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Trapalhadas do governo 08.05.2019

 Marco Antônio Pontes

 
 
Jair Messias versus Bolsonaro
 
O ‘tuiteiro’ Jair Messias segue firme na oposição ao governo Bolsonaro, secundado na empreitada pelos filhos 02 e 03.
Na semana ora encerrada, enquanto nota oficial da Presidência descartava intervenção militar do Brasil na Venezuela, o ex-capitão afirmava nas ‘redes sociais’ que eventual intervenção armada (admiti-la já é absurdo) seria decidida “exclusivamente” por ele próprio e pelo colegiado que o assessora em assuntos de segurança (pareceu até ressuscitar o famigerado Conselho de Segurança Nacional da ditadura...).
 
Contraponto
 
O presidente da Câmara dos Deputados (sempre ele!) aproveitou a ‘deixa’ e apelou à Lei maior: quem decide o assunto – só quem pode declarar guerra – é o Congresso Nacional.
Rodrigo Maia estava quieto no seu canto, a cuidar a tramitação da reforma da Previdência enquanto Bolsonaro enredava-se em temas secundários, ajudado pelos filhos e seus ministros-problema, mas não perderia a oportunidade de oferecer contraponto sensato à maluquice da vez.
 
Avaliação errada
 
E por falar em ministros-problema, consta que o presidente ficou furioso com seu chanceler, que de Washington enviou-lhe avaliações segundo as quais as forças armadas venezuelanas, ainda na terça-feira passada, abandonariam Nicolás Maduro, que antes do dia terminar voaria para Cuba.
Estava errado, o trêfego titular do MRE, não se sabe se tangido pelos ‘falcões’ de Trump ou por sua própria ansiedade. O certo é que induziu o governo a precipitar-se e agir, por algumas horas, como se já houvesse um novo governo na Venezuela.
 
Guerreiros derrotados
 
A fúria de Bolsonaro dever-se-ia não só à indigente análise de seu ministro. Ele teria gostado menos ainda da derrota da troupe belicosa de Olavo de Carvalho – de que 03, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, é membro destacado – pelo grupo militar, com fortalecimento das posições mais sensatas do general-vice-presidente, apoiado no episódio pelos generais-ministros da Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional.
 
Epíteto preguiçoso...
 
Só mais um pouco de Venezuela: já é tempo de remover o equívoco persistente na imprensa quanto à condição de Juan Guaidó, chamado “presidente autoproclamado” – até um editorial da Folha de S. Paulo (02.05) repetiu o preguiçoso epíteto, mais fácil que explicar como chegou a tal condição.
Na verdade, legitimamente o proclamou ‘presidente interino’ a Assembleia Nacional, por sua vez instituída nas últimas eleições livres lá ocorridas, em 2015.
 
...coonesta a usurpação
 
Para neutralizar a maioria oposicionista no parlamento nacional o governo Maduro promoveu, com apoio do Judiciário ‘aparelhado’ e normas arbitrárias que vetaram previamente os opositores, ‘eleição’ de um colegiado espúrio dito ‘constituinte’ que, desde a instalação há coisa de dois anos, menos que rever a Constituição empenhou-se em sabotar o parlamento legítimo e culminou por estabelecer regras iníquas para excluir a oposição e reeleger Maduro em 2018 – daí a Assembleia considerá-lo “usurpador” e nomear Guaidó presidente interino.
 
Gafe diplomática
 
Nem só de Venezuela nutrem-se as trapalhadas do incansável Bolsonaro; pois ele não se disse preocupado com a Argentina? – ante a possibilidade de retorno de Cristina Kirchner, que faria no Cone Sul “uma nova Venezuela”?
A gafe contraria nossa tradição diplomática – e preceito recomendado mundo afora – de não intromissão em assuntos internos de outras nações. E atrapalha um aliado natural de Bolsonaro na América Latina, o presidente Macri, que busca a reeleição.
Aliás, segundo o competente repórter e analista Ariel Palácios, de muitos anos de janela em Buenos Ayres, Macri morre de medo da próxima visita de Bolsonaro e da ‘ajuda’ que lhe queira dar; assusta-se sobretudo com a possibilidade de que lá se ponha a elogiar as sanguinárias ditaduras argentinas (GloboNews Em pauta, 03.05).
 
“Balbúrdias”?
 
Além dos equívocos em política externa, aqui mesmo o governo superaria outra vez sua média de uma trapalhada por semana, desde a posse. E foi outro ministro pro-blemático, o que se dedica a destruir o que há de bom na educação, quem as cometeu em série e teve do chefe, ao menos, silêncio obsequioso.
O diligente ‘olavete’ anunciou corte de verbas de três universidades que supos-tamente estariam aquém dos níveis de qualidade exigidos e promoveriam “balbúrdias” nos campi – tais como abordagens de temas execrados pela extrema direita, supostas manifestações de nudismo...
 
