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CORRUPÇÃO
Lava Jato prende 2 envolvidos em escândalo da Transpetro 31.01.2019
Sergio Machado se dizia afilhado do PMDB de Renan Calheiros

 Brasília -- A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (31) a 59ª fase da Operação Lava Jato. São cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária por 60 policiais federais, com o apoio de 16 auditores fiscais da Receita Federal, em São Paulo e Araçatuba (SP).

 
Há suspeitas de que o esquema criminoso foi possível devido a acordo entre os investigados, que responderão pela prática dos crimes de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Os presos e o material apreendido serão levados para a Superintendência da Policia Federal em Curitiba, no Paraná.
 
O ex-presidente de empresas do Grupo Estre Wilson Quintella Filho e o advogado e ex-executivo do grupo Mauro de Morais foram presos na 59ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada hoje pela Polícia Federal (PF).
 
A atual fase foi batizada de Quinto Ano e cumpriu, ao todo, 16 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária. As ordens foram cumpridas em São Paulo e Araçatuba, no interior do estado. Antônio Kanji, o terceiro alvo de prisão, não foi localizado e é considerado foragido.
 
As investigações, segundo o Ministério Público Federal (MPF), miram o pagamento de propinas pelo Grupo Estre em contratos de serviços na área ambiental, reabilitação de dutos e construção naval da Transpetro. Ao todo, são investigados 36 contratos que totalizaram, entre 2008 e 2017, mais de R$ 682 milhões, assim como pagamentos ilícitos superiores a R$ 22 milhões, segundo a Lava Jato.
 
As investigações tiveram início a partir de declarações de Sérgio Machado, que é ex-presidente da Transpetro e foi indicado e mantido no cargo pelo então PMDB de Renan Calheiros, que celebrou acordo de colaboração com o MPF.
 
Ele revelou que ajustou com Wilson Quintella o pagamento de propinas de pelo menos 1% dos contratos firmados pelo Grupo Estre (Estre Ambiental, Pollydutos e Estaleiro Rio Tietê) com a estatal.
 
Além da delação de Sergio Machado, a Lava Jato também recebeu informações da Operação Descarte, que investigou o grupo Estre por crimes de lavagem de dinheiro em São Paulo e Minas Gerais. As provas obtidas foram compartilhadas e, segundo os procuradores, o modo de atuação do grupo nos dois casos era semelhante.
 
Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba, com base nos termos da colaboração premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os contratos suspeitos somam mais de R$ 682 milhões.
 
As investigações colheram indícios que apontam que empresas pagaram vantagens indevidas, de forma sistemática, a executivos da Transpetro. O esquema envolvia o pagamento de um percentual de propina, que alcançou o montante de até 3% do valor de 36 contratos formalizados com a estatal entre 2008 e 2014.
 
No período de 2008 a 2014, foram repassados milhões de reais a agentes políticos, segundo as investigações. Desse total, o colaborador teria recebido R$ 2 milhões por ano, a título de vantagem indevida, além de R$ 70 milhões no exterior.
 
Há indícios de que um escritório de advocacia foi utilizado para a movimentação de valores ilícitos e geração de dinheiro em espécie em favor das empresas do grupo investigado.
 
O sistema utilizado para a ocultação e dissimulação da vantagem indevida ocorreu mediante a utilização de contas de passagem e estruturação de transações financeiras (fracionamento). O objetivo era evitar comunicação de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
 
Agência Brasil e Portal G1
 


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