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Bolsonaro passa por cirurgia e é transferido para SP 07.09.2018

Brasília - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, que foi esfaqueado na tarde desta quinta-feira (6) quando participava de uma agenda de campanha em Juiz de Fora (MG), foi submetido a uma cirurgia na região do abdome às pressas na Santa Casa do município. Segundo os médicos, seu quadro de saúde é “grave, mas estável”. Ele foi transferido nesta sexta-feira de manhã para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, de jatinho.

Bolsonaro sofreu um único golpe de faca que perfurou em três partes o intestino delgado, provocando traumatismo abdominal e hemorragia interna. O candidato permanece na UTI.

Líder nas pesquisas de intenção de votos, Bolsonaro era carregado na região central da cidade quando foi golpeado na altura do abdome por seu agressor, identificado como Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, que foi preso. O presidenciável sofreu o atentado por volta das 15h40.

Bolsonaro cumpria agenda em um dos principais endereços da cidade, no calçadão da Rua Halfeld, local exclusivo para pedestres. O candidato seguia o script de suas agendas de rua: caminhadas no meio dos apoiadores, selfies e interação com crianças e adolescentes simulando armas com as mãos.

Em meio à multidão, Adelio Bispo de Oliveira sacou a faca e rapidamente atingiu o presidenciável. Com uma expressão de surpresa e dor, Bolsonaro se inclinou para trás e foi amparado.

Algumas pessoas, inicialmente, não perceberam o que acontecia. Mas policiais federais socorreram o candidato. Um deles cobriu o ferimento com um pano na tentativa de estancar a hemorragia. Bolsonaro foi rapidamente levado para o carro que o transportava, que logo seguiu para a Santa Casa de Misericórdia, o hospital mais próximo. O veículo saiu em alta velocidade. O segurança que o havia amparado ficou com a mão toda ensanguentada.

Quando os apoiadores do candidato se deram conta do que havia acontecido, tentaram linchar o agressor. ‘Mata, mata, mata’, gritaram. Oliveira foi cercado e levou socos e pontapés. Ele precisou ser abrigado em uma loja do calçadão.

A Polícia Militar chegou ao local com dificuldade e precisou usar gás de pimenta para dispersar a multidão e para proteger Oliveira. Houve empurra-empurra e pessoas foram jogadas no chão durante a confusão. A PM não acompanhava o ato do candidato até então – Bolsonaro era escoltado pela Polícia Federal e estava cercado por seguranças voluntários.

Natural de Montes Claros (MG), Bispo foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014.

Segundo os policiais militares que o prenderam, Bispo afirmou que planejou o ataque contra Bolsonaro. Ele disse que saiu de casa com a faca para atacar o candidato do PSL “no melhor momento que encontrasse”. O ataque, segundo ele, se deu “por motivos pessoais” que os policiais “não entenderiam”. Disse ainda que fez tudo “a mando de Deus”.

A Polícia Civil de Minas informou que um “provável” segundo suspeito de participação no atentado contra Bolsonaro em Juiz de Fora foi detido. O suspeito, que não teve a identificação revelada, foi encaminhado à Polícia Federal em Juiz de Fora.

Incertezas

O fato deixou mais imprevisível a eleição deste ano, acrescentando nova variável na disputa pelo Planalto, segundo analistas ouvidos pelo Estado. O atentado seria capaz de mudar os rumos da corrida eleitoral restando menos de um mês para o primeiro turno.

Nesta quinta-feira, algumas campanhas começaram a rever estratégias, entre elas a tática de ataques ao candidato do PSL. A expectativa no momento é sobre a força do tempo de TV no horário eleitoral e a capacidade de transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja candidatura pelo PT foi barrada pela Justiça Eleitoral. A dúvida agora passa a ser quanto ao tempo de recuperação física de Bolsonaro. Conforme a equipe médica, o tempo mínimo de internação a que ele estará submetido é de uma semana.

Escolta e colete
 
Desde o fim de julho, Bolsonaro é escoltado diariamente por uma equipe da Polícia Federal, garantia concedida aos candidatos à Presidência da República. A Polícia Federal informou que está apurando a ocorrência do fato.
 
A assessoria de imprensa da Santa Casa de Juiz de Fora confirmou que o candidato deu entrada no setor de urgência e emergência, mas não soube informar o estado de saúde dele.
 
No seu primeiro ato público desde o início oficial da campanha, em Presidente Prudente (SP), no dia 22 do mês passado, a reportagem do UOL flagrou o candidato vestindo um colete à prova de balas, cercado de seguranças. A peça foi utilizada por ele em outras duas viagens desde então, em Rondônia e no Acre.
 
Presidente em exercício do PSL e um dos mais próximos aliados do deputado federal, o advogado Gustavo Bebianno disse ao UOL que, entre os candidatos, Bolsonaro "está em nível 1 [máximo] de risco".
 
No mês passado, o próprio candidato foi questionado sobre a preocupação com a segurança e disse que é orientado a seguir certos ritos. "Obedeço e acima de tudo não revelo o que acontece no tocante à minha insegurança, pela minha segurança", declarou.
 
Com agências

 


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