Brasília, 23 de Outubro de 2019
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Aprendizado de uma semana infausta 18.06.2019

 Marco Antônio Pontes

 
Fatos e bastidores
 
Os três eventos que na semana ora finda desencadearam manchetes nos noticiários nacionais, afora mentiras e interpretações estapafúrdias nas redes chamadas sociais haverão de servir, mais que à interpretação dos fatos, ao exame de como age o governo Bolsonaro e do que se passa em seus bastidores.
A semana começou com a revelação de conversas tidas como impróprias do então juiz Sérgio Moro com o procuradores da Operação Lava a Jato, passou pela demissão do general-ministro Carlos Alberto Santos Cruz e terminou com inesperado entrevero em torno da reforma da Previdência.
 
Comportamento estranho
 
Tanto quanto o teor das mensagens trocadas entre Moro e procuradores, menos que os atos criminosos dos hackers e, em ação orquestrada, de seus interessados divulgadores, causou pasmo na imprensa e frisson de especulações nas tais ‘redes’ o comportamento do presidente.
 
Apoio confuso
 
Bolsonaro guardou silêncio na segunda-feira, dia em que se revelaram as conversas; foi rude ao interromper entrevista no dia seguinte, ao ser provocado no tema; insistiu na mudez ao longo da quarta-feira – à noite assistiria ao lado do ministro a jogo do Flamengo; finalmente, a partir da quinta-feira, ao revelarem-se sondagens que exibiram vasto respaldo de opinião pública ao então juiz e atual ministro, passou a explicitar-lhe apoio, em seu jeito confuso (quem sabe? Dilma esclareceria...).
 
‘Olavetes’ perdulários
 
O general-ministro perdeu poder quando enfrentou, não só com palavras, o filho 02 – aquele que maculou com a sola dos sapatos o nobre couro da poltrona do Rolls Royce presidencial, relíquia quase centenária.
O vereador carioca, de cujos mandatos não se conhecem iniciativas relevantes em favor de sua cidade, seria, diz-se, éminence grise do setor de comunicação do Planalto, que povoou de ‘olavetes’ cuja faina perdulária o general tentava conter.
 
Briga perdida
 
Cruz, que teria brecado negócios de Olavo de Carvalho no governo, foi o militar mais atacado pelo pseudofilósofo e também o que mais acremente respondeu.
No episódio teria perdido a briga e o cargo: o presidente só haveria dado um tempo antes de demiti-lo para não escancarar a proeminência do ex-astrólogo nas decisões do governo.
 
Discurso imperdoável
 
O estopim que detonou o general, especula-se, foi o episódio em que ‘olavetes’ da comunicação induziram o presidente a censurar peça publicitária do Banco do Brasil.
Atento às normas que asseguram autonomia administrativa às estatais, ele restaurou a legalidade e desmentiu o presidente numa de suas cruzadas prediletas, a que investe contra o discurso igualitário sobre cor da pele, gênero, sexo..., que permeava o anúncio (aliás excelente).
Imperdoável!, taoquei?
 
Retórica tosca
 
E de que nos serve tudo isso? – perguntará leitor – para conhecer o governo Bolsonaro?, a essência que subjaz aos arroubos verbais, retórica tosca em que alguns pensam ver estratégia política?
A que rumo conduziria a trajetória errática, que atira no próprio pé e defende o indefensável?
 
Maquiavel... quem?
 
Descartado in limine o maquiavelismo, se atribuído a gente que mal ouviu falar de Maquiavel (‘Não é aquele beque do Grêmio?’), fica a impressão de que o núcleo duro do poder está nem aí para os avanços éticos propiciados pela Operação Lava a Jato, nem para o intento de estendê-la e afinal moralizar as relações entre políticos e empresários – projeto por que Sérgio Moro precipitara o fim da carreira judiciária para trilhar, neófito, as sendas da política.
 
Antipetismo
 
Desde a vitória nas eleições o presidente e sua turma insistem nas teses, mais que conservadoras, decididamente retrógradas, reacionárias que lhes informaram a atípica campanha eleitoral.
Carente de propostas afirmativas, a campanha no entanto conseguiu imprimir no ex-capitão o rótulo de antídoto aos erros e falcatruas perpetradas pelo PT.
No processo, turbado por um atentado insano que o eximiu de participar de debates, ainda se beneficiaria da suicida estratégia petista, que até a undécima hora apostou na natimorta candidatura de Lula.
 
Negação persistente
 
Daí que o candidato sem programa, feito presidente, persista na negação – da afirmação feminina, dos direitos das minorias, do desenvolvimento sustentável, do Estatuto do Desarmamento, do papel da universidade pública, dos conselhos que ensejam participação social na ação de governo... – e pouco se empenhe nas pautas proativas dos ministros Moro e Guedes:
Bolsonaro e sua gente simplesmente não alcançam o significado dos projetos de segurança e higidez da administração pública nem compreendem a necessidade de mudar a Previdência.
 
