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Moro condena ex-presidente da Petrobras a 11 anos 08.03.2018

Brasília - O juiz federal Sérgio Moro condenou o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine a 11 anos de prisão na Operação Lava Jato, por corrupção e lavagem de dinheiro. Bendine é acusado de receber R$ 3 milhões da Odebrecht em supostas propinas em 2015.

Em sentença, Moro ressaltou que Bendine "assumiu o cargo de Presidente da Petrobras em meio a um escândalo de corrupção e com a expectativa de que solucionasse os problemas existentes".

“O último comportamento que dele se esperava era de corromper-se, colocando em risco mais uma vez a reputação da empresa. Entendo que a prática do crime no contexto em que se insere foi muito grave e denota elevada culpabilidade ou personalidade desviada”, anotou.

Bendine está preso desde 27 de julho passado, alvo da Operação Cobra, 42ª fase da Lava Jato.

O executivo esteve à frente do Banco do Brasil entre 17 de abril de 2009 e 6 de fevereiro de 2015, e foi presidente da Petrobras entre 6 de fevereiro de 2015 e 30 de maio de 2016. Assumiu o comando da estatal petrolífera com a missão de acabar com a corrupção nas diretorias.

Acusação

Bendine foi acusado de exigir R$ 17 milhões em propinas da Odebrecht. Segundo a investigação, ele acabou recebendo R$ 3 milhões em três parcelas de R$ 1 milhão, entre junho e julho de 2015, enquanto ocupava a Presidência da Petrobras. Em troca, teria agido em defesa dos interesses da empreiteira.

Delação

De acordo com os delatores da empreiteira, inicialmente, enquanto presidente do Banco do Brasil, o valor de R$ 17 milhões, correspondentes a 1% do valor de uma dívida que teria sido renegociada na Instituição financeira.

Inicialmente, Marcelo Odebrecht disse ter negado fazer os pagamentos. No entanto, após Bendine assumir a presidência da Petrobras, passou a fazer pagamentos que chegaram aos R$ 3 milhões. Os acertos teriam sido feitos com o intermédio de André Gustavo, que teria prestado consultorias fictícias para a empreiteira.

O publicitário, dono da Arcos Propaganda, disse que se reuniu com Bendine em sua casa pelo menos 8 vezes e confirmou ter intermediado encontros entre os empreiteiros Marcelo Odebrecht e Fernando Reis e Aldemir Bendine.

Segundo o ex-presidente da Odebrecht, Bendine – já nomeado na Petrobrás – chegou a ser escalado pelo governo Dilma Rousseff para ser o interlocutor com a Odebrecht a respeito de assuntos relacionados aos impactos da Lava Jato sobre o mercado, e foi em uma reunião no apartamento de André Gustavo que teriam sido acertados os valores.

André Gustavo, por sua vez, admitiu ao juiz federal Sérgio Moro ter operacionalizado entregas de R$ 900 mil a Bendine.

O primeiro repasse, de R$ 650 mil, num almoço com o executivo Fernando Reis, da Odebrecht, em São Paulo. “Bendine chegou, entreguei a bolsa a ele, ele pediu licença, saiu. Na sequência, ele voltou, perguntou o que havia lá, e eu disse: o valor”.

Outra entrega, de R$ 350 mil, teria acontecido em uma carona que Bendine deu ao publicitário ao aeroporto de Congonhas. “entrei no carro com ele e entreguei”.

Defesa

O advogado Alberto Toron, que defende Bendine, considerou que houve avanço na sentença de Moro. “Essa sentença representa um avanço muito grande porque absolveu Aldemir Bendine do crime de organização criminosa, de obstrução de justiça, de seis acusações de lavagem e de duas de corrupção dentre as três que era acusado. Essa sentença limpa a área e clareia o horizonte para um terreno mais justo do que aquele vislumbrado pelo Ministério Público Federal".

"Quanto às duas condenações, vamos recorrer porque entendemos que o juiz se equivocou porque a pena é extremamente elevada”, afirmou o advogado.

Com agências 


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