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Bolsonaro ultrapassou os limites. E agora? 23.02.2020

 Marco Antônio Pontes

 
Vem chumbo grosso
 
O clima é de revolta na imprensa, suas instituições, movimentos feministas... ante as manifestações de Bolsonaro no início da semana.
Políticos, partidos, seus líderes e outros brasileiros indignados estudam a Constituição, demais legislação e possíveis meios de reagir além das rotineiras notas de repúdio.
O que se cogita agora é enquadrar o presidente da República em crime de responsabilidade e-ou comprovar-lhe quebra do decoro exigido pelo cargo, conforme prescrito em lei – ainda não se sabe qual das alternativas ou se ambas, combinadas.
 
Passou dos limites
 
O ex-capitão ultrapassou todos os limites da decência.
O que disse e fez é moralmente inaceitável, ademais de frequentar (de novo!) o Código Penal, quando repetiu com extrema grosseria as calúnias assacadas contra a jornalista da Folha de S. Paulo Patrícia Campos Melo por um prestador de serviços da campanha que o conduziria à Presidência.
Seu filho deputado veiculara as mesmas mentiras, levantando suspeitas de que teria instrumentado o agressor.
 
Repúdio necessário...
 
As calúnias do tal ‘impulsionador’ de mensagens nos WhatsApp da vida, assim como a participação do filho 03, haviam sido objeto de repúdio geral e foram desmentidas cabalmente pela própria Folha, com repercussão em todos os veículos que contam.
Reações similares já haviam condenado manifestações anteriores de Bolsonaro, sua entourage e ministros – não apenas os chamados ideológicos: o poderoso titular da Economia achou de ameaçar-nos com novo AI-5, comparou servidores do estado a pa-rasitas e reclamou de que empregadas domésticas gastem dólares em viagens a Disney.
 
...mas insuficiente
 
É inevitável protestar, se as agressões do presidente turma a jornalistas, à imprensa e demais instituições democráticas seguem num crescendo, com a rudeza que o caracteriza. Tudo se passa como se houvesse um plano para minar a democracia a partir de seu paradigma, a liberdade de imprensa.
Diante disso a reação veemente da opinião pública, se justa e necessária, tem sido insuficiente para deter a marcha insana deste populismo afeito à extrema direita, um neofascismo tupiniquim.
 
Ameaça concreta
 
Tanto não é suficiente que apesar das reações o presidente e sua gangue exacer-bam os ataques, concentrados nos principais veículos de comunicação de massa – os de alcance nacional e os líderes regionais, também dotados de grande audiência e prestígio.
Será preciso reagir com análoga contundência no enfrentamento da ameaça auto-ritária. E ninguém se iluda: Bolsonaro et caterva mal alcançam o significado de conceitos como liberdade de pensamento e expressão, pluralismo, aceitação da diversidade..., têm-lhes apreço nenhum.
Se puderem tentarão, sim!, destruir as instituições democráticas que os brasileiros erigimos a duras penas.
 
Bom combate
 
Claro está que a resistência ao arbítrio ater-se-á aos limites do estado de direito, vetados meios espúrios que se confundam com os utilizados pelo adversário – o que desvirtuaria o bom combate, alienaria apoios e comprometeria a empreitada.
Tudo há de fazer-se mediante aplicação da lei, em estrita observância dos ritos a que nos obriga o estado de direito.
Foi assim, recorde-se, que se superaram as formidáveis crises que nos acometeram desde a redemocratização de 1984–85, inclusive as solucionadas com os impedimentos de um presidente corrupto e uma inepta ‘presidenta’ (concedo, por esta vez, a esdrúxula flexão de gênero).
 
Prevenir o feito
 
O processo tem que ser eficiente, cuidadoso, seus avanços calculados lance a lance ou resultará em gol contra, como na mui justa mas atabalhoada iniciativa do Partido Democrata estadunidense para defenestrar Trump, aquela avantesma.
Enquanto se analisam providências legais efetivas, as próprias instituições hoje vilipendiadas devem prevenir-se e reduzir espaços à insensatez.
 
Sair da plateia
 
Por exemplo, a imprensa.
Há meses o presidente abandonou os encontros com repórteres credenciados no Planalto, só conversa com jornalistas em ambientes adrede preparados; os preferidos são os vigiadíssimos portões da residência oficial, o Palácio da Alvorada, aos quais convoca sua claque para aplaudir o que diz e intimidar os jornalistas.
Não seria o caso de não mais frequentar o local?, deixar que o presidente divirta-se à vontade com a plateia mesmerizada e manter somente a cobertura institucional, na sede do governo e de outros eventos formais da Presidência?
 
Pesca em aquário
 
É típica dos ditadores e aspirantes a tal status a aversão à imprensa e seus inconvenientes repórteres, com suas perguntas “cheias de palavras”.
Bolsonaro, mais que outros potenciais tiranetes, odeia o debate aberto e com razão: tosco, mal entende as perguntas e enrola-se nas respostas, falta-lhe agilidade mental para acompanhar e reagir a raciocínios diversos dos seus (se é que raciocina...), irrita-se quando cobrado dos próprios equívocos e de seu governo.
É lícito, pois, que a imprensa defenda-se e recuse participar de enredos em que ele ‘pesca em aquário’, sente-se livre para tergiversar, mentir, ofender sem contestações.
 
