BrasĂ­lia, 14 de Novembro de 2018
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Consumada a tragédia que se poderia evitar 23.10.2018

Marco Antônio Pontes

 

 Tragédia anunciada

 
– ‘Tragédia anunciada’ que me impõe a escolha por votar em branco – é assim que Sérgio Alves, atilado intelectual pernambucano, qualifica o impasse que nos impõe a etapa final desta eleição para presidente da República.
Entendo-lhe a angústia: temos uma semana para decidir entre o perverso, avil-tante populismo que o brasileiro já conhece (e derrotou) e o mal em estado puro, perso-nificado no candidato que justifica ditadura e torturas, prefere filho morto a filho gay, desdenha as mulheres por inferiores... e além do mais traz na rabeira um vice que desde já nos ameaça um ‘autogolpe’.
 
Opinião no lixo
 
Este maniqueísmo que hoje nos propõe só duas alternativas, ambas inaceitáveis, já deveria ter provocado reflexões da elite (supostamente) pensante, especialmente dos juristas afeitos à legislação eleitoral:
por quê? ninguém questiona que se jogue no lixo a opinião dos que votam em branco – quer dizer, claramente recusam todos os candidatos que lhes são apresentados?
 
A rejeição...
 
Já abordei o tema, retomo-o nesta hora cruel: concedesse-se ao voto em branco o valor que conceitualmente tem, os eleitores que repudiam tanto Haddad quanto Bolso-naro – conforme aferido nas pesquisas de opinião que desde o primeiro turno atribuem-lhes majoritária rejeição – fariam valer sua opinião e impediriam o desastroso impasse em que nos encontramos.
 
...seria a solução
 
É quase certo que na atual circunstância, contabilizados e validados os votos em branco, eles sobrepujariam os sufrágios do postulante mais votado, clara demonstração de que não o queremos eleger e muito menos o segundo colocado. Do que resultaria invalidar a eleição e convocar outra, obviamente sem os candidatos descartados.
 
Não dá mais
 
O mal já está feito, este processo eleitoral condena-nos a escolher entre o ruim conhecido e o péssimo algo obscuro. É certo que viveremos tempos difíceis sob o pró-ximo presidente, vença Bolsonaro ou Haddad.
Resta esperar novos critérios para os próximos pleitos, se nossos juristas, soció-logos, politicólogos despertarem do marasmo, recuperarem a capacidade de pensar, compreender os problemas e formular-lhes soluções, mediante revisão dos conceitos que presidem eleições. Como está, não dá mais.
 
Mal consumado
 
No longo capítulo ‘o mal já está feito’, lamento sobretudo o comportamento da elite econômica brasileira, que está nem aí para os destinos do povo e nação. Sua opção entre os protagonistas em choque revela inacreditável miopia: escudada num tal ‘mer-cado’, ente sem forma nem identidade, quase mítico, ela impulsiona o salto no escuro em nome de um antipetismo fundado mais em aversão irracional que na legítima conde-nação dos erros e crimes do populismo lulista.
 
Apoio à ditadura
 
Nada surpreendente, diga-se. Foi exatamente assim que a nata do empresariado brasileiro (não) reagiu ao golpe de 1964, quase unanimemente aplaudido na partida e apoiado mesmo quando ditadura afinal escancarada violentou o estado de direito, su-primiu a livre expressão do pensamento, prendeu ilegalmente, torturou, matou.
(Faça-se justiça às exceções, aos empresários democratas que remaram contra a corrente e contribuíram para a redemocratização: Severo Gomes, Antônio Ermírio, José Midlin...)
 
Sinal trocado
 
A irresponsável elite dos negócios, insensível ao que não lhe acene poder e lu-cros, repetiu o erro em 1989. Encantou-se com aquelle primário ‘caçador de marajás’, descartou respeitáveis políticos com estofo de estadista – Ulisses, Aureliano, Covas –, ignorou os alertas de Brizola e ensejou um segundo turno algo similar ao atual, embora de sinal trocado: entre dois saltos no escuro recusamos o então pouco conhecido Lula e elegemos Collor. Deu no que deu.
 