Escolha errada
 
O ministro Weintraub sequer soube escolher universidades de que falar mal: UNB, UFF e UFBA estão entre as melhores do Brasil e da América Latina.
Pego pela palavra, saiu-se com emenda pior que o soneto: resolveu que o corte de verbas atingirá todas as instituições federais de ensino. Agiu como um garoto voluntarioso, dono da bola que não admite gols contra seu time e acaba com o jogo.
E ainda partiu pra outra, ao achar natural que alunos gravem aulas de professores para denunciar proselitismo ideológico.
 
“Burro dinâmico”
 
Quase se tem saudade do incompetente, apático ministro Vélez, apenas um de-sastrado sem capacidade de fazer coisa alguma. O sucessor, ao contrário, parece ativo e capaz de fazer muito mal. Vem a propósito a sacada de um amigo, que interpreto como lembro:
“Tenho nada contra os burros em geral, que costumam ser inertes. O problema é a exceção, o burro dinâmico.”
 
Ignorância e autoritarismo
 
Não, leitor, não acho que Abraham Weintraub seja burro. Consta que trabalhou coisa de vinte anos no mercado financeiro, selva em que só inteligentes sobrevivem. Mas revela-se despreparado para lidar com a educação.
Nem bem assumiu o MEC, já exibe ignorância e vezo autoritário em questões como autonomia da Universidade, liberdade de cátedra, respeito a ideias e opiniões de professores e alunos. Ademais, desconhece o setor e os intrincados meandros de um ministério cuja abrangência é ampla, vária e complexa.
 
Ignorante e dinâmico
 
Weintraub, ignorante dinâmico (no setor), não terminaria a semana sem outro equívoco a atestar-lhe inépcia até ao lidar com cifras, entre as quais deveria ‘nadar de braçada’.
Disse várias vezes num mesmo discurso, e usou o dito para alegar eficiente em-prego de recursos, que a avaliação da educação básica em sua gestão far-se-ia com meros R$ 500 mil.
A próxima etapa do SAEB custará R$ 500 milhões.
 
Nada apascentada
 
Alonga-se a crônica dos ministros-problema, já quase uma novela inspirada nos desacertos dos auxiliares prediletos do presidente Bolsonaro: a ministra Damares aprontou de novo.
Escrevi, na semana passada, que a irrequieta pastora estava apascentada. Vã ilusão!, logo me desmentiria ao afirmar que mulheres devem obedecer a seus maridos...
E com o beneplácito de Jair Messias – surpresa nenhuma.
 
Ameaçada! – por quem?
 
(Já finalizava esta coluna quanto li no site da revista Veja que a ministra Damares vai deixar o cargo. Ela disse ao presidente que está cansada, doente e sairá tão logo conclua a avaliação dos projetos de seu múltiplo Ministério. Acrescentou que ao cansaço acumula-se tensão, pois teria sido ameaçada de morte.
Entendi nada – quem? pretenderia matar a aparentemente pacata senhora cujo único erro conhecido foi aceitar encargos acima de suas capacidades e aspirações?
Aguardo a edição completa da revista para avaliar a intrigante notícia.)
 
Diversionismo?
 
Analistas políticos mui ‘criativos’ conjeturam se Bolsonaro e sua turma mais próxima não estariam a valer-se dessa agenda lateral, ultrarreacionária para acicatar a imprensa, a intelectualidade, o que ainda funciona na oposição e assim desviar a atenção do que realmente interessa ao governo, está sob fogo e ele, governo, não acerta em conduzir. Enquanto todos se ocupam da pauta acessória, a principal seria tocada livremente pelos ministros da Economia, Justiça, Infraestrutura...
De quebra, dar-se-ia raia livre aos projetos poluidores do ministro do Meio Ambiente, aquele que foi condenado por corrupção associada a crimes... ambientais.
 
Estratégia tosca
 
Hipótese engenhosa, não parecesse coisa de quem ‘procura pelo em ovo’. Tal maquiavelismo não frequenta as mentes primárias da família presidencial e seu guru, o pseudofilósofo que à falta de ideias destila grosserias. Essa turma é assim mesmo, tosca e acredita que o mais importante é contestar o ‘marxismo cultural’, combater o ‘globa-lismo’, resgatar nacionalismos anacrônicos, denunciar as ‘elites depravadas’.
O máximo que alcança em estratégia política é acreditar que seu projeto reacio-nário, obscurantista, se lhe garantiu vitória nas urnas, assegurará sucesso no governo – formidável equívoco, sobre cujos antecedentes e possíveis consequências provocarei os leitores nas próximas edições.
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br
 
 


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