Atmosfera tóxica
 
Antecipo objeções: sei que compete a jornalistas buscar os fatos onde aconteçam, mesmo em condições adversas.
Entendo que a exibição diuturna do despreparo e destempero de Bolsonaro, a ‘nossa’ avantesma, contribui para que mais brasileiros percebam a armadilha na qual nos enredamos ao elegê-lo.
Parece-me, entretanto, que os heroicos repórteres que sofrem cotidianamente a insultuosa convivência cumpriram com louvor sua missão, bem merecem retirar-se da plúmbea atmosfera que hoje intoxica os portais do poder.
 
Missão cumprida
 
A missão, por bem cumprida, esgotou-se.
Os que não compartilham o populismo fascistoide do ex-capitão mas preferiram-no a seu oposto, o do lulismo fantasiado de esquerda, já terão percebido o equívoco na escolha do ‘mal menor’ – e quem não aprendeu é irrecuperável, adianta nem ‘desenhar’...
Algo do processo terá instruído a grande massa desinformada, que costuma deixar-se levar pelas ondas populistas – se não, mais do mesmo ser-lhes-á de pouca valia.
E os empedernidos ultrarreacionários, base natural de Bolsonaro muito bem representada pelas claques que convoca às cancelas do Alvorada – esses são impermeáveis a argumentos e à obviedade dos fatos.
 
 “Chantagens”
 
Parecia colhida, precocemente na segunda-feira, 17.02 a safra semanal de impropérios do poder bolsonarista e eis que na quarta (19) o ministro Augusto Heleno, general de longa folha de serviços e, consta, o mais influente conselheiro do presidente, resolve acrescentar um cacho de inconveniências ao já conturbado mercado.
Ele conclamou o colega Paulo Guedes a resistir às “chantagens” de parlamentares cujas emendas ‘impositivas’ subtrairiam recursos indispensáveis ao bom desempenho do Executivo.
Depois provocou, supostamente a explicar-se – emenda pior que o soneto: o regime é presidencialista, se os congressistas quiserem mandar instituam o parlamentarismo.
 
Resposta pronta
 
A resposta não tardou, no mesmo dia os presidentes do Senado e Câmara criticaram a fala e reafirmaram o papel do Legislativo no que tem de mais intuitivo – a elaboração de leis, inclusive a que institui o Orçamento da União. E Rodrigo Maia estranhou partisse de general tão experiente a equivocada acusação a congressistas.
 
Segurança insegura
 
Restou do episódio um fato, digamos, curioso. O ministro Augusto Heleno responde pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, ao qual compete entre outras funções garantir o sigilo das conversas no núcleo central do poder.
E foi justo uma falha na operação da equipagem que transmitiria evento da Presidência que ensejou ‘vazamento’ de sua frase infeliz. Nada tão grave, diga-se, quanto o contrabando de drogas em avião de comitiva presidencial; preocupante, porém.
 
Motim no Ceará
 
A conturbada semana não terminaria sem o motim dos policiais militares do Ceará, de trágicos resultados já anotados na multiplicação por cinco dos crimes violentos no estado (em comparação a média diária até então observada).
O conflito teve um ápice de violência em Sobral quando o ex-governador, ex-ministro e atual senador Cid Gomes investiu com retroescavadeira contra o portão de um quartel amotinado, ameaçando atropelar os rebelados e foi atingido por dois tiros no peito – não morreu por pouco – disparados por policiais, como mostram as gravações do conflito.
 
Policiais-bandidos
 
Claro que o senador tinha nada que partir para o confronto, ainda mais a fazer de retroescavadeira carro de combate. Porém o fato anterior, que lhe motivou a indignação e indignou a nação, é muito mais grave: o quartel da PM cearense em Sobral fora ocupado por policiais amotinados e armados; lá e em outras cidades eles desencadearam ações terroristas que os equiparam aos bandidos que deveriam combater.
 
Terrorismo
 
Além de invadir dependências do estado, eles apoderaram-se de veículos oficiais e depredaram os que não puderam levar, bloquearam ruas, barbarizaram as cidades em bandos de encapuzados a agredir pessoas e fechar o comércio.
Atentado emblemático, incendiaram o automóvel de cidadã que os contestara em redes sociais.
 
Criminosos anistiados
 
Amotinados como os PM’s do Ceará atentam contra o povo e agridem o estado de direito, inclusive ao desrespeitar a Constituição que proíbe greves no setor.
Estimula-os a sensação de impunidade, se os apanhados a delinquir em movimentos anteriores acabaram anistiados pelos governos estaduais e até por leis votadas no Congresso Nacional, onde pontificam dezenas de representantes de suas corporações.
 
Respaldo belicista
 
Hoje os promotores de motins imaginam-se ainda mais seguros, certo porque se sentem respaldados no discurso belicista do presidente da República.
Em anódina carreira parlamentar (sete mandatos no mais ‘baixo clero’) Bolsonaro só teve seus quinze minutos de fama quando patrocinou privilégios das corporações militares, inclusive policiais – além, é claro, dos segundos gastos na infame homenagem ao torturador-símbolo da ditatura.
 
 
Marco Antônio Pontes é jornalista
marcoantoniodp@terra.com.br
 
 


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