Rejeição decidida
 
Quase três décadas passadas, o embate petismo x antipetismo é o divisor de águas deste processo eleitoral.
Empobreceu-se a campanha que deveria confrontar propostas de governo, proje-tos de Brasil. Em vez disso temos um indigente ‘nós contra eles’, como imposto por Lula em 2014 para reeleger Dilma, com irônica diferença: desta vez uma das vítimas é o PT. E dos inacreditáveis índices de rejeição de ambos os postulantes resultará, frise-se, um presidente recusado desde já pela maioria.
 
Gol contra
 
A mais recente anedota deste processo eleitoral é emblemática do catastrófico ‘nós contra eles’ e consequente hegemonia do sentimento antipetista:
“Lula consegue um recorde: fará cinco presidentes da República – só que o úl-timo num gol contra.”
 
Meu globe-trotter predileto
 
Assimilo a admoestação de Juan Segura Marquez, fraterno leitor franco-espanhol que adquiri graças ao amigo Onaldo Pompílio.
Globe-trotter, Juan passou tempo no Recife, outro tanto na Venezuela (e mais “Oropa, França e Bahia”, apud Ascenso Ferreira), mantém-se fiel às raízes e vive na Paris natal. É sobretudo europeu, imerso na civilização que nos conformou o mundo dito ‘ocidental’, hoje às voltas com reações xenófobas aos imigrantes – mas ele dista léguas dos neofascistas que gostariam de afogar no Mediterrâneo todos os refugiados.
 
Colonialismo e migrações
 
Dialogo com Juan, preservando-lhe o português deliciosamente mesclado de es-panhol com sintaxe francesa:
– Muito interesante seu artigo (obrigado!; refere-se a minha crítica da incompe-tência do governo brasileiro em acolher fugitivos da Venezuela), me lembro duma com-patriota sua que tempo atras dizia que na Europa a gente não tinha coração com os pobres migrantes [...].
Juan foi elegante: eu também reclamara da insensibilidade dos europeus que re-cusam egressos de regiões conflitadas e-ou miseráveis que seu próprio colonialismo infelicitou.
 
Sem juventude
 
Mais de Juan:
– Uma venezolana que conhoci cuando moré nese pais [...] comentaba que nois europeos eramos decadentes. E posible que seja verdad mas o que me parece raro [= estranho, esquisito] é que tanta gente quera chegar aqui [...].
De novo me poupa, o bom Juan; já critiquei uma certa decadência europeia – não civilizacional nem política, malgrado o avanço da ultradireita, mas demográfica: sem imigrantes a Europa haveria de estiolar-se, a envelhecida população a carecer do saudável irridentismo juvenil; as mudanças na pirâmide etária do continente confirmam o que eu disse.
 
Pimenta é refresco
 
Cito ainda a delicada, agora decididamente crítica mensagem de Juan:
– O que aconteceo na Roraima é so uma mostra de cuando tem uma imigração não desejada e so cuando vc sofre no seu propio pais um problema assim comença a comprender.
“Pimenta nos olhos dos outros é refresco”, ele diria, se conhecesse nosso dito popular.
 
Estamos juntos
 
Captei-lhe a mensagem, caro Juan. Assim como acredito terá notado minha am-pla, total e irrestrita defesa do acolhimento aos migrantes venezuelanos.
Estou certo de que assume igual posição ante os desvalidos que buscam socorro na Europa, e de quebra contribuem para o rejuvenescimento, renovação demográfica e cultural de sua velha, grande e admirável pátria europeia.
A critica, aí como aqui, endereça-se aos governos e demais instituições incapazes de haver-se com os problemas derivados das migrações – em si mesmas um componente irrecorrível (e benéfico) da marcha da história.
 
Marco Antonio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br
 
 


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