Factoides
 
Quanto aos fatos, aqueles que explodiram na mídia e tumultuaram a semana, na verdade sequer o são porém factoides, conforme o conceito de César Maia (sim, o pai do presidente da Câmara, muito vivo e ativo papa do marketing político). Comecemos pelo factoide protagonizado pelo filho: Rodrigo Maia versus Paulo Guedes, no enredo mal enjambrado da reforma da Previdência.
 
Solução possível
 
O relator do projeto, deputado tucano favorável à reforma, produziu alternativa que considerou possível na circunstância, em articulação a que não faltou a mágica de juntar ‘centrão’ a PT e aliados.
Assim mudou a proposta original em três aspectos fulcrais: atenuou o rigor dos critérios de transição, excluiu estados e municípios (com perspectiva de reversão no plenário) e remeteu às calendas a discussão de um novo modelo previdenciário, o de capitalização individual.
 
DNA congressual
 
Foi aí que a corda arrebentou. Paulo Guedes agastou-se por que se esticaram as concessões, a ferir o núcleo de sua ‘nova previdência’ – a capitalização – e denunciou “desidratação da reforma”.
Recebeu dura resposta de Rodrigo Maia, líder das negociações que deverão re-sultar em Previdência com ‘DNA’ nitidamente congressual.
No caso um factoide – a briga de Guedes e Maia –, poderá resultar em fato político, a preponderância do Legislativo no processo.
 
Vitória de Pirro
 
A queda de Cruz é êxito bombástico da família Bolsonaro na disputa com os militares no governo; entretanto, mais parece ‘vitória de Pirro’.
Em seu lugar assume um general da ativa, afinado com os colegas do primeiro escalão, que certamente fará valer o brilho de suas quatro estrelas contra os enclaves obscuros de ‘olavetes’ na área de comunicação, sob sua autoridade.
 
Origem espúria
 
Já as acusações a Moro são frágeis, embora ruidosas.
Propaga-as um site, manejado por aliados do PT, que violou a intimidade de juízes, procuradores, parlamentares, ministros de tribunais superiores – a origem espúria já as desmerece.
Só prosperam porque reverberadas pelas mesmas facções que as produziram, a serviço do objetivo maior do populismo petista: a campanha “Lula livre”.
 
Precipitação
 
Desastre inusitado na sucessão de fake news e factoides foi a precipitada nota oficial da Ordem dos Advogados do Brasil, a endossar alegadas impropriedades nas conversas do então juiz Moro com procuradores da Operação Lava a Jato.
Ao sofregamente pronunciar-se, no calor da hora, a entidade que congrega os advogados brasileiros, partícipes da instituição que chamamos ‘Justiça’ – ao lado de juízes, desembargadores, membros dos demais tribunais e promotores, procuradores –, assumiu-se parte interessada num embate que deveria coarbitrar.
 
(In)coerência
 
Dada a coerência que se espera da OAB, aguarda-se dela manifestação (mesmo tardia) contra a interlocução entre ministros do STF e um ex-membro da Corte, que patrocinou nos tribunais superiores a causa do ex-presidente Lula e encetou sistemática peregrinação a seus gabinetes, em defesa ‘informal’ dos interesses do cliente.
 
Conduta imprópria
 
Não me parece adequado, mas é habitual que juízes – inclusive ministros do STF – conversem em particular com advogados ou promotores e procuradores em tratativas de processos que vão julgar. Menos ainda que externem opinião sobre conflitos que podem ser chamados a dirimir, como justo agora fizeram dois membros da Corte maior quanto ao comportamento do juiz e procuradores da Lava a Jato.
 
Estranhamento suspeito
 
A prática seria vedada por lei; não sei se de fato o é, e em que termos; na precária cobertura da controvérsia, a imprensa não informou o que dispõe a lei.
Sei é que consultas informais entre advogados e membros do Ministério Público, de um lado e do outro juízes ocorrem rotineiramente e são aceitas, sem estranhamentos.
Assim não me parece razoável sejam agora estranhadas, no interesse dos alcançados pela Lava a Jato.
 
Rossi, Midani
 
Na infausta semana que afinal termina os brasileiros perdemos dois importantes arautos de nossa cultura e civilização, Clóvis Rossi e André Midani. Velho como eles, tive a sorte de testemunhar-lhes vida e obra, cada qual em seu metier.
 
Clóvis Rossi
 
Décadas de leitura de suas colunas, artigos e reportagens na Folha de S. Paulo confirmam a impressão que guardo da curta convivência com Clóvis, o libertário jornalista que frequentou Brasília a ver de perto e cobrir o tortuoso fim da ditadura, na virada das décadas 1970–80.
De quebra, foi solidário e conselheiro nas instâncias dos colegas daqui para eleger Carlos Castello Branco presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, emblema em nosso meio da redemocratização ainda incerta.
 
André Midani
 
Meu primeiro encontro com André devo ao amigo Mário Lago, parceiro de mui-tas lutas, inclusive pela música popular brasileira. A apresentação, num adequado boteco do centro do Rio aí por meados dos 1960, fez-se ao jeito entusiasmado de Mário, sempre o maior amigo de seus amigos:
– André, conheça Marco Antônio, companheiro comunista, militante da música e cultura brasileira. (...)
– Marco, este é André Midani, que nos torna possíveis os melhores sonhos.
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br
 
 
 


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