angélicas e ameaças demoníacas. Eleitos os fiéis, impõem-lhes posiciona-mentos, propostas e reverberam-lhes a atuação parlamentar.
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br
 
 


ABC POLITIKO - LINHA DIRETA COM O PODER
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